Esportes e aventuras que você deve fazer na Chapada dos Veadeiros

Por Flavia Vitorino

Uma aura diferente. A sensação de entrar em Alto Paraíso, porta de entrada para o Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, é exatamente essa. A cidadezinha no nordeste do Estado de Goiás possui menos de 7.000 habitantes e se divide entre os que acreditam nas profecias do calendário maia e vivem lá à espera do “fim do mundo” e os que se irritam e consideram esse “papo de energia” uma alucinação coletiva. E é exatamente aí que reside um dos muitos charmes do vilarejo.

Pouco importa a crença de cada um, o fato é que Alto Paraíso é mesmo um destino especial. A região está localizada sobre uma imensa placa de cristal de quartzo, o que lhe dá luminosidade para ser vista da órbita da Terra. Para aumentar a atmosfera mística, o local está situado no paralelo 14, o mesmo que passa por Machu Picchu, no Peru.

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Por essas e outras, visite a cidade e seus arredores sem pressa. O ideal é separar ao menos cinco dias para explorar a região. As opções são tantas que, nem bem chega a hora da partida, o visitante quase sempre já começa a pensar em um retorno. Há diversos roteiros de trekking, mountain bike, canionismo, rapel, rafting, além de um sem número de cavernas. Você também pode variar e experimentar voo de balão, desafios de escalada e passeios de remo.

O parque é reconhecido como Patrimônio Natural Mundial da Humanidade pela Unesco desde dezembro de 2001 e oferece mais de 2.000 cachoeiras catalogadas, numa região que, segundo estudiosos, existe há pelo menos 1,4 bilhão de anos – o que lhe coloca entre as formações mais antigas do planeta. Para chegar até lá, é necessário ir até Brasília e depois pegar a estrada em direção a Alto Paraíso, por cerca de 280 km. Uma boa estratégia é alugar um carro ou contratar um guia local para te levar de um lado para o outro. Se quiser ver o que de melhor existe ali, considere que a área total (somente do parque) é de 241 mil hectares, e o roteiro completo envolve quatro cidades: Alto Paraíso, São Jorge, Cavalcante e São Domingos.

MOUNTAIN BIKE

A bicicleta é um ótimo meio de transporte pela região. Porém prepare as pernas pois você vai pedalar bastante, em percursos que misturam asfalto, estrada de terra, single – tracks e downhills. Suas opções ciclísticas variam, dependendo muito de qual das quatro cidades você escolherá como base.

Alto Paraíso é mesmo a melhor pedida nesse caso. Lá existem alguns lugares que alugam bikes por um preço bem camarada. A agência Travessia Ecoturismo pode te ofere cer mais de dez opções de passeios de bike. Eu quis começar com a mais bonita: um pedal técnico de não mais de 15 km em um single – track até a cachoeira do Segredo, uma gigante queda de mais de 100 metros de altura, escondida (daí o nome), que mergulha em um poço de água azul-esverdeada. Prepare-se para ficar sem palavras por alguns minutos e, logo em seguida, mergulhar em um poço que parece uma panela de imersão mágica, revigorando o corpo para pedalar pelo resto do dia. O gran finale é o Jardim de Maytreia, um mirante que fica no caminho da volta para a cidade, de onde você pode admirar o pôr do sol sob as montanhas do parque.

Um pedal um pouco mais longo (mas não muito cansativo) é a ida para as quedas da Almécegas, um paredão de quartzito por onde a água escorre em meio a árvores e plantas. Ali dá para fazer uma pausa para um rapel de cerca de 60 metros, que também acaba em água e mergulho. Mais um trecho pedalando, e o dia é finalizado no Voo do Gavião, uma tirolesa de quase 1 km de extensão e 100 metros de altura, onde basta descer curtindo a brisa.

CANIONISMO E RAFTING

Todo bom aventureiro é incansavelmente curioso e procura sempre algum passeio diferente. Para isso, o dia precisa começar cedo para que as atrações sejam bem aproveitadas. O canionismo do Farias, por exemplo, oferece um longo percurso dentro de um cânion com formações rochosas altíssimas, que te fazem ficar no escuro o dia todo. O barato é vencer todos os obstáculos, com descidas de rapel, salto livre e um trekking magnífico no fim. Ainda em meio a cânions, a 20 km da Vila de São Jorge ficam as águas esverdeadas do rio Tocantinzinho, o mesmo que passa pela cidade de Palmas. Dali a descida é feita de rafting. O percurso é praticamente inteiro dentro de um cânion, formado por paredes de quartzito com cerca de 50 metros de altura e duas principais corredeiras bem próximas uma da outra, de classes III e IV.

TREKKING

O trekking dentro do Parque Nacional é um festival de paisagens exuberantes. Por quase toda sua extensão, é possível encontrar traços da extração de cristal de quartzo, que em sua época áurea chegou a ter mais de 3.000 homens trabalhando no garimpo. Depois, com a invenção do quartzo sintético, a atividade na região acabou sendo desvalorizada.

A paisagem do cerrado é muito singular em comparação às demais do Brasil, o que torna as trilhas muito bonitas, porém com poucos trechos de sombra. Há duas consideradas as mais interessantes. A primeira, chamada Trilha dos Saltos, tem 11 km e, apesar de curta, revela-se bem acidentada. É ela que leva a uma das paisagens mais estonteantes da chapada, a Queda dos Saltos, de 120 metros de altura, e a Queda de Rio Preto, de 80 metros, que alimentam poços escondidos nos vales e formam a paisagem perfeita com bromélias resistentes entre as rochas. Ali não deixe de visitar a piscina de borda infinita natural, que parece flutuar sobre a imensidão impactante da Serra de Santana.

A segunda opção é a Trilha das Sete Quedas, com 25 km, que podem ser percorridos em dois dias. Andar por ali só é permitido durante a baixa do nível do rio Preto e é necessário solicitar autorização prévia para o parque com no mínimo três dias de antecedência. Mas o esforço valerá a pena, pois esse trekking te levará ao coração das belezas dos Veadeiros.

CAVERNAS

O Parque Estadual de Terra Ronca parece um portal para outro planeta. Sons, sensações e uma experiência louca de andar durante horas por cavernas com salões gigantes ornamentados de espeleotemas colocam o visitante em dimensões nunca antes vividas. São Domingos, a cidade que abriga o parque, é um pouco afastada dos Veadeiros (a 234 km), no entanto o passeio é tão surreal que acaba sendo obrigatório. Existem nele cerca de 300 grutas e cavernas. A caverna Angélica está entre as mais bonitas e maiores do Brasil. A travessia toda possui 14 km, com um pernoite em seu interior, seguindo o curso do rio de mesmo nome. Não é preciso ser místico para entender e apreciar toda a energia que essa região de Goiás emana. Certamente você voltará para a casa com a sensação de que recarregou a alma – e que, em breve, andará de novo por lá.

Onde ficar: Hotel Pousada Casa da Lua Pousada, restaurante e spa, com quartos 
confortáveis e aconchegantes, rodeados pela natureza da região.

Quem leva: Travessia Ecoturismo. A agência oferece confiáveis guias locais, 
além de aluguel de bikes e roteiros de aventura.