Um guia para você se divertir nos parques nacionais brasileiros

Por Alexandre Versiani

parques nacionais
Que tal um mergulho nas belas cachoeiras da Chapada dos Veadeiros? Foto: Shutterstock.

No Dia Mundial do Meio Ambiente em 2023, os paraibanos ganharam oficialmente o seu primeiro Parque Nacional: o PARNA da Serra do Teixeira, um tesouro natural da Caatinga que costuma ser frequentado pelos praticantes do voo livre no estado.

Com uma área de 61.095 hectares, a Serra do Teixeira tornou-se o 75° Parque Nacional do Brasil, um dos países com o maior número de atrativos naturais do mundo, ficando apenas atrás de Austrália e México, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.

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Um levantamento recente feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) reforçou a importância que estes ecossistemas possuem para impulsionar o turismo no País.

O ano de 2023 marcou um pico de visitação dos parques nacionais brasileiros, com um registro histórico de 11,8 milhões de pessoas, 15% a mais que o total de 2022. Na categoria Parque Nacional, o líder do ranking foi o da Tijuca, um oásis dentro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), com mais de 4,4 milhões de visitas.

parques nacionais
Letícia Alves e Dennis Hyde estão percorrendo todos os PARNAs brasileiros a bordo do projeto EntreParques. Foto: @entreparquesbr.

De Norte a Sul, os Parques Nacionais brasileiros se caracterizam pela diversidade de biomas e desempenham um papel fundamental na proteção dos nossos ecossistemas, ao mesmo tempo em que oferecem inúmeras possibilidades de aventura para os amantes da vida outdoor.

Com a ajuda do casal Dennis Hyde, 44, e Letícia Alves, 39, que está percorrendo todos os PARNAs brasileiros a bordo do projeto EntreParques, selecionamos alguns deles para inspirar a sua próxima jornada.

Aquatrekking

Parque Nacional Aparados da Serra – RS | SC

Divisa natural entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o Parque Nacional de Aparados da Serra é conhecido por dois grandes atrativos: a vista do cânion Itaimbezinho e a trilha do Rio do Boi, uma das mais impressionantes de toda a região Sul do Brasil. São cerca de 7 km de extensão (14 km ida e volta) cruzando matas, riachos sob um visual alucinante dos penhascos gigantescos da Serra Geral.

Melhor época: No outono e no inverno há menos chance de ocorrer a viração, fenômeno que tampa a vista dos cânions.

Dica EntreParques: Todos os dias o perfil oficial do parque no Instagram (@pnas_pnsg) indica o nível do rio, as chances de chuva e se a trilha está aberta.

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – GO

Criado em 1961, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros protege uma rica área de cerrado de altitude. A Trilha dos Saltos é uma das atrações locais para quem gosta de molhar a bota no trekking. São aproximadamente 10 km, ida e volta, em uma caminhada que inclui o Salto de 120 metros e o Salto de 80 metros, duas belas cachoeiras. O percurso começa na entrada do Parque e exige um pouco de preparo físico.

Melhor época: O parque pode ser visitado o ano todo, evite feriados quando há maior concorrência em atrativos; em maio a vegetação ainda está verde e florida, não chove e há poucos visitantes; entre junho e julho, de acordo com o regime de chuvas do ano, é aberta a Travessia das Sete Quedas.

Dica EntreParques: A Chapada dos Veadeiros vai muito além do Parque, com diversos atrativos também do lado de fora. Faríamos a Trilha dos Saltos no sentido contrário do sugerido, chegando ao Poço do Salto de 80 metros mais vazio e o de 120 metros no pôr do sol.

Bike

Passeio de Fat Bike é garantia de diversão e uma ótima forma de desbravar os Lençóis Maranhenses. Foto: @entreparquesbr.

Caminhos de Ibiapaba – PI | CE

A trilha Caminhos de Ibiapaba, que liga os Parques Nacionais das Sete Cidades (PI) e de Ubajara (CE), é uma rota de cicloturismo novinha em folha que liga esses dois estados em um cenário de Cerrado, Caatinga e resquícios de Mata Atlântica. São 130 km pedalando por dentro de áreas de proteção ambiental em um trajeto bem sinalizado, que faz parte da Rede Brasileira de Trilhas.

Melhor época: No inverno, época da chuvas (dezembro a abril), o clima é mais ameno e ocorrem cachoeiras intermitentes; entre maio e julho a vegetação fica avermelhada como no outono; entre agosto e novembro ocorre a época mais seca, quando a vegetação fica branca, de onde vem o nome caatinga (floresta branca).

