Nós te ajudamos a escolher as trilhas mais belas do país para você percorrer

Por Bruno Romano e Verônica Mambrini

“São os passos que fazem os caminhos.” É bem provável que o escritor Mario Quintana tenha bolado essa frase rodeado de ar puro. Mas, talvez, ela tenha surgido no meio do agito e do barulho. De um jeito ou de outro, momentos de reflexão como esse são respiros essenciais nas nossas vidas – e a natureza permite uma conexão mais profunda ao abrir infinitas possibilidades.

Calma, não viramos uma revista de autoajuda. Só nos inspiramos um pouco na poesia de Quintana e a misturamos ao nosso elevado espírito outsider para escolher a lista de trilhas incríveis a seguir. Da nossa Serra do Mar, passando por um dos mais novos parques nacionais Brasil, cada uma delas é um convite para uma longa imersão. Agora, o primeiro passo é com você.

Travessia Alto Palácio – Serra dos Alves

Foto: Rafael Sanches

SERRA DO CIPÓ, MINAS GERAIS
DISTÂNCIA: 40 KM
DURAÇÃO: 3 DIAS
VAI LÁ: ICMBio | Eco Booking 

EM CADA TEMPO DA HISTÓRIA a região da Serra do Cipó (MG) recebeu um tipo de visitante. Há milhares de anos, os ocupantes ancestrais das Américas passaram por ali, deixando registros nas pedras dos campos rupestres. Em períodos mais recentes, foi caminho de tropeiros, deixando como vestígios os abrigos hoje incorporados na travessia dos caminhantes de mochila nas costas. Inaugurada em outubro de 2015, a travessia de Alto Palácio à Serra dos Alves é o primeiro roteiro aberto dentro do projeto piloto das travessias do Parque Nacional da Serra do Cipó.

O roteiro de três dias que corta o parque transversalmente pode ser encarado de maneira autônoma. Para isso, é preciso fazer o agendamento online com duas semanas de antecedência e assinar um termo de responsabilidade. O visitante irá receber o tracklog para navegação por GPS – ferramenta fundamental, uma vez que a travessia não está sinalizada e alguns trechos podem ser de orientação confusa ou, ao menos, mais difícil quando baixa a neblina.

O primeiro pernoite é na Casa de Tábuas, uma antiga construção em madeira que servia de rancho aos moradores da região que precisavam cruzar os caminhos do alto da serra. Em 2008, ela foi desmontada do local original e refeita mais perto de um ponto d’água – que serve também de apoio para a brigada de incêndio e os pesquisadores. Apesar dos quatro catres no seu interior, o parque recomenda que sejam usadas barracas ao redor dos abrigos, assim como fogareiros de acampamento no lugar dos fogões a lenha, mantidos para preservar a história e a cultura do local. O segundo abrigo, a Casa dos Currais, está geograficamente em Itabira, cidade do poeta Carlos Drummond de Andrade. Nos Currais, o visitante vai encontrar bica e chuveiro (gelado!).

Foto: Rafael Sanches

Destaque para o visual do Vale do Rio do Peixe a partir do chamado Travessão, uma formação rochosa a 1.052 metros de altitude que permite a passagem por uma garganta, com uma cachoeira de 25 metros e forte inclinação de um lado. Do outro, um paredão. Ponto de passagem antigo, eis um divisor de águas das bacias hidrográficas dos rios São Francisco, a oeste, e Doce, a leste, muito utilizado por tropeiros, que abasteciam a região da Estrada Real.

O trecho seguinte é a paisagem mais marcante da travessia: os campos rupestres, que correspondem a 84% do território do parque – a mata atlântica equivale a 8%, mesmo volume coberto pelo cerrado. Os afloramentos rochosos de quartzito emergem da terra como garras apontadas na direção oeste, e paredes mais altas e inclinadas mantêm até hoje pinturas rupestres, que deixam a passagem ainda mais espetacular. A trilha segue margeando o cânion Boca da Serra, antes de chegar até a porção fi nal, com predomínio de mata atlântica.

Apesar de a região já ter sido castigada por anos de pecuária intensiva, o parque tem feito esforços para que os ecossistemas originais encontrem condições de se recuperarem, como os trechos das encostas da vertente leste do Parque Nacional da Serra do Cipó e da Área de Proteção Ambiental (APA) Morro da Pedreira. Ambas são fundamentais para a conservação de milhares de espécies de fauna e flora da região, além da manutenção da qualidade das nascentes do rio Tanque, a principal fonte de abastecimento de água para a comunidade da Serra dos Alves, destino final.

