Glamping: luxo e conforto sob as estrelas

Uma hospedagem do tipo “glamping” pode oferecer boa infraestrutura de acomodação e serviço, sem perder a proximidade com a natureza

Uma hospedagem do tipo “glamping” oferece boa infraestrutura de acomodação e serviço, sem que você perca o contato e a proximidade com a natureza

Por Verônica Mambrini

Num “Glamping”, as estrelas estão exatamente onde deveriam: no céu, e não na classificação da hospedagem. Isso, no entanto, não quer dizer que falte conforto, pelo contrário. O termo é uma contração das palavras inglesas glamorous (encantador) e camping (acampamento), e é usado para definir um tipo de hospedagem que oferece os mimos de um hotel de luxo, como cama box, lençol de algodão, refeições gourmet e banheiro privativo com água quente – em estruturas montadas montadas no meio de cenários inóspitos, como os desertos do Atacama e do Jalapão, ou os campos de gelo da Antártida e da Patagônia.

A tendência surgiu nos anos 1990, em festivais norte-americanos de música como o Coachella, na Califórnia, e o FloydFest, na Virgínia, geralmente realizados em lugares afastados, ao pé de uma montanha ou no meio de um deserto. Um acampamento mais bem estruturado, então, passou a ser uma opção para quem queria curtir o festival sem precisar montar a barraca no meio da bagunça. Hoje, já há diversas empresas especializadas em oferecer uma “estrutura glamping” nesse tipo de evento, como a Tangerine Fields (tangerinefields.co.uk), que cuida da estrutura de mais de 20 festivais no Reino Unido. Tendas enormes, decoração sofisticada e mobílias – como camas, mesas e cadeiras – remetem aos safáris que foram uma febre entre os ricos europeus e norte-americanos que buscavam aventuras exóticas no início do século 20. A diferença é que as releituras atuais, além de mais moderninhas, são democráticas, e muitas vezes ainda trazem um apelo sustentável.

Por não exigir do visitante que ele carregue peso ou que tenha grandes habilidades com fogareiros e barracas, o glamping acaba atraindo um público aventureiro bem diversificado. Afinal, fica fácil encarar um bivaque de cima de uma cama macia, apenas puxando o sobreteto retrátil da tenda e com uma taça de vinho na mão – um verdadeiro hotel de um milhão de estrelas.

Segundo o Ministério do Turismo, entre 2008 e 2010 o setor de ecoturismo e turismo de aventura teve um crescimento de 161%. Turistas que desembolsavam aproximadamente R$ 112 por dia passaram a gastar R$ 293, uma esperança para que o glamping finalmente se torne um estilo de viagem mais difundido no Brasil. Atualmente, a Europa é o continente que concentra a maior parte desse tipo de hospedagem, seguida pelas Américas, sobretudo Estados Unidos e Patagônia. Por aqui, apesar do enorme potencial natural, ainda são poucas as opções. Veja a seguir o mapa dos principais glampings do mundo.

Antártica

Por que ir: O pacote da White Desert levou as viagens tipo safári para o gelo, com pacotes totalmente customizados para cada cliente. É possível fazer piqueniques polares, observar pinguins ou então ir atrás de programas mais extremos, como escaladas técnicas (o valor das atividades varia). Embora não haja propriamente “noite”, por causa das 24 horas diárias de luz do verão polar, o jantar conta com vinho e pratos suculentos, como carnes na brasa e frutos do mar. Se a ideia for apenas relaxar no continente gelado, não tem problema: os domos construídos em fibra de vidro têm banheiro privativo e possuem bom isolamento térmico e acústico. Tudo para que o vento polar não atrapalhe sua soneca da tarde.

Melhor época: Novembro e dezembro

Quanto: A partir de 35 mil dólares 

Cambará do Sul (RS), Brasil

Por que ir: O Parador Casa da Montanha fica cravado entre Aparados da Serra e Campos de Cima da Serra, no norte do Rio Grande do Sul. Por ali, é possível alternar trekkings pelas grandes cadeias de cânions como Itaimbezinho, Fortaleza e Malacara, com manhãs preguiçosas em uma das 12 barracas inspiradas em lodges africanos, mas com o bem-vindo isolamento térmico que as serras da região pedem. A barraca-luxo oferece banheiro privativo, decoração rústica e camas box. A barraca-suíte tem o mimo extra de sacada equipada com banheira de hidromassagem. Outros pequenos luxos à disposição são café da manhã na cama e gastronomia local com direito a carta de vinhos.

