Outsiders: atletas e iniciativas que brilharam em 2021

Por Verônica Mambrini e Alexandre Versiani

Rayssa Leal vai em busca de mais uma medalha olímpica. Foto: Gabriel Buchmann.
RECORDES, GRANDES FEITOS, PROJETOS CORAJOSOS E MUITA ATITUDE: O PRÊMIO OUTSIDERS ESTÁ DE VOLTA! CONHEÇA OS ATLETAS E INICIATIVAS QUE BRILHARAM EM 2021.

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Tamara Klink, 24 anos

Foto: Arquivo Pessoal.
“Muito abaixo da superfície existe outro universo inteiro a descobrir.”

A curiosidade e a vontade de explorar o desconhecido levaram Tamara Klink a atravessar o Oceano Atlântico sozinha, aos 24 anos, a bordo do veleiro “Sardinha”. No último mês de agosto, a arquiteta naval, filha do notório navegador Amyr Klink, saiu da França e percorreu mais de 1.700 milhas, equivalente a quase 3 mil quilômetros, até chegar à costa brasileira. Além disso, também deixou o caminho aberto para novas pessoas conhecerem o complexo universo da navegação através de poemas e livros que foram escritos durante a viagem.

Henrique Avancini, 32 anos

Imagem: Red Bull Content Pool.
“Espero fazer uma grande temporada no ano que vem."

Em 2021, Avancini lidou com diversas pressões e expectativas: esperava um alto resultado nos Jogos Olímpicos de Tóquio, mas finalizou o cross-country em 13º – muito abaixo do que ele mesmo e o público esperavam, mas ainda assim o melhor resultado da história do Brasil em Jogos Olímpicos. Em um ano cheio de altos e baixos nos resultados, não perdeu o lugar em nosso panteão de heróis.

Aretha Duarte, 38 anos

outsiders 2021
Imagem: Gabriel Tarso.
“Acredito no que tenho chamado de PIB – Poder Interno Bruto. Todo mundo tem
que sonhar e pode realizar."

Em 22 de maio, aos 37 anos, tornou-se a primeira mulher negra latino-americana a fazer o cume da montanha mais alta do mundo. Aretha Duarte conquistou o feito em meio a uma pandemia, crescendo entre as incertezas da pandemia e driblando todo tipo de dificuldade técnica, logística e financeira, para que a guia de montanha Aretha Duarte realizasse o sonho de escalar o Everest. O exemplo é inspirador para toda uma geração, por tudo que carrega e representa em termos de quebras de barreiras.

Italo Ferreira, 24 anos


Foto: Marcelo Maragni / Red Bull.
"Sem seguro de vida, mas cheio de vontade de viver.”

A primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio veio do mar. Mais precisamente das ondas de Shidashita, que sediaram a estreia do surf como modalidade olímpica. Mas o triunfo no maior palco esportivo do planeta foi apenas a cereja do bolo de uma temporada repleta de adrenalina do surfista brasileiro. Em 2021, Italo encarou ondas tenebrosas em lugares como Nazaré, Portugal, e Laje da Jagua, no Brasil.

Matheus Vidal, 26 anos



Foto: @guufeo.
"Quero descobrir os limites do equilíbrio.”

Mago do Equilíbrio, assim o baiano Matheus Vidal é conhecido por onde passa. Dono de diversos recordes no highline, o slackline nas alturas, Matheus tornou-se referência da modalidade no Brasil. Aos 26 anos, ele colocou seu nome mais uma vez na história ao quebrar o recorde brasileiro de travessia de longa distância. Mago esticou uma fita de 1 km entre duas montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Magé (RJ), e conseguiu atravessá-la em 48 minutos.

Outsiders 2021: Rayssa Leal, 14 anos

Foto: Gabriel Buchmann / Nike.
"Eu cresci, podem me chamar de Rayssa Leal."


Rayssa Leal é daqueles fenômenos que ultrapassam as fronteiras do seu esporte. Não é preciso ser fã ou entender de skate para vibrar com as manobras radicais da maranhense de Imperatriz, que tornou-se a atleta mais jovem do Brasil a conquistar uma medalha olímpica em todos os tempos. Fora das pistas, Rayssa também vem conseguindo transformar o seu conto de fadas em vida real para milhares de garotas, que começam a se jogar na modalidade graças à medalha de prata nos Jogos de Tóquio.