Dica EntreParques: O bioma pode ser visitado o ano todo, no alto da serra de Ibiapaba faz muito frio à noite o ano todo, o céu da caatinga é especialmente belo na época seca.

Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses – MA

O paradisíaco PARNA dos Lençóis Maranhenses ocupa uma área de 1.565 km2, equivalente ao tamanho da cidade de São Paulo. É o maior deserto úmido do mundo, e uma das maneiras mais divertidas de explorá-lo é de fat bike, uma bicicleta de pneus robustos, feita especialmente para enfrentar terrenos arenosos. As bikes permitem acessar áreas remotas e menos exploradas do Parque, onde veículos motorizados não entram.

Melhor época: As lagoas ficam mais cheias entre junho e agosto, mas as travessias têm maior fluxo de turistas nessa mesma época.

Dica EntreParques: Na época mais seca, apesar de ainda haver muitas lagoas cheias, o fluxo de turistas é bem menor. Se não der para fazer a travessia, procure passar pelo menos uma noite na casa de nativos na área primitiva.

Parque Nacional Grande Sertão Veredas – MG

Localizado no coração do Cerrado, este Parque Nacional é uma singela homenagem a uma das mais importantes obras literárias brasileiras, o romance Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. Com o silêncio das bikes, é possível observar toda a rica fauna e flora do Cerrado mineiro, que inclui espécies como tamanduá-bandeira, lobo-guará e veado-campeiro. Os ciclistas podem escolher entre diferentes rotas e níveis de dificuldade, adequando o passeio às suas habilidades.

Melhor época: Evite a época entre setembro e novembro, quando ocorrem colheitas e o clima fica muito seco, com muita poeira.

Dica EntreParques: A maior parte dos visitantes visita o Parque todo de uma só vez. Recomendamos ir aos poucos e repetir visitas, pois há muita natureza para ser avistada.

Banho de floresta

Parque Nacional do Iguaçu. Foto: Shutterstock.

Parque Nacional do Pau Brasil – BA

A apenas 45 minutos de Porto Seguro, o Parque Nacional do Pau Brasil é uma das áreas de proteção da Mata Atlântica mais importantes do sul da Bahia. A região onde está inserido, denominada Costa do Descobrimento, foi também declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO devido ao seu histórico. Visitar o Parque é sempre garantia de ar puro, clima ameno, vistas deslumbrantes e harmonia com a natureza.

Melhor época: Nessa região pode chover o ano todo, mas o segundo semestre tende a ser um pouco mais seco..

Dica EntreParques: Este parque é muito sensorial, caminhar num “viveiro natural” de pau-brasil é uma experiência única. A cachoeira é pouco divulgada, mas muito bela. No centro de visitantes, faça o experimento de misturar a serragem de pau-brasil na água com amônia.

Parque Nacional do Iguaçu – PR

O fato de ser o segundo parque nacional brasileiro, criado em 1939, já explica a mata primária que ainda resiste no Parque Nacional do Iguaçu. Este PARNA protege um dos mais significativos remanescentes da Mata Atlântica na América do Sul, além de ser palco do espetáculo das Cataratas do Iguaçu e moradia de espécies importantes e ameaçadas da biodiversidade brasileira como jaguatiricas, tucanos, antas, macacos-prego e muitos outros.

Melhor época: Na primavera a temperatura é amena, há água, e ocorre a floração.

Dica EntreParques: Procure não ir somente às Cataratas, este parque oferece oportunidades únicas e bem estruturadas para passeios a pé, de barco ou bicicleta. Se for somente às Cataratas, procure ir pedalando para aproveitar a fauna e flora exuberantes.

Parque Nacional da Tijuca – RJ

O Parque Nacional da Tijuca é uma joia carioca que abriga uma rica biodiversidade com muitas atrações turísticas. É considerado um dos maiores parques urbanos do mundo, cobrindo uma área de aproximadamente 3.300 hectares. As trilhas bem sinalizadas proporcionam caminhadas revigorantes em meio ao estresse da metrópole, passando por cachoeiras e mirantes impressionantes. Também é ponto de encontro de escaladores e praticantes de voo livre no estado.

Melhor época: O parque pode ser visitado o ano todo. Por estar dentro da cidade do Rio de Janeiro o acesso é excelente e permite uma grande variedade de atrativos.

