Raio mata escalador Jean Fluber na Serra do Cipó

Por Redação

jean fluber
Arquivo pessoal

O escalador Jean Ricardo de Matos, conhecido como Jean Fluber na comunidade de escalada, morreu aos 47 anos, devido a um raio, na Serra do Cipó. Outras duas pessoas ficaram gravemente feridas. De acordo com os bombeiros que fizeram o atendimento no local, podem haver até outros 10 feridos.

+ Pico dos Marins e as lições do montanhismo de verdade
+ Dicas para você pedalar na chuva com segurança

Segundo a corporação, as duas vítimas faziam parte de um grupo com 20 pessoas no local que foi atingido pelo raio. De acordo com um comunicado da Associação de Escaladores da Serra do Cipó (AESC), o raio não caiu diretamente sobre Fluber, mas o impacto foi suficiente para que ele não sobrevivesse. O incidente aconteceu no dia 11 de janeiro, que teria amanhecido sem precipitação e com previsão de chuva somente para o fim da tarde.

Um grupo de pessoas se encontravam na Sala da Justiça, no G3, no meio da tarde quando começou a chover. É um setor com várias vias em paredes negativas, muito procurado quando chove. Cerca de vinte minutos após o início da chuva, um raio atingiu o local. De acordo com a AESC, havia apenas uma pessoa escalando e as demais estavam no chão. O escalador na via Heróis da Resistência foi arremessado para trás e a pessoa que fazia sua segurança desmaiou. Por estarem usando um grigri, o escalador não sofreu nada e foi descido ao chão por colegas. O segurança aos poucos retomou a consciência.

Segundo o comunicado, “próximo a eles, estavam Jean Ricardo ‘Fluber’ e Thaís, sua parceira, sentados abaixo da via Inquilinos. Estas duas pessoas sofreram grandes impactos do raio. Thaís recobrou a consciência, porém Fluber não. Alguns dos presentes, acessaram uma das macas que fica no local e iniciaram o processo de resgate do escalador inconsciente até a estrada de terra (aproximadamente 1,2km de trilha).

O posto de saúde foi acionado e um médico e uma enfermeira se deslocaram para o local com os aparelhos necessários, dentre eles um desfibrilador. Apesar do esforço de todos os envolvidos, não foi possível reanimar o Fluber e o óbito foi declarado no local. Thaís foi levada de ambulância para Lagoa Santa e seu quadro é estável.”

Nascido em Icem, no interior de São Paulo, Fluber teve uma infância difícil e aos 12 anos veio para a capital sozinho, e acabou conhecendo a escalada por um amigo. Trabalhou por anos no meio – passava a semana na loja de equipamentos que funcionava dentro do ginásio Casa de Pedra, e depois trabalhou na academia 90 Graus. De bom humor notório, deixou os amigos consternados com a perda.

“O Fluber era um bom escalador, escalou algumas vias difíceis pelo Brasil em SP, RJ, MG, PR e RS, abriu ou participou da manutenção de muitas outras, desde o DIB (Mairiporã), Guaraiuva, Visual das Águas, São Bento do Sapucaí e outros points em SP e outros estados, mas muito mais que um escalador o Fluber será lembrado com imensa pessoa que era, uma cara muito generoso, um ‘palhaço’ nato, no bom sentido, tirava um sorriso fácil de qualquer um em qualquer momento, simplificava tudo que era complicado e punha pilha em todo mundo. Quem escalou com ele sabe o quanto ele te motivava na escalada”, conta Cesar Grosso, escalador e amigo de Fluber.

“O Fluber fez muitas First Ascents, se dedicava muito, e tinha um espírito divertido. Que tristeza, ele era uma pessoa única, marcante para a comunidade. Muito apaixonado e fanático pela escalada”, conta a escaladora e amiga Janine Cardoso, que o conhecia desde que começou a escalar.

A comunidade da escalada está em luto com a fatalidade.

-Publicidade-