Fernando Zogaib, 44 anos

outsiders 2021
Imagem: Cesar Delong.
“Foi no cicloturismo que eu me encontrei. E gosto dele feito de uma maneira 
competitiva.”

O arquiteto Fernando Zogaib sempre gostou de pedalar. E se muita gente viu seus planos frustrados com a pandemia em 2020 e 2021, ele brilhou graças a projetos ciclísticos ambiciosos. Nos dois últimos anos acumulou o recorde da Travessia
Norte-Sul do Brasil, o tempo mais rápido conhecido (FTK) da Estrada Real e a vitória da primeira etapa brasileira do Biking Man, prova ciclística de ultradistância.

Giovanna Martins, 38 anos

Imagem: UTMB.
"Quando cheguei ao pódio, chorei, e outros brasileiros que estavam lá 
choraram comigo, foi muito bonito”

Com o terceiro lugar no pódio da MCC, que vai de Martigny-Combe à Chamonix, uma das provas do UltraTrail du Mont-Blanc, Giovanna Martins se crava como um dos grandes nomes do trail running brasileiro. De olho em grandes provas como a prova principal da UTMB, de 170 km, ou a Lavaredo Ultra Trail, a maratonista mineira pretende investir forte na modalidade para tentar garantir uma vaga para o Brasil na corrida de montanha, caso a modalidade se torne modalidade olímpica nos próximos Jogos.

Ana Marcela, 29 anos

Foto: Divulgação / COB.
"Sinto que o interesse pela maratona aquática aumentou muito depois 
da medalha, principalmente entre as crianças"



Se o Brasil hoje é referência mundial na natação em águas abertas, muito se deve à persistência de Ana Marcela Cunha. Desde Pequim 2008, a baiana de 29 anos perseguia a sua medalha olímpica. E foi nas águas calmas da Marina de Odaiba, em Tóquio, que veio a grande consagração. Em uma prova emocionante, Ana Marcela ditou o ritmo das braçadas no pelotão da frente e cruzou os 10 km em primeiro. A medalha também fechou com chave de ouro a melhor participação das mulheres brasileiras em Olimpíadas da história.

Pippo Garnero, 37 anos

Foto: Arquivo Pessoal.
“O ano de 2021 foi especial. Com as competições finalmente voltando, 
me senti ultra motivado para voltar a dar o meu melhor nas pistas. 
O foco foi total.”

Dois meses antes de vencer a Haute Route Alps, uma das provas mais duras do ciclismo de estrada mundial, Pippo Garnero contraiu Covid-19 e quase viu sua temporada inteira de treinos escoar pelo ralo. No entanto, foco e resiliência fizeram o atleta recuperar-se rapidamente e chegar aos Alpes Franceses no auge da forma física. De volta ao Brasil, Garnero subiu novamente ao topo do pódio menos de um mês depois no prestigiado L’Etape Brasil, em Campos do Jordão, a maior competição amadora do calendário nacional. E ele não parou por aí: na sequência embalou uma medalha de prata no campeonato brasileiro de ciclismo de estrada, desta vez entre os profissionais.

Outsiders: Negritude Outdoor

Imagem: Divulgação.

Categoria: mobilização social

“Não à toa o lema do coletivo é celebrar e convergir: o Negritude Outdoor 
um quilombo em expansão”, Denilson Silva.

O coletivo Negritude Outdoor está dando a merecida visibilidade à comunidade negra que pratica esportes outdoor. Uma das maneiras mais efetivas de mudar as percepções é por meio da representatividade. Nomes de peso como Aretha Duarte – também premiada neste Outsiders – aderiram, mostrando que vitórias coletivas e individuais se misturam quando se trata de causas identitárias. Nomes como o do ultramaratonista Carlos Dias, os escaladores Glauce Ibraim e Rafa Rebello e o ciclista Edicarlos Rosinha, entre tantos outros, aderiram às postagens. Um dos grandes méritos do Negritude Outdoor é naturalizar o imaginário de pessoas negras usufruindo da natureza, de esportes como ciclismo de estrada, escalada, alta montanha e outros, protagonizados tradicionalmente por pessoas brancas, sem cair no estereótipo da “história de superação”.