Dica EntreParques: O parque é fruto de um reflorestamento dos anos 1860, quando o Rio de Janeiro vinha sofrendo uma série crise hídrica. No Corcovado, não deixe de visitar o Centro de Visitantes Paineiras para entender o valor além do Cristo Redentor. Há opções para todos os gostos: cachoeiras, picos, escaladas, passeios, vistas da cidade.

Montanhismo e Escalada

No alto do Parque Nacional do Itatiaia, paraíso do montanhismo, mas que oferece muitos atrativos além desse esporte. Foto: @entreparquesbr.

Parque Nacional da Serra dos Órgãos – RJ

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos possui a maior rede de trilhas do Brasil, incluindo a famosa (e desafiadora) Travessia Petrópolis-Teresópolis. É um playground a céu aberto para montanhistas e escaladores, com destaques para o Dedo de Deus, considerado o marco inicial da escalada no País, e a Agulha do Diabo, uma das escaladas em rocha mais cênicas do mundo.

Melhor época: A temporada de montanha inicia-se em maio, com o fim das chuvas, quando as trilhas ficam mais secas e o céu limpo.

Dica EntreParques: Difícil conhecer a Parque todo, mas vale a pena alternar entre o alto das montanhas e os poços para banho; na Travessia Petrópolis-Teresópolis, procure “esticar” para os Portais de Hércules e Mirante do Inferno.

Parque Nacional do Itatiaia – RJ

O Parque Nacional do Itatiaia abriga uma grande variedade de vias em picos acima dos 2.000 metros, como o maciço das Agulhas Negras. Foi o primeiro Parque Nacional brasileiro, fundado em 1937. Além da escalada, o PARNA oferece muitas outras atividades outdoor, como trekking, montanhismo, caminhadas e observação de aves.

Melhor época: Outono/Inverno para parte alta (mais seco); Primavera/Verão para parte baixa (mais quente para cachoeiras).

Dica EntreParques: Para os cumes do Agulhas e Prateleiras, procure um condutor credenciado com equipamentos. Itatiaia são dois parques em um, vale a pena conhecer ambos os núcleos.

Parque Nacional da Chapada Diamantina – BA

Um dos mais belos cenários do Brasil, a Chapada Diamantina oferece muita aventura para os escaladores, com cânions, grutas, paredões e montanhas imponentes. Existem diversos setores de escalada espalhados pela Chapada, cada um com suas características únicas. Um dos locais mais conhecidos é o Vale do Pati, um cânion com vista fascinante. Além disso, a região também possui várias cavernas que podem ser exploradas por escaladores mais experientes.

Melhor época: Evite a época entre setembro e novembro, quando há maior risco de incêndios.

Dica EntreParques: Tem muita coisa para ver e fazer, para todos os gostos, bolsos e preparos físicos; conheça os riscos, mesmo se estiver com um guia. A trilha da cachoeira da Fumacinha por cima é uma das joias do Parque.

Esportes aquáticos

Aquela remada boa em Jericoacoara, um local que reservao seu melhor para quem gosta de aproveitar as águas. Foto: @entreparquesbr.

Parque Nacional da Ilha Grande – PR

O Parque Nacional da Ilha Grande fica no Paraná e não tem nada a ver com a famosa ilha do litoral fluminense. Ele é cercado pelo Rio Paraná, o oitavo maior do mundo em extensão e o segundo maior da América do Sul. A melhor forma de conhecer o “Paranazão” é navegar por ele. Prepare seu caiaque e procure pela Rota dos Pioneiros, a maior trilha aquática do Brasil, com 390 km de extensão e que também integra a Rede Brasileira de Trilhas.

Melhor época: o parque pode ser visitado o ano todo, mas convém evitar o período de queimadas (julho a setembro).

Dica EntreParques: A história do extinto Parque Nacional das Sete Quedas é presente e importante. Vale visitar o museu de Guaíra para entender o contexto.

Parque Nacional de Jericoacoara – CE

Tesouro do litoral brasileiro, o Parque Nacional de Jericoacoara possui atrações para todos os gostos, mas reserva o seu melhor para quem sabe aproveitar bem as águas cristalinas do Ceará. Ventos constantes tornam “Jeri” um destino ideal para esportes como kite e windsurf. Quando o vento dá uma trégua, também rola umas ondas para o longboard ou aquele mar tranquilo para uma boa remada de stand up paddle.

Melhor época: O segundo semestre é mais indicado para esportes de vento.

Dica EntreParques: Não perca um único pôr do sol, cada dia é diferente. Caminhe, pedale, reme: quanto menos motor, melhor.