Pouco antes do fim da pernada, logo depois de uma descida exigente para os joelhos, a cachoeira dos Cristais praticamente pede um mergulho para relaxar os músculos. A travessia termina mesmo na Serra dos Alves, povoado itabirano fundado por volta de 1850, durante o Ciclo do Ouro. Por ali a lenha, os tesouros de hoje estão escondidos nas bocas dos fogões a lenha de comida mineira e nas hospedagens simples, com ar de lugar que parou no tempo. Não deixe de aproveitar.

Trilhas urbanas do Rio de Janeiro

Foto: Rafael Duarte

FLORESTA DA TIJUCA, RIO DE JANEIRO
DISTÂNCIA: 2,5 A 19 KM
DURAÇÃO: 3 A 5 DIAS
VAI LÁ: Parque da Tijuca| JUNGLEME.COM.BR | Rio Natural

A MISTURA FINA de mar azul, mata atlântica e montanhas entremeada com uma cidade culturalmente vibrante (apesar dos vários confl itos locais) faz do Rio de Janeiro um cenário singular para esportes outdoor: é possível trilhar centenas de quilômetros sem sair de dentro da cidade. Há dois anos, foi lançada a Transcarioca, caminho de 180 km que pode levar até duas semanas para ser cumprido nos seus 25 trechos. Contudo opções mais despretensiosas estão à mão para quem quer encaixar uma caminhada na próxima visita à Cidade Maravilhosa.

Entre elas está o Parque Nacional da Tijuca, a maior floresta urbana do mundo. O Circuito dos Picos possui 19 km de extensão e passa pelos dez principais picos do setor Floresta: Pico da Tijuca, Bico do Papagaio, Tijuca Mirim, Archer, Morro do Anhanguera, Excelsior, Pedra do Conde, Morro da Taquara, Castelos da Taquara e Cocanha. Essa caminhada pode ser quebrada em dois ou três dias, graças ao acesso fácil à cidade. Outra trilha imperdível a ser feita em um dia é a Pedra da Gávea: com 884 metros de altitude e formação que lembra um rosto humano, é tecnicamente uma das mais desafiadoras do Rio e também atravessa a Floresta da Tijuca. A Carrasqueira é um paredão de 30 metros, repleto de lances de escalada com bastante exposição – por isso é recomendado buscar uma agência especializada para fazê-lo com ajuda de equipamentos de segurança nos trechos mais perigosos. São apenas cerca de 2,5 km até o alto, mas a subida é fisicamente exigente, levando em média três horas de caminhada intensa. A recompensa é o visual do topo do bloco de gnaisse e granito mais alto do mundo à beira-mar.

Outra opção gostosa é começar o dia com um café da manhã no Parque Lage, no Jardim Botânico (que também vale a visita!) e seguir rumo ao Corcovado, subindo pelas Paineiras, com cerca de 2,5 km. A primeira parte cruza um riacho com cascatas, mas o fim fica mais íngreme. O último trecho inclui um pedaço de estrada, compartilhado com carros. A trilha é bem sinalizada, e é preciso passar na guarita do Parque Lage para deixar um telefone de emergência e assinar o termo de responsabilidade. Para subir aos pés do Cristo Redentor, é necessário comprar ingresso – o que já garante a descida de bondinho.

Parque Nacional de Aparados da Serra

Foto: Fernando Tatagiba

SERRA GERAL, RIO GRANDE DO SUL E SANTA CATARINA
DISTÂNCIA: ATÉ 9 KM
DURAÇÃO: 3 A 9 HORAS
VAI LÁ: ICMBio | Coiote Adventure

PROTEGER A MATA atlântica em meio a tanta destruição é uma das missões ambientais mais urgentes no país. Em pontos como a Serra Geral, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, esse bioma ainda é preservado e se encontra com as fl orestas de araucária, formando um cenário único. Para não ter dúvidas do que estamos falando, basta ver as formações como a do cânion Itaimbezinho, paisagem mais icônica do pedaço, com paredões de até 900 metros de altura. Convite feito: contemple e preserve.

A alta temporada, que vai de junho a agosto, costuma ser mais seca e traz condições de tempo que facilitam a visibilidade. Em dias de céu aberto, é possível ver lá do alto toda a extensão das formações rochosas, até o litoral gaúcho e a planície catarinense. Percorrer as bordas do Itaimbezinho, nas duas clássicas trilhas abertas ao público, a Vértice e o Cotovelo, além do seu “vizinho”, o cânion Fortaleza, são as pedidas imperdíveis para quem acessa a região. Tudo isso em uma unidade de conservação integral, onde não é permitido, por exemplo, acampar, fazer fogo e levar animais.

