Resgatado ano passado, remador tenta de novo ir de caiaque da Califórnia ao Havaí

Por Redação

caiaque Califórnia Havaí
Foto: Teresa O'Brien

Em junho de 2021, o remador Cyril Derreumaux tentou fazer a travessia da Califórnia ao Havaí de caiaque. A viagem pelo Pacífico, no entanto, não deu certo e exigiu um resgate logo no 6º dia da expedição que tinha como objetivo percorrer, ao todo, 2.100 milhas (mais de 3.458 km).

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Derreymaux conta que aprendeu muitas coisas com a sua primeira tentativa e que o imprevisto não o fez desistir.

Por isso, nesta semana, mais precisamente na quinta-feira 2 de junho, ele partirá para a missão novamente. Até hoje, apenas uma pessoa já conseguiu remar com sucesso da área da baía da Califórnia até Honolulu, no Havaí.

Foto: Alexander Rooth

O resgate

Após se preparar por 3 anos para a viagem e decidir partir, em 6 de junho de 2021, uma tripulação de helicóptero da Guarda Costeira desceu um salva vidas para resgatar o remador que estava a 70 milhas (112km) a oeste de Santa Cruz.

De acordo com a NBC Bay Area, as coisas não estavam indo bem por diversas razões. Derreumaux havia perdido a âncora de seu barco de 23 pés. Além disso, as linhas da âncora se emaranharam no leme, seu GPS estava com defeito e ele estava enjoado.

“Como havia acabado de ficar de noite, ficou claro que a situação não era sustentável: eu não podia comer, beber, dormir e nem me comunicar decentemente com minha equipe em terra”, relatou ele via Facebook. “A minha equipe de apoio terrestre relatou a situação em que eu estava à Guarda Costeira dos EUA para explorar em conjunto todas as opções possíveis.”

Eles decidiram, então, que seria necessário o resgate. Enquanto Derreumaux subia no helicóptero, seu caiaque flutuava à deriva em ondas de até 14 pés (mais de 4 metros) e vento forte de cerca de 35 nós.

A experiência

Derreumaux parece ter aceitado o contratempo com calma – como uma experiência de aprendizado e não como um fracasso.

Foto: Teresa O’Brien

“Quando se trata de aprender a atravessar um oceano sozinho, você pode ler todos os livros que quiser; você pode conversar com todas as pessoas que já fizeram isso antes, você pode ouvir todos os podcasts que você quiser, você pode até ter feito isso antes com uma equipe, mas não há nada que irá prepará-lo para o que está por vir além do momento presente ”, disse Derreumaux ao KHON 2 de Honolulu. “Isso se chama experiência, e é tão bruto quanto isso, acredite em mim”, completou ele.

Derreumaux e ‘Valentine’ em busca do recorde

O pai de dois filhos, de 45 anos, agora está pronto para embarcar novamente no mesmo barco – batizado de “Valentine” em homenagem a sua irmã.

A jornada de Derreumaux passará pelas 2.400 milhas náuticas do Oceano Pacífico e ele sairá de Sausalito, na Califórnia, de uma marina à sombra da Golden Gate Bridge. Se for bem-sucedido, o remador se tornará o segundo a completar a viagem sozinho.

A vantagem

O equipamento de Derreumaux é notavelmente mais avançado do que o kit de Ed Guillot, o primeiro remador que alcançou o sucesso nessa mesma travessia.

Naquela altura, Guillot tinha 36 anos e realizou a façanha pela primeira vez em 1987, em um caiaque duplo convencional de 6 metros. De acordo com o Explorersweb, os desafios da jornada incluíam privação de sono, efeitos colaterais de analgésicos e equipamentos pouco tecnológicos.

Valentine, em comparação, parece um cabin cruiser, um tipo de barco a motor que oferece acomodação para tripulação e passageiros. E a embarcação de Derreumaux não só tem uma cabine, como também tem tecnologia de comunicação e localização atualizada, além de uma bomba de porão (um item de segurança que faz a retirada da agua que entra e se armazena na embarcação) e várias atualizações desde a primeira tentativa.

As melhorias do caiaque de Derreumaux incluem:

  • Modificação do sistema de ancoragem marítima e suas linhas, bem como do poço do leme e da bolina
  • Instalação de um sistema de comunicação via satélite com antena externa, permitindo que ele faça chamadas telefônicas e e-mails de dentro da cabine
  • Adição de painéis laterais personalizados para evitar vazamento de água no cockpit
  • Adição de uma bomba manual dentro do cockpit para substituir a elétrica (primária)

Ele também treinou explicitamente em cenários de vento forte – o mesmo tipo que levou ao resgate do ano passado na costa de Santa Cruz.

 “Projetando o barco, fazendo-o sob medida, aprimorando-o por meses e meses, fazendo testes no mar após testes no mar, agora estou me aproximando da linha de partida novamente. Estou feliz com meu equipamento. Eu sei como usá-los e consertá-los. Agora só tenho que juntar tudo e fazer acontecer”, disse Derreumaux. “Vai ser terrivelmente difícil, mas farei o meu melhor para torná-lo um sucesso”, completa ele.

A chegada

Seu objetivo depois de chegar a Honolulu? KHON 2 informou que o remador passará alguns dias curtindo a ilha com pessoas queridas. Afinal, depois de 70 dias salgados no mar, ele quer aproveitar as coisas boas da vida enquanto se recupera. Na sua lista de ‘apetrechos’ pós-aventura estão: banho quente, lençóis secos, um travesseiro e muito sorvete.

“Essas expedições têm o grande benefício de lembrá-lo de como a vida é boa, em todos os níveis!”, disse ele.

Segundo o site da expedição, Derreumaux entra a bordo do Valentine em 2 de junho por volta do meio-dia, horário local. Você pode acompanhar o progresso da missão em transmissão ao vivo diretamente por lá.

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