Novo livro exalta poder do surf como terapia

Foto: KevinDoherty / ISTO

O surf há muito tempo é conhecido como uma atividade que traz uma sensação de liberdade e bem-estar, mas agora também está sendo reconhecido cientificamente como uma ferramenta terapêutica eficaz para uma variedade de condições físicas e mentais. O autor Cash Lambert mergulhou nesse tema em seu novo livro “Surf Therapy: A Ciência Baseada em Evidências para o Bem-Estar Físico, Mental e Emocional”, onde explora o vasto potencial do surf como uma forma de terapia.

A terapia do surf, como definição apresentada por Lambert, vai muito além do simples ato de surfar. É a utilização do surf dentro de um contexto terapêutico, baseado em evidências, para promover o bem-estar psicológico, físico e psicossocial de populações específicas. Essas populações podem incluir desde jovens com autismo até veteranos de guerra sofrendo de estresse pós-traumático.

A partir de uma experiência anterior ao acompanhar famílias com crianças autistas em eventos de terapia do surf, Lambert se motivou para pesquisar e se aprofundar mais no tema. Ele ficou surpreso ao descobrir o quanto o surf estava impactando positivamente não apenas essas crianças, mas também uma ampla gama de pessoas com diferentes condições.

“Surfar não é apenas uma atividade recreativa, é uma forma de autodefesa”, diz Lambert. “A terapia do surf está se tornando cada vez mais popular e aprovada ao redor do mundo devido aos seus benefícios comprovados”.

Durante sua pesquisa, Lambert encontrou diversos exemplos de terapia do surf em ação. Organizações como Liquid Therapy levam crianças que vivem em áreas próximas às zonas de radiação de Chernobyl para surfar na Irlanda, enquanto outras ajudam jovens em situações de vulnerabilidade, como as crianças de Masiphumelele, na África do Sul, conhecida como Masi.

Nessa região, as crianças enfrentam um ambiente onde são expostas a um alto número de experiências traumáticas anualmente. No entanto, após participarem do programa Waves for Change, os resultados foram notáveis: 96% dos participantes relataram sentir-se mais felizes, 94% conseguiram lidar melhor com emoções como tristeza, raiva ou medo, e 79% apresentaram uma melhoria na taxa de visibilidade cardíaca. Desde 2022, mais de 8.500 crianças tiveram a oportunidade de experimentar a terapia do surf por meio desse programa, destacando o impacto positivo e inspirador que essa abordagem terapêutica tem proporcionado em comunidades vulneráveis.

Além disso, o surf também está desempenhando um papel crucial na recuperação de veteranos militares. Com uma em cada três pessoas diagnosticadas com algum tipo de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TSPT), a Operation Surf leva militares dos Estados Unidos para surfar, observando resultados significativos.

Após saírem da água, experimentam uma diminuição de 36% nos sintomas de TSPT, uma diminuição de 47% na depressão e um aumento de 68% na autoeficácia. Esses dados científicos demonstram claramente os benefícios tangíveis da terapia do surf, inclusive no tratamento de condições graves.

No entanto, não é apenas em países com grandes problemas sociais que a terapia do surf está fazendo a diferença. Outro exemplo notável vem da Nova Zelândia, onde a organização Live For More auxilia jovens infratores e em situação de risco a escapar de um estilo de vida de drogas e gangues. Um estudo de um ano descobriu que 25 dos 27 participantes do programa de surf do Live For More demonstraram melhora estatisticamente significativa em seu funcionamento psicológico e social, com 20 dos 27 também mostrando melhora clinicamente significativa. Além disso, o programa Live For More possui uma taxa de não conclusão de apenas 20%, em comparação com os 40% de outros programas comunitários para infratores.

Com tantos casos de sucesso, o Reino Unido também está reconhecendo oficialmente o surf como forma de tratamento, com pacientes sendo encaminhados para o Wave Project. Essas histórias e estatísticas destacam a eficácia crescente do método terapêutico em diversas situações.

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“Essas pessoas estão fazendo um trabalho incrível ao promover a terapia do surf e torná-la acessível a um número cada vez maior de pessoas”, diz Lambert.

No futuro, o surf como ferramenta terapêutica deve crescer e se expandir ainda mais em práticas e evidências, tornando-se acessível a todos, independentemente de sua localização geográfica.

Lambert acredita que as ondas artificiais podem desempenhar um papel importante nesse processo, oferecendo uma alternativa para aqueles que não têm acesso ao mar. Segundo ele, as piscinas de ondas têm potencial para se tornarem “centros de saúde mental” para aqueles que não podem viajar ou estão longe do mar. Exemplos disso são The Wave em Bristol, na Inglaterra, que tem realizado eventos de terapia do surf nos últimos anos, e o Lost Shore Surf Resort em Edimburgo, que em breve abrirá suas portas com a ferramenta sendo uma de suas prioridades.

O livro “Surf Therapy: A Ciência Baseada em Evidências para o Bem-Estar Físico, Mental e Emocional” será lançado mundialmente em 30 de abril de 2024, e já está disponível para pré-venda na Amazon.