Mesa de cabeceira

10 atletas outdoor recomendam livros que marcaram suas vidas

Por Fernanda Beck

Pedimos a alguns atletas outdoor que recomendassem livros dos quais tivessem gostado, de temática esportiva ou não. Veja o que eles disseram:

> Caio afeto, escalador, highliner e basejumper:

Tem um livro muito especial que tenho e que procuro ler sempre que tenho oportunidade: Super-Humanos, de Steven Kotler. Acho este um livro muito interessante por abordar a teoria do estado de fluxo nos esportes extremos, e trazer diversos exemplos de atletas que realizaram feitos inimagináveis.

> Patricia Antunes, escaladora, campeã brasileira de escalada em boulder em 2017:

Eu amei o Na Natureza Selvagem, do Jon Krakauer. Tem outro dele, o No Ar Rarefeito, que também achei excelente. Estes livros me marcaram demais. O primeiro fala sobre fazer o que se ama, ser quem você é realmente é não o que a sociedade impõe, e isso era exatamente o que eu queria…conhecer meu eu interior. Foi logo que comecei a escalar que o li, foi muito bom e me ajudou a seguir em frente. Tanto em Na Natureza Selvagem quanto em No Ar Rarefeito foi emocionante vivenciar as expedições e todos os perrengues envolvidos.  Para completar a lista, também indico o Criança 44, do Tom Rob Smith, um romance sobre a investigação de assassinatos nos tempos da União Soviética.

 

> Mirlene Picin, biatleta, esquiadora cross-country e corredora em trilha:

Gosto muito de ler, é o meu maior passatempo quando estou fora de casa treinando e competindo. São de seis a oito meses por ano na estrada, de aeroporto em aeroporto, muitas vezes em países em que eu não falo o idioma. No topo da minha lista está Invencível, de Laura Hillenbrand, que deu origem ao filme com o mesmo título e direção de Angelina Jolie. O livro conta a historia do corredor norte-americano filho de imigrantes italianos Louis Zamperine. Mas esse é só um breve trecho de uma narrativa de sobrevivência, resistência, redenção e, para mim, o verdadeiro significado da palavra perdão: perdão a si mesmo, perdão para as pancadas e injustiças da vida.

Foi uma indicação do meu treinador, Beto Carnevale, que me fez ler o livro quando eu passava por um momento delicado. Estava na minha temporada de competições de biathlon de inverno na Europa (novembro a fevereiro de 2012/2013), tentando a classificação para as olimpíadas de Sochi e só batendo na trave. Acabava de sair de uma fratura por stress no pé em setembro que havia prejudicado toda a minha preparação, e fiquei um bom tempo na Rússia (com a equipe sueca), em Ostrov, um verdadeiro buraco! Foi esse livro que me fez conseguir atravessar aquele inverno.

> Igor Amorelli, triatleta:

O último livro que li foi O Poder do Hábito, de Charles Duhigg. No ano passado comecei a trabalhar bastante a parte mental para me ajudar tanto no esporte como fora dele. Acho que esse livro e seus ensinamentos podem ajudar as pessoas a mudarem algumas coisas bem importantes em suas vidas, e fazer uma diferença positiva.

> Felipe Ho, escalador:

Gostei de um livro que li recentemente para o vestibular, o clássico Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. O texto expõe com brilhantismo críticas a sociedade da época. O mais legal é que são comentários que se aplicam perfeitamente aos dias de hoje.

 

> Rita Birindelli, base jumper:

Tem um livro que já li diversas vezes e tem bastante a ver com o momento que estou agora: o Na Estrada, do Jack Kerouac. Pra mim, ele fala de coragem, de sonhos, de viagens, lugares e pessoas. Tenho vivido isso ultimamente – não em uma pegada sexo, drogas e jazz, como no livro, mas de certa maneira estou na estrada faz alguns anos.

> Pedro Ferreira Nicoloso, escalador, campeão brasileiro de escalada em boulder 2017:

Um dos últimos livros que eu li foi O Universo numa Casca de Noz, de Stephen Hawking. Esta adorável leitura me chamou a atenção de diferentes maneiras, como por exemplo, o fato do universo ser fascinante e desconhecido, além do fato de termos inúmeras dúvidas para refletirmos sobre nossa existência, o que torna os seres humanos curiosos. Como engenheiro mecânico e atleta de escalada, posso dizer que isto me motiva para buscar novas respostas e novos conhecimentos para que eu possa compreender um pouco mais sobre esta oportunidade que ganhamos de existência. Gostaria de ter minha jornada prolongada aqui na Terra para que eu conseguisse desvendar algum mistério e contribuir para nossa evolução.

> Alex Honnold, escalador:

Eu recomendaria Comer Animais, de Jonathan Safran Foer. Foi um dos muitos livros responsáveis pela minha mudança para uma alimentação mais saudável. Sinto que estou levando uma vida mais saudável e moral como resultado da leitura deste livro. Sei que ser vegetariano provavelmente é considerado loucura no Brasil, mas com certeza melhorou minha vida.

> Sabrina Gobbo, triatleta off-road:

Tocando o Vazio, de Joe Simpson. O famoso livro conta a história verídica de dois escaladores que sobrevivem a um acidente trágico nos Andes peruanos. É um relato muito bacana, de uma história impressionante – mal dá para acreditar que o cara sobreviveu. Um que li mais recentemente e também achei incrível é Invencível, sobre a história de Louis Zamperini. Mostra bastante a questão da disciplina, e a transformação do caráter de uma pessoa pelo esporte.

> Jordana Agapito, escaladora:

Quero recomendar O Caminho do Meio, de Lou Marinoff. Já no começo da leitura, me apareceu a frase: “Nem oito nem oitenta”. Me identifiquei imediatamente pois é uma filosofia que gosto de aplicar na minha vida, sigo sempre nessa busca. É um livro extenso: em mais de 600 páginas, o autor busca explicar por meio dos ensinamentos do que ele chama de ABC (Aristóteles, Buda e Confúcio), o fato de grande parte de o sofrimento humano ser causado por extremismos.

Fiquei realmente encantada com a quantidade de fatos, dados e referencias que ele traz para colocar às claras a formação das religiões e tantos padrões que eu questiono bastante. O livro flerta bastante com o budismo, cultura com a qual tenho afinidade. Em resumo, é um livro que traz à tona o equilíbrio e a filosofia do “aqui e agora”. Uma maneira de levar a vida mais conscientemente e com mais tranquilidade, o que vai completamente de encontro com a minha busca no esporte que pratico, a escalada.

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