Dia das Mulheres: 5 iniciativas que incentivam o surf feminino no Brasil

Por Mariana Broggi

dia das mulheres
Inúmeras questões podem ser fatores para afastar as mulheres do surf. Na foto, as Bailarinas do Mar - Crédito: Victor Dutra / @victordutraphotos

O surf é um esporte que tem se tornado cada vez mais popular no Brasil. E dentro desse contexto, as mulheres também remam forte para conquistar mais espaço e respeito nesse universo predominantemente masculino. A reportagem é da Hardcore.

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Isabelly Silva de Almeida tem 19 anos, mora em Brasília e seu sonho era conhecer o mar. Sem saber ao certo por onde começar ou como isso seria possível, juntou dinheiro para investir em uma viagem. Até que encontrou o perfil do Instagram da jornalista e amante do surf, Mari Broggi (sim, essa que vos escreve) e viu uma viagem de um fim de semana que era organizada e feita por e para mulheres.

A proposta oferecia aula de surf, yoga, trilhas, dinâmicas de autoconhecimento, estadia em um sítio de bioconstrução e experiência gastronômica vegana com alimentos comprados de pequenos produtores e locais da Mata Atlântica. Tudo isso ao lado de outras 15 mulheres que não se conheciam entre si e que estavam saindo dos mais diversos lugares do país para se aventurar no surf, na união feminina e no universo praiano.

O encontro aconteceu na praia de Itamambuca, em outubro de 2021 e transformou a vida da Isa. “Mudou minha vida a ponto de eu sonhar em voltar sempre que penso em juntar dinheiro para viajar”, conta ela. “Quando eu entrei no mar, me senti em casa e eu mal posso esperar para subir numa prancha de novo”. 

Essa sensação de pertencimento e vontade de desfrutar do universo do surf é muito comum em mulheres de diferentes idades, condições financeiras e locais. Mas a vergonha, a falta de incentivo, de recursos e de auto estima muitas vezes são fatores que acabam por distanciar as mulheres do sonho de surfar. 

Mas, como, de fato, a união faz a força, atualmente existem diversas iniciativas que buscam incluir mais mulheres ao universo do surf e, cada vez mais, esses projetos dominam as praias do Brasil.

Em homenagem ao dia internacional das mulheres, listamos 5 iniciativas que tem como missão colocar mais mulheres como protagonistas dentro do universo do surf:

TPM – Todas Para o Mar – Maracaípe, Pernambuco

O coletivo TPM Todas Para o Mar nasceu em 2016 na Baía de Maracaípe, em Pernambuco, com o intuito de empoderar mulheres e promover a inclusão social de adolescentes e crianças por meio do surf e de atividades relacionadas com o mar. Atualmente, cerca de 50 crianças de 7 a 18 anos recebem suporte do projeto.

Por meio de um projeto social, Nuala Costa, a idealizadora da TPM, iniciou a carreira no surf aos 16 anos e foi a primeira mulher a representar profissionalmente o estado de Pernambuco em campeonatos de surf nacionais e internacionais. No entanto, Nuala teve sua carreira invisibilizada, em decorrência do racismo e das dificuldades de classe que infelizmente se perpetuam no esporte.

A ideia de criar o projeto de inclusão do surf, surgiu depois que a surfista chegou de volta ao Brasil, após morar na Europa por 15 anos. “Me deparei com um cenário precário na comunidade”, conta ela.

Hoje, diversas mulheres muito conscientes feministas e antiracistas são lideram o coletivo TPM, como a doutoranda em sociologia e historiadora Alyne Nunes, e Stella Francisca, advogada e articuladora social.

O projeto tomou uma dimensão enorme e, atualmente, conta com diversas iniciativas. Entre elas o Inclua Surf TPM, que promove a inclusão social, por meio da democratização do surf, o Surf Day TPM, evento que ensina e empodera mulheres a surfar e o Maraca Surf Festival, a única competição de surf feminino que conta com 8 categorias.

Confira o Instagram do projeto aqui.

Meninas do Mar – Itacaré, Bahia

Meninas do Mar é uma escola de surf de Itacaré fundada em 2012 por Jane Morais. A iniciativa surgiu a partir de uma viagem que foi como um divisor de águas na vida da idealizadora. 

“Quando vim para Itacaré, foi a segunda vez que tinha visto o mar”, conta Jane. “E logo na segunda semana aqui, ganhei uma prancha e comecei a surfar, mesmo sem saber nadar”, completa. O surf foi paixão à primeira vista na vida daquela mulher nascida no sertão do Rio Grande do Norte. E desde então, Jane nunca mais largou esse estilo de vida.

Com o tempo, oportunidades para ministrar aulas de surf começaram a surgir e ela viu ali uma oportunidade de sustento. “Hoje nossa família vive 100% do surf”, conta. Além disso, mais de 4000 pessoas já passaram pela escola de surf Meninas do Mar, entre mulheres, homens, famílias e jovens de todas as faixas etárias. 

Além da história inspiradora, o diferencial dessa escola é oferecer uma experiência, além da prática do surf em si. “Hoje tenho muitas mulheres que chegam a Itacaré através da nossa escola e vivem aqui até hoje, porque aqui se sentem acolhidas no surf”, relata.

