Dá para manter a regularidade nos treinos e até aquela prova na agenda correndo na esteira. Se você torceu o nariz, não está sozinho. Por ser uma atividade em local fechado, sem paisagens ou interação com outras pessoas, ela é sinônimo de tédio para muitos corredores. Mas não precisa ser. Esteira e corrida: esclarecemos as principais dúvidas sobre o equipamento. Além de dicas para você tirar o máximo da esteira. 

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Esteira e corrida: dúvidas sobre o treino

O gasto calórico é maior ou menor na esteira?

Segundo o especialista em reabilitação física Rairtoni Pereira, “o gasto calórico varia mais de acordo com a intensidade e o tempo de atividade e menos com o fato de correr na esteira ou no asfalto”. O que de fato sabemos é que correr na rua pode demandar mais esforço por causa do vento e das inclinações do solo. Já a esteira, além de ser um local seguro, possibilita a você definir o ritmo do treino – e te “obriga” a mantê-lo – e também a inclinação.

Diminuem as chances de lesão?

Na esteira há menos chance de torção – pois não há buracos e desníveis –, e o treino é mais seguro, já que não existe o risco de um atropelamento. Mas, segundo o médico do esporte José Marques Neto, especialista em fisiologia do exercício, “as razões para o desenvolvimento de lesões são várias e acontecem tanto na rua quanto na esteira”. O menor impacto da esteira por si só não é garantia de que o atleta não irá se machucar. “O impacto é calculado pelo peso do corredor. A esteira provavelmente atenua pouca coisa em relação à rua. Mas a diferença não é significativa a ponto de traduzir em uma diminuição significativa no risco de desenvolvimento de lesões”, afirma José.

Como quebrar a monotonia da corrida na esteira?

“Sempre indico uma boa playlist. Recursos audiovisuais como TV e música podem ajudar a deixar o treino mais dinâmico. Outra ideia é variar os tipos de treino. Resistência, intervalado, progressivos”, diz Franklin Bisneto, professor da rede de academias Bio Ritmo.

Rairtoni concorda que alternar o ritmo é uma boa estratégia: “Eu aconselho treinos intervalados de alta intensidade”. Veja mais opções no quadro “Sem monotonia”, ao lado.

Há indicações explícitas para o uso da esteira?

Segundo o médico do esporte José Marques, “é difícil falar em indicação, mas podemos dizer que em determinadas situações o uso da esteira é uma boa ideia, como por exemplo em um retorno pós- lesão. Isso porque você consegue controlar o ritmo, a inclinação e teoricamente não promove uma descarga tão grande de impacto”.

Para os idosos, de acordo com José, ela pode ser uma boa aliada “por causa da segurança e estabilidade que oferece, já que possui suportes que eles podem segurar com a mão que garantem mais estabilidade”. Ele afirma que para os iniciantes também é uma boa pedida.

“O ideal é começar caminhando com acompanhamento de um professor, algo que a esteira permite.”

Na esteira, a postura muda?

Isso não deveria acontecer. “A técnica, incluindo a postura, deve ser mantida tanto na rua quanto na esteira. Porém é importante variar o terreno para dar diferentes estímulos ao sistema musculoesquelético”, afirma Franklin. Uma grande vantagem da esteira é que o corredor pode conseguir se observar no espelho e isso ajuda a assumir uma postura mais ereta, com os braços em 90 graus e o olhar no horizonte.

É possível se preparar para uma prova só correndo na esteira?

Não há um consenso entre os especialistas. Para Rairtoni, é possível se preparar para provas curtas, como as de 5 e 10 km. “Nas mais longas, a vivência em corridas na rua é essencial, por conta da especificidade.”

Para Franklin, em todos os casos é preciso alternar esteira com asfalto, local da maioria das provas. “É importante ter a vivência na rua. Assim o atleta experimenta o que vai enfrentar na prova. Já que no dia ele não terá o controle que a esteira proporciona.”

Então, se você corre na esteira quatro dias por semana, faça pelo menos um desses treinos no asfalto, especialmente os de qualidade como o longão e o intervalado.

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