Áreas de preservação nem sempre beneficiam a vida selvagem, aponta estudo

Áreas de preservação
Cientistas usaram dados sobre aves migratórias de 1.506 áreas úmidas protegidas em todo o mundo. Foto: Shutterstock.

Parques nacionais e outras áreas protegidas não são garantias de sucesso na conservação da vida selvagem, de acordo com o maior estudo global já feito sobre esses efeitos.

Usando dados sobre aves aquáticas de 1.506 áreas úmidas protegidas em todo o mundo, os cientistas analisaram o comportamento de mais de 27 mil populações e descobriram que o aumento da provisão não necessariamente ajudou as aves.

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Pesquisadores disseram que o estudo, publicado nesta quarta-feira (20) pela Revista Nature, possui implicações importantes para o crescente movimento global de proteger 30% da Terra para a vida selvagem até o final desta década.

Apesar disso, os resultados mostram que o manejo de parques para proteger as espécies e seus habitats naturais é crucial, e que sem esse manejo os parques são mais propensos a se tornarem ineficazes.

“Sabemos que as áreas protegidas podem evitar a perda de habitat, especialmente em termos de parar o desmatamento”, afirma Hannah Wauchope, do Centro de Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, na Inglaterra, e principal autora do estudo.

“No entanto, temos muito menos compreensão de como as áreas protegidas ajudam a vida selvagem. Nosso estudo mostra que, embora muitas áreas protegidas estejam funcionando bem, muitas outras não estão conseguindo ter um efeito positivo. Precisamos de mais foco para garantir que as áreas sejam bem gerenciadas para beneficiar a biodiversidade”, destaca a pesquisadora.

Atualmente, governos de todo o mundo negociam para proteger a biodiversidade, com dezenas de países assinando uma meta de proteger 30% da terra e do mar até 2030. Embora este estudo tenha analisado apenas as aves aquáticas, os cientistas disseram que sua abundância, capacidade de colonizar e deixar os locais rapidamente são um bom comparativo em relação a outros animais selvagens.

Os cientistas compararam as tendências populacionais de aves aquáticas antes do estabelecimento das áreas protegidas com as tendências posteriores em 68 países e também analisaram as tendências de populações semelhantes de aves aquáticas dentro e fora das áreas protegidas. Muitos dos dados foram coletados por voluntários.

“Não estamos dizendo que as áreas protegidas não funcionam”, ressalta Wauchope. “O ponto-chave é que seus impactos variam enormemente, e a maior coisa que depende disso é se eles são manejados com as espécies em mente – não podemos esperar que as áreas protegidas funcionem sem o manejo adequado”, explica.

Coautora do estudo, Julia Jones, que é professora da Universidade de Bangor, também no Reino Unido, acrescenta: “Há grandes esforços apoiados por nomes como Emmanuel Macron, Boris Johnson e outros para expandir as áreas protegidas para cobrir 30% do planeta até 2030. Mas é realmente importante saber se essas áreas protegidas realmente entregam ou não”.

“Há muito poucos estudos que analisam se as áreas protegidas efetivamente retardam o declínio das espécies ou aumentam as populações. “Esta análise fornece indicações realmente úteis de como a conservação pode ser melhorada para fornecer melhores resultados para as espécies”.

Thomas Brooks, cientista-chefe da União Internacional para a Conservação da Natureza, que não esteve envolvido com a pesquisa, diz que as aves aquáticas são um bom exemplo de um grupo que enfrenta as consequências dos comportamentos humanos que levam à perda de biodiversidade.

“As aves aquáticas são amplamente distribuídas. Eles se movem o tempo todo, são altamente migratórias, se reproduzem em altas latitudes, na tundra do Ártico, nas zonas úmidas, por todo o resto do mundo. Elas enfrentam muitas pressões em diferentes estágios de seus ciclos de vida, incluindo os impactos da colheita insustentável e das mudanças climáticas”, disse ao concordar que o estudo tem implicações importantes para a gestão da conservação das áreas de preservação.

Fonte: The Guardian

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