Trekkings diários funcionam bem na exploração da Serra Geral, montando base em Cambará do Sul (RS), próxima a entrada do parque nacional. Mantenha sempre o radar ligado, pois a chance de entrada repentina de nuvens pode tornar uma magnífica caminhada em um verdadeiro pesadelo – apenas a trilha do Itaimbezinho conta com marcações.

Nessa chamada “parte de cima” do parque, ainda são permitidos trajetos de bike e cavalgadas. Outro tiro certeiro para quem tiver tempo e disposição é se embrenhar pelos cânions. Do Fortaleza há uma trilha incrível que alcança a cachoeira do Tigre Preto. Pelo traçado, passa-se por três quedas que atingem até 400 metros, com destino final na Pedra do Segredo. Há outras duas alternativas mais exigentes: a trilha do Rio do Boi (9 km ida e volta) e as piscinas de Malacara (4 km ida e volta), por dentro do cânion de mesmo nome. Ambas têm entrada por Praia Grande (SC).

Quem for encarar essa imersão pode aproveitar épocas mais amenas do ano, já que os passeios incluem travessias de rio e contato direto com as águas. No entanto é preciso redobrar a atenção com o clima. Uma boa dica é consultar o Twitter oficial do parque (@PNAS_PNSG), atualizado diariamente.

A região cresceu bastante na última década, com uma mescla interessante entre a modernidade e a cultura nativa, perfeita para aproveitar entre os trekkings. As opções de hospedagem vão de casas de moradores mais antigos a pousadas de luxo. A culinária reveza receitas gaúchas clássicas com novos pubs, e tradições como as das tecelãs são mantidas. Não esqueça que, ali, é famosa a produção de mel, acompanhada pelas geleias de plantações orgânicas locais de frutas como mirtilos e framboesas.

Parque Nacional da Serra do Gandarela

Foto: Robson de Oliveira

SUL DA CADEIA DO ESPINHAÇO, MINAS GERAIS
DISTÂNCIA: ATÉ 9 KM
DURAÇÃO: 1 A 10 HORAS
VAI LÁ: ICMBio

PISAR EM UM DOS PARQUES nacionais mais novos do Brasil merece uma mistura elevada de celebração com consciência. A menos de 50 km de B elo Horizonte, capital mineira, a Serra do Gandarela se tornou oficialmente um Parna em outubro de 2014, fruto de uma intensa luta de entidades locais para a preservação de um local raro: um dos últimos trechos em bom estado de cuidado no chamado Quadrilátero Ferrífero, ou seja, uma área preciosa em água e minério.

A delimitação de parque é apenas o começo e não garante, por si só, a conservação. Ainda mais uma zona tão perto de uma grande cidade, rodeada por outros dez municípios. É por isso que entidades em prol do Gandarela e o ICMBio têm focado agora nessa divulgação. Trata-se de uma área remanescente de mata atlântica ao sul do Espinhaço, unindo campos rupestres e a vegetação de canga (que funciona como recarga de aquíferos) sobre formações de quartzito, em transição com o cerrado.

Foto: Robson de Oliveira

Para trazer a teoria mais perto da prática, estamos falando de lagos em altitude, mirantes de tirar o fôlego e inúmeras cachoeiras e trilhas que cruzam o parque – várias delas são caminhos centenários da época do Brasil Colônia. Por trás desse palco, há uma taxa considerável de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Para desvendar os caminhos e as belezas do Ganderela existem diversas possibilidades, já que as populações do entorno estão instaladas nas suas beiradas e servem de acesso.

A entrada oficial do Parna (que atualmente não cobra ingresso) está em Rio Acima. Dali, a pedida é conhecer cachoeiras como a do Índio, com quedas que chegam a 200 metros, e do Viana, um clássico do pedaço. Outra esticada imperdível em dias abertos é o mirante da Serra do Gandarela. Para um trekking mais puxado, com cerca de 9 km, vá até Honorário Bicalho e complete a trilha da cachoeira das 27 Voltas, que termina em um poço propício para banho.