Melhor época: Entre maio e outubro, estação seca

Iporanga, São Paulo

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Mangarito é o primeiro glamping do Brasil. Localizado no Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira, em Iporanga -SP, a hospedagem oferece cabanas confortáveis e charmosas com um verde exuberante ao redor. Passeios, como trilha pelas cavernas e observação de aves, estão incluídos no preço da diária, que custa R$ 300, para casal, com café da manhã.

Melhor época: Entre abril e novembro, devido à estabilidade do clima

Rift Valley Province, Quênia

Por que ir: Próximo à reserva Masai Mara, uma das savanas mais ricas e diversificadas do mundo, o &Beyond Bateleur Camp é fiel ao clima vintage dos safáris africanos que inspiraram o glamping. Para compor esse cenário, as tendas são decoradas com peças de antiquário, tapetes de luxo, cristais e artigos de prata. Depois de cada safári de observação da fauna do parque, você pode relaxar se jogando numa das redes espalhadas pelo acampamento ou dando um pulo na piscina.

Melhor época: Entre julho e outubro (período de migração das zebras)

Quanto: US$ 3.230 por pessoa (quatro dias e três noites)

Vai nessa: andbeyondafrica.com ou maktour.com.br

Jalapão (TO), Brasil

Por que ir: Só para chegar ao acampamento montado às margens do rio Novo, é preciso percorrer cerca de 300 quilômetros por estradas de terra a partir de Palmas, cortando toda a Serra Geral tocantinense. Com um pouco de sorte, é possível avistar animais raros, como o lobo-guará e a arara azul, durante o safári fotográfico. A região é recortada por uma malha de cursos de água doce, e oferece trilhas para nascentes e cachoeiras, além da possibilidade de um rafting no rio Novo. O Jalapão ainda é uma região bastante inexplorada, e descobri-la fica melhor ainda com banho quente em banheiro privativo em uma das 12 tendas instaladas sob cajueiros e mangabeiras.

Melhor época: Entre abril e outubro chove menos, mas é possível ir no ano inteiro

Quanto: A partir de R$ 2.080 (sete dias e seis noites)

Vai nessa: korubo.com.br

Valais, Suíça

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Por que ir: O Whitepod fica nos Alpes suíços, mais especificamente no cantão do Valais, aos pés da cordilheira Dents du Midi. Montados a cerca de 1.400 metros de altitude, bem longe do burburinho da cidade, os domos geodésicos dão a real sensação do que é acampar numa montanha nevada, com a “pequena” diferença do luxo e conforto: são 15 iglus bem decorados e climatizados. Os deslocamentos entre eles são feitos a pé, calçando raquetes de neve, e por isso o silêncio nesse acampamento é mágico. Esteja preparado para ocasionais visitas de animais alpinos, como lebres, marmotas e raposas. Guiar cães em trenó e sessões de esqui e trekking no gelo estão entre as atividades alpinas disponíveis no White Pod.

Melhor época: Entre dezembro e abril

Montana, Estados Unidos

Por que ir: A proposta do Paws Up é conjugar o máximo de luxo e conforto com um amplo menu de programação outdoor. O rancho fica no meio do vale do rio Blackfoot, uma área que oferece centenas de quilômetros de trilhas para serem exploradas a pé, a cavalo ou de bicicleta. Também é possível pescar e remar no rio Blackfoot, além de fazer passeios de balão ou curtir uma programação especial para as crianças. Cada tenda dispõe de um mordomo, responsável por atender as necessidades dos hóspedes, como acender o fogo, servir o jantar ou planejar as atividades do dia.

Melhor época: Entre maio e setembro

Patagônia, Chile

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Por que ir: Conhecer a Patagônia sem precisar lutar contra o forte vento para armar a barraca já é quase motivo suficiente para você se hospedar no EcoCamp. Acrescente a isso a proximidade com o Parque Nacional Torres del Paine e uma bela vista para seus imponentes maciços de granito. Em noites abertas, as barracas em formato de domos geodésicos permitem que você veja as estrelas. Fora da luxuosa tenda, as possibilidades de trilhas vão desde as leves, de um dia, até o circuito Torres del Paine, que tem 115 quilômetros de extensão e contorna todo o parque. Gastronomia sofisticada com foco em pratos típicos (patagônicos e chilenos) e ampla carta de vinhos são uma forte aposta do EcoCamp.

Melhor época: Entre dezembro e fevereiro

Quanto: A partir de U$ 1.342 por pessoa.

Vai nessa: ecocamp.travel ou pisa.tur.br