Fissuradas

Imagem: Gabriel Tarso.

Categoria: escalada

“Ver cada um e cada uma que participa das oficinas com aquela gana faz 
evaporar toda a minha ansiedade sobre o que estão entendendo do projeto”, 
Renata Leite.

A dupla Renata Leite, 42 anos, e Endy Arthur, 38, criou perfil do Fissuradas no Instagram meio na brincadeira, para falar da escalada em fendas, paixão compartilhada entre as duas. A ideia inicial era quebrar alguns mitos sobre a escalada tradicional e em fendas – fissuradas é um trocadilho com fissura. Elas conseguiram muito mais: estão atraindo dezenas de escaladoras – e homens também – para o estilo é tido como bruto e doloroso, num clima de diversão e leveza.



Instituto Aromeiazero

Foto: Divulgação.

Categoria no Outsiders 2021: Projeto Social

"Estimular o uso da bicicleta nas aldeias vai além da proteção ao meio 
ambiente, também ajuda a garantir acesso a direitos e mais qualidade de
vida nas aldeias”

O Instituto Aromeiazero é uma organização sem fins lucrativos que busca reduzir as desigualdades sociais através de projetos ligados à bicicleta. Devido à pandemia, o grupo teve que reestruturar as atividades, mesclando ações virtuais e presenciais. Mas os tempos turbulentos não impediram a ONG de seguir o compromisso de tornar bikes mais acessíveis e comunidades mais resilientes. Entre abril e maio deste ano, através da campanha Bike Parada Não Rola, o Aromeiazero doou dezenas de bicicletas para duas aldeias localizadas no estado de São Paulo: Tenondé Porã, em Barragem, e Guyra Pepo, em Tapiraí.

Outsiders 2021: Rede Brasileira de Trilhas

Imagem: Arquivo pessoal

Categoria: montanhismo e meio ambiente

"Trilhas de longo curso tendem a dar certo quando são planejadas de baixo 
para cima pela sociedade”, Hugo de Castro.

A Rede Brasileira de Trilhas representa duas décadas do trabalho de centenas de voluntários. A associação tem hoje mais de 120 trilhas em diferentes estágios de implantação, em mais de 300 municípios de 25 das 27 unidades federativas do país e em todos os biomas brasileiros. Já são mais de 5.500 km de trilhas implantadas, com uma expectativa de mais 20.500 km nos próximos anos. Entre elas, estão novos e velhos clássicos do montanhismo brasileiro, como Transcarioca, Caminhos da Serra do Mar, Caminhos dos Goyazes, Caminho de Cora Coralina, Caminhos dos Veadeiros, entre muitas outras.

Leandro Bittar, 40 anos

Foto: Arquivo Pessoal.

Categoria: Outsiders que promovem

O ciclismo abriu as portas para Leandro Bittar começar a sua carreira como jornalista. Hoje ele é um dos principais especialistas em compartilhar histórias de personagens e campeonatos que compõem o fantástico universo do pedal. Por meio de podcasts como Classicômano e Gregário Cycling, sua voz já alcançou mais de 45 países, tornando-o sinônimo de credibilidade em 16 anos dedicados ao jornalismo.

Michel Farah, 55 anos

Foto: Bruna Inglez.

Categoria: Outsiders que promovem

Se você costuma pedalar ao longo dos 21,5 km da ciclovia do Rio Pinheiros provavelmente já notou alguma diferença. Desde 2020, o local – que atrai cerca de 70 mil ciclistas por mês – vem sendo cuidadosamente revitalizado pelo paisagista paulistano Michel Farah, que no comando de sua empresa, a Farah Service, é o atual responsável pela gestão da área. Em pouco mais de um ano de trabalho, o trecho localizado às margens do Rio Pinheiros transformou-se em uma espécie de oásis para quem gosta de pedalar em meio ao caos urbano da capital paulista.

Matéria originalmente publicada na Go Outside 171.