Nas esquinas de Minas: training camp Mulheres de Gravel supera expectativas

Por Redação

Primeira edição do Training Camp MDG reuniu 16 mulheres ciclistas em percurso inspirado nas histórias de Guimarães Rosa. Foto: Luiza Pereira / Nomad Sports.

Em um final de semana de aprendizado e troca de experiências, o Mulheres de Gravel organizou seu primeiro training camp, entre os dias 17 e 19 de junho, pelos Caminhos de Rosa, no sertão de Minas Gerais.

O encontro reuniu 16 ciclistas, todas mulheres e de todos estados do Sudeste, em um trajeto de 110 km – com 1.800m de altimetria – que mesclou estradas vicinais de terra e asfalto. A saída e a chegada do pedal aconteceram na Fazenda Paulista.

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A prova teve o percurso inspirado nas histórias do poeta Guimarães Rosa. O objetivo era vivenciar toda a cultura mineira e, de quebra, desafiar as mulheres a vencerem seus limites, independente do nível. Tudo feito com segurança e de forma prazerosa na modalidade gravel.

“A opção por um evento só de mulheres foi criar um ambiente mais acolhedor e que incentive a participação de mulheres, uma vez que somos sempre minoria em pedais. Eu nunca tinha pedalado com tantas mulheres de gravel, o que nos aponta caminhos para pensarmos eventos mistos também”, conta Helena Coelho, organizadora do training camp.

Ciclistas com a paisagem acolhedora do sertão mineiro ao fundo. Foto: Luiza Pereira / Nomad Sports.

No trajeto, o grupo saiu de Curvelo até Paraopeba, pedalando por cerca de 70 km de terra (estradão), e depois seguiu de Paraopeba a Cordisburgo, mesclando asfalto e terra por cerca de 20 km. Por fim, no dia final as mulheres foram de Cordisburgo a Curvelo, fechando com mais 20 km de terra.

As ciclistas foram separadas em grupos de três níveis: iniciante, intermediário e avançado. Cada um desses grupos contou com a liderança de uma mulher responsável. Os carros de apoio trabalharam em conjunto com as ciclistas e ofereceram segurança em todo o percurso.

“Unir performance e experiência também foi um desafio. Nossa proposta não era fazer do evento um passeio, nem nos limitarmos a experiência gastronômica e cultural. Queríamos extrapolar tudo isso, pedalando forte e vencendo limites, Acredito que conseguimos!”, destaca Helena.

“Presenciamos desde mulheres vencendo suas primeiras barreiras com subidas, mulheres pegando rodas mais fortes e vencendo a barreira dos 100 km pela primeira vez, em um percurso majoritariamente de terra. Acredito que aprimorar esse modelo seja a chave para eventos desse tipo, permitindo que diversos níveis participem de um mesmo evento”, completa Helena.

Confira abaixo o depoimento de quatro participantes, uma de cada estado do Sudeste, sobre o primeiro training camp Mulheres de Gravel.

Viviane Gamba, de São Paulo

“Sou ciclista de longa distância e minha modalidade forte sempre foi a estrada. Mas a Gravel é outro universo, muito desafiador. Pedalar com essa bike é ter velocidade em terrenos difíceis, contemplar horizontes, acampar, viajar, sentir o gosto de uma manhã de sol com cheiro de mato.

O desafio de Mulheres de Gravel no Caminhos de Rosa me trouxe esse mix de sensações: o percurso foi formado por areia fofa, cascalho, terra vermelha entre fazendas com cercados, plantações rurais e seus animais. Dava para ouvir o barulho dos rios, cachoeiras e as cores lindas da natureza.

A parte mais desafiadora para mim foi encontrar a persistência de não desistir. O caminhos de Rosa com as Mulheres de Gravel trouxe a experiência única de conhecer o terreno do sertão forte e imponente, com a mais vasta energia mineira em sua cultura e natureza incríveis.”

Marcia Higa, do Espírito Santo

“Além de reunir mulheres fortes e guerreiras, foi um fim de semana de aprendizados e troca de experiências. Fizemos amizade, com momentos de muita diversão, fotos e resenha também (risos).

Outra coisa que fiquei encantada foi pela paisagem e pelo acolhimento do povo mineiro, muito bacana. Quanto ao pedal teve bastante subida, terrenos e climas diferente. Então foi realmente um treinamento para que a gente conseguisse se desafiar e se superar. Gostaria de agradecer muito por essa oportunidade, evento nota 10.”

Leticia Almeida, de Minas Gerais

“Descobri o evento por acaso, no Instagram mesmo. Comprei minha gravel não faz muito tempo, tem dois anos. Comecei no MTB e passei para a gravel, já que amo essa ideia da bicicleta como um meio para te levar a lugares novos. Sempre vi a bike com esse propósito, de descoberta, de exploração do desconhecido.

Fiz a inscrição de supetão. Como sou professora, a ideia de me aprofundar mais sobre o Guimarães Rosa também bateu forte. Antes do encontro oscilei muito entre a empolgação e o medo, porque vi que várias pessoas inscritas, como a própria Helena, possuíam bastante experiência na bike, e me considero uma super iniciante. Mas criei coragem e fui sozinha mesmo, muito aberta a conhecer novas pessoas. Tudo me surpreendeu logo de cara: amei a fazenda, os cenários, o pedal e a organização, tudo muito profissional e pensado nos mínimos detalhes.”

Valquiria Guimarães, do Rio de Janeiro

“Acho que não tinha melhor maneira de passar o feriado de Corpus Christi. Evento bem organizado, o local maravilhoso. A fazenda que nos hospedou também é fabulosa. Difícil falar da parte que mais gostei, hospedagem, pedal, socializacão com as meninas. Com certeza pretendo participar de outros, sem dúvida.”

O training camp Mulheres de Gravel teve patrocínio da Strava. Apoio: Nomad Sports, Go Outside, Blog MTB Brasil, Caminhos de Rosa, Xtratus Endurance, Genyx Solar Power e Rosa dos Ventos. Transporte: Sprint Bike Tour. Filmagem: Bruna Ribeiro. Edição: Fernando Biagioni. Fotografia: Luiza Pereira.

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