Curta cada pedaço do caminho, observe a presença de ruínas da época em que a Estrada Real cruzava a região e sempre se lembre de que está visitando uma das formações mais ameaçadas do país: o sistema de cangas, que acaba coincidindo com os interesses da mineração. Para dar esse passo importante para a preservação, foi preciso muita negociação com os empreendimentos desse setor. O status atual vem de uma longa jornada de um grupo de trabalho, criado lá atrás, em 2011, que começou a atuar no que se tornaria Parna – uma iniciativa embalada depois de o ICMBio receber, em 2009, um documento com o apoio de 25 entidades da região para ficar atento ao Gandarela.

Com esse novo horizonte pela frente, o desafio agora é aproveitar com equilíbrio um potencial gigantesco de atividades outdoor na área de parque, das mais clássicas, como o trekking, até visitas pedagógicas e científicas, observação da fauna e flora locais, além de vias de escalada, trechos de mountain bike e até visitação a cavernas. Um passo de cada vez.

Pico da Neblina

SERRA DO IMERI, AMAZÔNIA
DISTÂNCIA: TRAJETO FINAL AINDA NÃO DEFINIDO

O PICO MAIS ALTO do Brasil não pode receber visitantes. Isso diz muito sobre a nossa relação com a natureza e sobre as questões sociais e econômicas relacionadas a ela. Um projeto, contudo, pode reabri-lo até o começo de 2019. Seria um marco, tendo como símbolo, no extremo do território amazônico brasileiro, o Pico da Neblina (2.995 metros), ou simplesmente Yaripo, seu nome indígena.

A existência de uma demarcação de terra indígena sobreposta pela criação de um parque nacional em 1979 é só a ponta aparente da situação. Além de o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e dos yanomami, há outra dezena de etnias na região, atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Exército brasileiro, em terreno de fronteira com a Venezuela, além de atividades ilegais de garimpo de ouro. Resumindo, um vulcão pronto para entrar em erupção que, enfim, entrou.

Oficialmente, o Parque Nacional Pico da Neblina está fechado para visitação desde 2002, apesar de rolarem passeios guiados por agências turísticas com autorização informal dos yanomami. Sem controle e organização, a região ficou saturada e caótica, levando ao fechamento da trilha. Enquanto isso, em 2012, uma etapa promissora da história começava a ser escrita com a criação do conselho gestor do parque. Novos elementos entraram na jogada, como o Instituto Socioambiental (ISA), atuando na articulação da reabertura. Os esforços coletivos culminaram com o Plano de Visitação apresentado em 2017 e aprovado pelo ICMBio em maio de 2018 – falta apenas o aval da Funai.

No novo formato, a aposta é no turismo de base comunitária, envolvendo quase uma centena de yanomami no serviço. A gestão fi ca por conta da Associação Yanomami do Rio Cauaburis (Ayrca) em conjunto com a Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma (AMYK). “É uma possibilidade de construção de agenda positiva e de superação dos confl itos históricos”, acredita Luciana Uehara, gestora do Parque Nacional do Pico da Neblina.

Em meados de 2017, uma expedição de dez dias levou 32 pessoas (metade delas yanomami) ao cume como teste para a nova engrenagem. No fim do mesmo ano, zoólogos da Universidade de São Paulo – com o apoio do exército e guiada de indígenas – exploraram a região em uma atividade científi ca. O último passo agora será abrir as visitações controladas no programa chamado Ecoturismo Yaripo, sob comando de Ayrca e AMYK e aval dos órgãos federais. Se vingar, estamos falando da primeira iniciativa dessa escala em terras indígenas no país.

Chapada das Mesas

CAROLINA, MARANHÃO
DISTÂNCIA: 5,5 A 18 KM
DURAÇÃO: 3 A 7 DIAS
VAI LÁ: PISA.TUR.BR

POÇOS DE COR azul-turquesa com água morna o ano todo, cachoeiras, trilhas deliciosas entre torres de arenito avermelhado e uma biodiversidade única fazem da Chapada das Mesas um lugar especial. Bem na divisa entre o Maranhão e o Tocantins, o acesso relativamente remoto garante sossego e tranquilidade. A cidade base para os atrativos é Carolina, uma vez que não é permitido pernoitar no parque.

Apesar de ser possível fazer praticamente todas as trilhas de forma autossuficiente ou contratando localmente serviços como transporte, pode ser interessante buscar um pacote prévio com agências, já que as estradas da região em muitos trechos exigem um veículo 4 x 4, principalmente as com areia fofa. A possibilidade de escolher a dificuldade e duração das trilhas, a infraestrutura em muitos dos passeios e os pernoites em hospedagem tornam a viagem perfeita para caminhadas em família.

