Quando questionado sobre a chave do seu sucesso, Eliud Kipchoge – considerado o maior maratonista da atualidade – começa sua explicação apontando não para sua aptidão física, mas para seu resistência mental. “Se você não controla sua mente, sua mente vai controlar você”, diz ele. À primeira vista, Kipchoge, que tem um 1,67 de altura e pesa 57 quilos, pode não parecer um cara valentão e forte. Mas a quantidade de dor que ele suporta, a disciplina que ele traz para o treinamento e a consistência com que sua mente diz “sim” quando seu corpo está gritando “não” fazem dele uma das pessoas com mais resistência mental do planeta.

Ao contrário da imagem externa de falsa valentia e força – como o cara que briga com as pessoas, o comentarista anônimo que xinga nas redes sociais, o chefe que mascara sua própria insegurança gritando com seus subordinados, Kipchoge mostra o poder na mente diante das adversidades. Compreender e desenvolver a resistência mental pode ser a diferença entre ser bom e ótimo no esporte, no trabalho e na vida. Aqui está como começar.

Entenda o que realmente significa ter resistência mental

Ao longo do ano passado, tenho discutido continuamente sobre a definição de resistência com pessoas interessadas no desempenho máximo, incluindo terapeutas, professores, empresários e atletas profissionais. Meus colaboradores e eu chegamos a uma conclusão: resistência é experimentar algo que é subjetivamente angustiante, e depois nos inclinar, prestar atenção e criar espaço para executar uma ação ponderada que se alinha com seus valores essenciais.

Mais tarde, aprendi que essa definição é semelhante ao que os pesquisadores chamam de flexibilidade psicológica ou a capacidade de tomar uma decisão consciente, com base nos valores escolhidos, de persistir ou mudar de rumo em meio a uma situação desafiadora. Outra maneira de pensar sobre isso é aprender a responder ao sofrimento pensativamente, em vez de reagir imediatamente. Estudos mostram que a flexibilidade psicológica é essencial para o desempenho e a saúde mental.

Conheça seus valores essenciais

Pense de três a cinco coisas que mais importam para você. Sejam esses os princípios orientadores da sua vida ou os aspectos da pessoa que você deseja se tornar. Os exemplos incluem coisas concretas, como boa saúde e bons relacionamentos, além de qualidades mais abstratas, como criatividade, presença, otimismo e autenticidade. Quaisquer que sejam as palavras que você apresentar, escreva uma ou duas frases em cada uma, descrevendo o que elas significam para você. Esses são os valores dos quais você deseja atuar quando as coisas ficam difíceis. Em seu livro A New Republic of the Heart, o filósofo Terry Patten incentiva os leitores a praticar isso na vida. Ao contrário de viver a ‘vida no piloto automático’, passando de uma coisa conveniente para outra, a prática, escreve Patten, “é acordar repetidamente e optar por aparecer alinhado com a mais alta inteligência”, ou o que é mais importante.

Abrace a dor, mas não reaja a ela

Dor é apenas dor. É somente quando você luta contra ela, em vez de apenas experimentá-la, que a dor se transforma em sofrimento. Uma maneira de aprender a sentir a dor de maneira neutra é através da meditação. Nas palavras de Jon Kabat Zinn, professor de meditação e professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts, a meditação ensina a “acalentar [a dor] em sua consciência”, o que, por sua vez, diminui seu efeito. Estudos mostram que indivíduos que meditam regularmente sentem a mesma quantidade de dor que aqueles que não, mas respondem de maneira muito diferente. Em vez de reagir à dor com uma resposta massiva ao estresse, eles aceitam a dor, sentam-se com ela e depois seguem em frente.

Uma maneira de criar espaço e permanecer presente em meio à dor é ter o que Steve Magness, um treinador profissional (e meu colaborador e amigo íntimo) chama de “conversa calma”. No centro dessa conversa calma, você está reconhecendo a dor e, em seguida, separando-a de um senso mais amplo de si. Magness diz que a conversa, que deve ser implementada quando os treinos ou corridas começarem a ficar realmente difíceis, é algo como: “Isso está começando a doer agora. Deveria. Eu estou correndo muito. Mas eu estou separado desta dor. Vai ficar tudo bem.”

Semelhante à meditação regular, a ‘conversa calma’ de Magness leva os atletas ao hábito de criar espaço entre a sensação física da dor e sua reação a ela. “Se você luta contra a dor ou se apavora desde o início, é quando você realmente sofre e tende a desmoronar”, diz ele. “Mas se você aprender a observar sua dor de maneira um tanto indiferente, aumentará suas chances de lidar com ela de forma construtiva.”

Desenvolva um mantra

Você também pode abrir espaço durante circunstâncias angustiantes desenvolvendo um mantra, uma frase curta e significativa que repete para si mesmo. Um estudo de 2015 publicado na revista Brain Behavior descobriu que repetir um mantra ocupa o cérebro o suficiente para que ele não seja pego pela dor, pessimismo e catastrofização. Os pesquisadores do estudo escrevem que isso explica uma centralização significativa e um “efeito calmante”.

Muitos atletas de elite usam mantras. O escalador e alpinistas Jimmy Chin repete: “Comprometa-se e faça”. A triatleta olímpica e profissional Sarah True se lembra: “Isso também vai passar”. Não espere estar no meio de uma experiência intensa para usar um mantra. É bom praticar primeiro em situações de menor risco.

Lembre-se: esforço mais descanso é igual crescimento

Não se afaste dos desafios. Se você quer melhorar em alguma coisa, precisa se esforçar. Apenas certifique-se de seguir esses desafios com períodos de descanso e recuperação. Seja no esporte ou na vida, muito esforço sem descanso suficiente leva a lesões, doenças e esgotamento. A equação que você precisa lembrar é: Esforço + Descanso = Crescimento.