Fernando de Noronha – PE

O arquipélago de Fernando de Noronha é chamado por muitos de o “Havaí brasileiro”. Além das belezas naturais, o local atrai surfistas do mundo inteiro por causa das ondas consistentes e tubulares. A variedade de picos impressiona e atende desde iniciantes até os mais atirados.

Melhor época: A temporada de surf na ilha acontece principalmente entre os meses de dezembro e março, quando as ondulações chegam ao arquipélago.

Dica Go Outside: Como a expedição EntreParques ainda não passou por lá, vamos de conhecimento geral: Para os experientes, as melhores condições de surf estão em praias como Cacimba do Padre e Boldró. Já quem está tomando os primeiros caldos pode se arriscar em picos como Bode e Conceição.

Corrida

Parque Nacional da Serra da Bocaina: bom para correr e apreciar belas paisagens. Foto: Shutterstock.

Parque Nacional de Brasília – DF

Também conhecido como Parque Água Mineral, o Parque Nacional de Brasília é uma boa opção para os corredores da capital que desejam combinar atividade física com uma dose de natureza. Localizado na região administrativa de Brasília, é uma área de preservação ambiental com bastante infraestrutura. Suas trilhas e caminhos bem conservados deixam a prática da corrida mais suave.

Melhor época: Qualquer estação do ano

Dica EntreParques: O Centro de Visitantes tem um mapa em relevo e diversas fotos, bem corno informações sobre conservação.

Parque Nacional da Serra da Bocaina – SP | RJ

O Parque Nacional da Serra da Bocaina é uma região de Mata Atlântica cheia de atrações, como cachoeiras, praias, trilhas, picos e mirantes. Por sua dimensão e grande variação de altitude, apresenta uma diversidade de paisagens e atrativos naturais. Para os corredores há opções que atendem todos os gostos, sempre respirando o ar puro da Mata Atlântica. Enquanto algumas trilhas são mais planas e adequadas para corridas mais leves, outras podem ser bem íngremes e exigir resistência, como a subida até a icônica Pedra da Macela, a quase 2.000 m de altitude.

Melhor época: A parte alta é melhor na época seca, entre outono e inverno. A água é sempre fria. Já as praias de Trindade podem ser visitadas o ano todo.

Dica EntreParques: Este parque é enorme e é difícil encontrar alguém que conheça ele por completo. Na travessia de Mambucaba não deixe de se hospedar com a Dona Palmira e de visitar a Cachoeira do Veado, muito pouco conhecida, mas enorme e linda.

Para pernoitar

parques nacionais
Já ouviu falar do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque? O maior parque nacional brasileiro tem árvores gigantes e área equivalente ao tamanho da Bélgica. Foto: @entreparquesbr.

Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque – AP | PA

O maior parque nacional brasileiro tem a área equivalente à da Bélgica e ainda é pouco visitado, apesar de ter uma infraestrutura que permite pernoite em sua base próxima à cidade de Serra do Navio, no Amapá. O acesso, tanto dessa porção ao sul, onde ficam os angelins gigantes, quanto da porção norte, pelo rio Oiapoque, se dá através de voadeiras pilotadas por pessoas qualificadas em desviar das pedras do fundo dos rios.

Melhor época: entre maio a agosto o acesso é mais fácil, há menos chuvas e os rios estão cheios; entre setembro e outubro ocorre a desova e eclosão dos ovos dos tracajás.

Dica EntreParques: neste parque estão algumas das árvores mais altas do Brasil e do mundo, os angelins vermelhos com mais de 80 metros. Muitos franceses acessam a porção norte do parque a partir da Guiana Francesa, fazendo esportes aquáticos como rafting e stand up paddle.

Parque Nacional do Caparaó – ES | MG

Apesar de ser um parque com área predominantemente capixaba, o Parque Nacional do Caparaó é acessado com maior intensidade pelo lado mineiro. É um elo entre os estados, com uma trilha que liga a entrada de Alto Caparaó à de Pedra Menina, passando pelo Pico da Bandeira, o terceiro ponto mais alto do País (2.892m). Possui ótima infraestrutura de camping e banheiros, com pernoite gratuito dentro da área do parque, além de diversos poços maravilhosos para um banho de rio e inúmeras possibilidades de caminhadas. 

Melhor época: No inverno as subidas são mais secas e o clima menos quente, mas a água dos poços é gelada.

Dica EntreParques: Muita gente vai só ao Pico e corre nos poços e cachoeiras. Os rios descem devagar e formam piscinas naturais de água esverdeada. Não deixe de reservar bastante tempo para uma visita de qualidade.