Encravada entre as cidades de Carolina, Riachão, Estreito e Imperatriz, a Chapada das Mesas em si oferece mais de 160 hectares a serem desbravados. Um bom aperitivo são os 500 metros necessários para curtir o visual panorâmico do Portal da Chapada, em uma caminhada de 15 minutos irresistível até para quem não está acostumado com trilhas. A recompensa é uma abertura natural em um paredão de arenito que lembra a forma do Estado do Tocantins e descortina o cerrado com as mesas e o Morro do Chapéu em destaque.

Há também circuitos mais longos, como o trekking no mirante da Chapada das Mesas, de 18 km, com 735 metros de altimetria acumulada, reunindo lindos visuais para as formações geográficas de arenito de cerca de 70 milhões de anos e 400 metros de altura. As cachoeiras São Romão e da Prata podem ser emendadas em um passeio de um dia inteiro. Ambas estão dentro do limite do parque. São Romão é uma queda d’água de 25 metros do rio Farinha, afluente do rio Tocantins. Já a cachoeira da Prata é um lugar de contemplação, com um visual impressionante – se você der sorte, vai pegar revoadas de andorinhas.

Separe um dia para o Encanto Azul e o Poço Azul, repleto de cachoeiras menores nas proximidades. O primeiro é uma nascente de rochas calcárias de águas azuladas de seis metros de profundidade, de temperatura morna, na direção de Riachão. Leve snorkel: é possível ver peixinhos nas águas cristalinas. Dali vale emendar com o Poço Azul, uma piscina natural deslumbrante, junto da cachoeira de Santa Bárbara, salto de 70 metros de altura e poço para banho, cujo acesso é por trilhas bem sinalizadas e passarelas de madeira, fáceis de se guiar sozinho.

Essa trilha passa por várias cachoeiras menores e saltos, como Seu Zito, cachoeira do Moreno, Santa Paula e, finalmente, a Santa Bárbara, em um cânion cuja formação esconde também uma gruta acessível por passarelas. Outras trilhas se entrelaçam na região para demais atrativos, como a Pedra do Cálice, Pedra da Mesa e cachoeira dos Namorados.

O santuário da Pedra Caída, apesar de ficar fora do Parque da Chapada das Mesas, compartilha a mesma riqueza natural da região. Por ser em propriedade particular, a entrada é um pouco mais salgada que a do parque (R$ 60), mas oferece bastante infraestrutura, de restaurante a vestiários. Há diversas opções de passeios com guia, como a cachoeira da Caverna – 12 metros de queda dentro de uma gruta e acesso por caminhada com água na cintura – e a cachoeira do Capelão, com um poço fundo que permite saltos. Há também a trilha da cachoeira Santuário, que mescla passarelas com chão batido.

Os melhores meses para visitar a região são de abril a setembro, com céu azul intenso e menos probabilidade de chuva, o que garante poços com água mais transparente. Entre os principais atrativos, está também o trekking do Morro do Chapéu, com saídas partindo de Carolina até o pé da trilha: são cerca de 500 metros, com 378 de desnível. Íngreme, garante o visual incrível do “cerradão”, transição entre os biomas do cerrado e da floresta tropical.

Circuito Tucum, Ciririca e Agudo da Cotia

SERRA DO MAR, PARANÁ
DISTÂNCIA: 20 KM
DURAÇÃO: 4 DIAS
VAI LÁ: Gente de Montanha 

PARA CONHECER a Serra do Mar paranaense sem muvuca, uma alternativa é fugir dos pontos mais turísticos e frequentados, como o Pico do Paraná. O Tucum e o vizinho Camapuan são locais que não recebem tantos visitantes, o que torna a trilha mais agradável e com menos chances de surpresas chatas no fim do dia, como falta de lugar para montar a barraca.

O acesso e o fim são às margens da BR-116, pela Fazenda da Bolinha, batizada com o nome de uma cadelinha que sempre subia com os montanhistas. Até o Tucum são 4 km que podem ser feitos sem estresse, com bastante calma, passando pelo Vale do Rio Bonito, de águas cristalinas e com diversas corredeiras. O cenário se completa entre árvores centenárias de uma mata atlântica bastante densa.

Conforme a travessia avança, a vegetação muda para campos abertos e a trilha se torna mais íngreme. O acampamento é no Tucum, com o sol nascendo por detrás do Pico Paraná. O caminho segue até o Ciririca, a montanha com trilha mais distante da Serra do Mar paranaense e bem menos frequentada. Do Ciririca, vale fazer o ataque ao Agudo da Cotia, voltando ao Ciririca e descendo de volta à fazenda da Bolinha.