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Uma jornada até o cume do Monte Kilimanjaro

Por Andreia Ribeiro

A passagem de 2021 para 2022 foi bem diferente das anteriores; intensa, dura, emocionante e prevista para me surpreender pouco. Desligar nesta época sempre foi um ritual importante pra mim: estar em contato com a natureza, desconectar para reconectar, fazer planos, colocar as ideias no lugar.

Depois de passar por dois anos bem complexos e de muitas mudanças importantes, dar essa parada era fundamental para seguir bem dali em diante. E reconhecer isso não foi simples, mas foi extremamente valioso. Escolhi fazer uma viagem que estava programada para acontecer antes da pandemia, mas o mundo parou e felizmente ela aconteceu quando tinha que ser, afinal o universo sabe o que faz.

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Decidi subir o Kilimanjaro, ponto mais alto da África, com uma altitude de 5.895m, no Pico Uhuru, que fica na Tanzânia. Uma montanha linda, um vulcão dormente no meio da savana, além de uma expedição incrível e bastante desafiadora. Tipo de proposta que nos obriga a refletir sobre nosso tamanho e impacto no mundo, nos empurra para fora da nossa zona de conforto, da bolha social em que vivemos. Nos emociona e nos faz sentir gratos por aquilo que somos, ajuda a enxergar a real diversidade e desigualdade global, nua e crua.

Essa não foi a minha primeira e creio que não será a última viagem de trekking na montanha, mas sempre saio com frio na barriga e volto com a sensação de que fiz algum tipo de terapia intensiva, sentindo em cada dia da jornada uma avalanche de emoções… Vulnerabilidade, empatia, resiliência, coragem, e acima de tudo, retorno com mais clareza do real tamanho dos desafios e das oportunidades que a vida nos proporciona.

Acredito que a capacidade de nos colocarmos na posição do outro e também numa posição vulnerável nos ajuda a entender que não construímos nem chegamos a lugar nenhum sozinhos, e que a conexão com nossos pares, parceiros, colegas, times é o que nos faz, de fato, fortes. Clichê? Assim é a vida, um mágico filme repleto de clichês.

Durante minha escalada rumo ao cume do Kilimanjaro eu passei muito mal, tive hipoglicemia e senti minhas extremidades congelando, mas eu sabia que podia chegar lá. Porém, tive que pausar e me distanciar do grupo.

A trilha do coração é a trilha da coragem: seja qual for a sua montanha, permita-se dar uma pausa e vivenciar algo novo e desconhecido. Foto: Arquivo Pessoal.

Assumir que estava frágil me conectou a amigos que me deram força e o apoio necessário. Só assim eu fui capaz de continuar. Dar a volta por cima e assumir o controle da mente para não desistir. Parar, respirar, me aquecer, me alimentar e seguir. Não desanimar com a fraqueza, mas sim usá-la para ajustar a situação e reagir.

E resgatar toda minha coragem, palavra que tem sua origem no Latim (coraticum) e significa “ação do coração”. Sem dúvida nossa maior força. A força que me moveu e me fez alcançar o cume após 8 horas de escalada, com coração e mente trabalhando juntos.

Então meus amigos, seja qual for a sua montanha, permita-se dar uma pausa e vivenciar algo novo e desconhecido. Acreditem, isso é extremamente valioso para nossa evolução. Ser capaz de enxergar a vida por diferentes ângulos nos torna indivíduos mais sensatos.

A minha montanha é o espaço onde me abro, supero, desapego, me reencontro e sinto que volto uma pessoa melhor, buscando aplicar meus aprendizados no dia a dia do trabalho, relacionamentos, na vida. Meus aprendizados se tornam meus desejos para um futuro mais próspero, onde possamos cada vez mais assumir nossas vulnerabilidades, nos conectarmos com o novo e com quem nos faz crescer, adicionando uma boa dose de coragem, e deixando que nossos corações ajudem a guiar nossas decisões enquanto produzem uma força propulsora para um mundo melhor.

Para acompanhar as aventuras de Andreia Ribeiro, siga o perfil @andreiairibeiro no Instagram.

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