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Minha jornada de coragem e determinação pela Great Himalaya Trail

Por Vanessa Oliveira

No início de 2021, em meio à pandemia e após um grande desafio pessoal, resolvi me aventurar pelo mundo das montanhas. Sempre fui atleta, além de treinadora, e já havia feito várias provas de corridas de aventura, ultramaratonas e, até então, me dedicava aos treinos para o Ironman.

No entanto, sempre tive um desejo em conhecer o Everest. Decidi fazer o trekking até o Acampamento Base. Eu sabia que seria algo extraordinário. E assim começou começou a minha trajetória pelo mundo do montanhismo.

A trilha até o Base Camp do Everest é considerada a mais linda do planeta, compreendi que estar na montanha era algo que me comovia, como se eu tivesse me redescoberto. Foi um marco para mim.

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Desde então, comecei a me aventurar em trekking e escaladas. No início do ano, como preparação para a Great Himalaya Trail (GHT), eu fiz uma preparação de técnicas de escalada e trekking, durante dois meses, na Patagônia Chilena e Argentina.

E no final de março deste ano embarquei novamente para o Nepal para um novo desafio: fazer parte da GHT, uma trilha de 1.800km pelos passos altos com mais de 100 mil metros acumulados de desnível positivo, atravessando toda a fronteira do Nepal com o Tibete, o que corresponde a subir um edifício de 33 mil andares.

Ne propus a atravessar três regiões: Kanchenjunga, Makalu e Kumbhu, que fica no Everest. Meu objetivo foi chegar a 6.200 metros de altitude, percorrendo 450 quilômetros de distância, que exigem técnicas muito específicas de escalada em alta montanha.

Uma jornada de coragem e determinação de 450 km pela Great Himalaya Trail

1 – A jornada começou em um voo de 14 horas Brasil / Catar e mais 5 horas Catar / Kathmandu.

2 – Foram quatro dias em Kathmandu para organização da logística de equipamentos, alimentação e adaptação com o fuso horário.

3- Fizemos um voo de 40 minutos (Kathmandu/ Bhadrapur) na fronteira com a Índia, além de 250 km de jipe pelas estradas sinuosas do Nepal.

4 – Dormimos em um lodge na beira da estrada e saímos no outro dia para mais 45 km de jipe que duraram cerca de quatro horas pelas “estradas” até Chirawa, um vilarejo típico nepalês de baixa altitude, com 1.250m

5 – Foram mais nove dias de trekking, cerca de 87 km percorridos, com um dia de aclimatação em Ghunsa, que já esta a 3.420m de altitude.

6 – Neste período de nove dias fizemos mais um dia de aclimatação em Khambachen e também uma caminhada de aclimatação até o base camping da montanha Janu (7.700m)  para chegar no início da trilha do GHT, que está a 5.150m de altitude (no Base Camp de Kanchenjunga) a terceira montanha a mais alta do mundo, com 8.586m de altitude.

7 – Percorremos mais 67 km em oito dias de trekking para chegar no primeiro passo (Lumbha Sumbha 5.150m de altitude)

8 – No 19° dia já estávamos na segunda etapa, na região da montanha Makalu. A quinta montanha mais alta do mundo, com 8.481m.

9 – Percorremos mais 11 dias com a distância de 102 km para chegar ao Makalu Base Camp (4.870m) de altitude. Neste Base Camp ficamos três dias parados aguardando melhores condições do clima.

10 – Foram mais três dias de misto (escalada + Trekking) para percorrer 13,5 km e realizar os próximos dois passos (Sherpani Col 6.185m e West Col 6.100m)

11 – No 38° dia de trekking, mais 11,5 km para o próximo passo (Amphu Laptsa 5.800m de altitude)

12 – Para enfim chegar à região do Khumbu (Everest).

13 – Foram 18 km de trekking do Amphu Laptsa Base Camp até Dimboche, que está a 4.300m de altitude na região do Khumbu.

14 – E, enfim, mais 40 km de trekking para Lukla.

Apesar do pouco tempo de experiência, não me intimidei a enfrentar esse projeto pela Great Himalaya Trail com coragem e determinação. E acho muito importante compartilhar essas experiências para inspirar outras mulheres a descobrirem a montanha como uma possibilidade.

Temos muito a conquistar nas montanhas, um ambiente ainda predominantemente masculino. E nós devemos ocupar, cada vez mais, esses espaços para fazer grandes descobertas.

Sinto que é uma chance única de aprofundar no autoconhecimento que estes projetos nos proporcionam.

Além do desafio físico e mental, percorrer o GTH nos permite estar perto de um mundo único, de riquezas culturais, povoados remotos e lugares inóspitos.

O meu desejo é seguir desvendando montanhas, aprimorando técnicas e compartilhando essas experiências para que mais mulheres se encorajem. Tenho certeza que vale a pena!

Para acompanhar as aventuras de Vanessa Oliveira, siga o perfil @vanessaoliveirafitness no Instagram.







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