Jane é um exemplo de mulher que encontrou no surf a oportunidade de viver na praia e, como forma de retribuição, a escola abre vagas sociais para crianças fazerem aulas gratuitas aos sábados. Além disso, algumas meninas que chegam em Itacaré para competições de surf recebem um suporte do projeto e de parceiros que oferecem hospedagem e alimentação.

Para interessadas e interessados, a Meninas do Mar conta com curso de surf básico e intermediário para pessoas de qualquer idade, além de uma metodologia exclusiva para crianças.

Clique aqui para acessar o site.

Confira também o instagram do projeto aqui.

Surnelas – Todo Brasil

O Surfnelas surgiu em 2016 como fruto de uma paixão latente em comum: o esporte em comunhão com a vida. O projeto, que foi fundado por Valéria Gava e Aline Karine Santos, conta com eventos presenciais em São Paulo, surftrips nacionais e internacionais, mas o principal foco do projeto é o Clube Surnelas, uma academia de surf 100% online só para mulheres. 

O treinamento oferecido pelo projeto prepara essas mulheres para ir para o mar e traz treinos específicos para o surf, além de yoga, ginástica natural e lives sobre os conhecimentos técnicos do esporte, alimentação e questões psicológicas (como medo, ansiedade e etc).

Além disso, encontros virtuais também acontecem com o intuito de oferecer conexão entre as mulheres e trocas de experiências. “O diferencial do projeto é transformar a vida da pessoa através do surf”, conta Valéria, que explica que isso acontece de duas formas.

A primeira é a partir da mudança do estilo de vida, com hábitos mais saudáveis a partir dos treinos para o surf e do incentivo a uma alimentação mais consciente. O outro grande ponto é o empoderamento feminino através do esporte. “Depois que você consegue superar os seus desafios, os seus medos internos, você se sente muito mais empoderada”. 

Além disso, Valéria conta que com o projeto muitas mulheres passam a se entenderem como protagonistas da própria vida e que, portanto, se priorizam mais, independentemente do trabalho, da jornada materna e da família. 

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Confira também o Instagram do projeto aqui.

Bailarinas do Mar – Praia da Macumba, Rio de Janeiro

O projeto idealizado pela carioca bi-campeã brasileira de longboard profissional Jasmin Avelino conta com aulas particulares de pranchão na Praia da Macumba, no Rio de Janeiro, além de surf trips pelo Brasil.

A relação da idealizadora com o mar começou aos 9 anos, graças ao incentivo do seu pai e irmã, ambos surfistas de longboard. Já aos 12, Jasmin iniciou nas competições e desde então, o surf passou a ser prioridade na sua vida. Durante a sua carreira de surfista, ela conciliou as competições com os estudos e se formou em Biologia na mesma época em que se tornou bicampeã brasileira na categoria. 

Hoje em dia, o foco principal da vida de Jasmin é o projeto Bailarinas do Mar, que tem o intuito de incentivar o longboard feminino e foi o primeiro projeto focado 100% no pranchão. “O projeto foi criado porque por muitos anos, o surf de longboard era visto como uma prancha de transição, para aprender ou para quando já estivéssemos velhos, e por conta disso, não tínhamos incentivo de marcas, campeonatos e mídia”, conta ela.

A diferença das premiações e falta de eventos para a categoria feminina na modalidade foi o fator que motivou Jasmin a encontrar uma forma de incentivar as mulheres dentro do longoboard.  “O bailarinas veio para mostrar e unir a mulherada provando a força que o longboard feminino pode ter”, conta ela. “Eu via meninas que se decepcionavam com o surf, chegavam a largar porque diminuíam muito as pranchas – algo que é incentivado nas escolinhas -, não se adaptavam e perdiam a diversão da atividade”, completa.

O projeto Bailarinas do Mar funciona como um apoio para as meninas que querem sentir o quanto o longboard é envolvente. 

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Gals at the sea – Ubatuba e Florianópolis

O projeto foi idealizado por três mulheres surfistas que são também educadoras físicas e que hoje ensinam mulheres que têm o interesse em aprender o esporte. Potira Rolan, Nina Santinho e Cristiane França coordenam a iniciativa que tem duas principais bases, sendo uma na Praia de Itamambuca, em Ubatuba-SP, e outra na Praia do Rio Tavares, em Florianópolis-SC.

Dessa forma, a agenda anual do projeto é recheada de aulas de surf e surf camps para diferentes lugares, como Itacaré, Pipa, Praia do Rosa, Praia de Camburi e Ilha Grande, além de trips internacionais para lugares como Costa Rica, Nicarágua, El Salvador e Peru. Além disso, os treinamentos físicos online e presenciais com foco no surf são outra frente de atuação das Gal’s. 

“Na época a gente surfava mas não era profissional de surf e sentíamos falta de um incentivo, procurávamos treinamento técnico, mas na época só tinha voltado a profissionais”, conta Nina sobre a origem da iniciativa que une aulas de surf com preparo físico. 

Milhares de pessoas já passaram pelo projeto dessas três mulheres que conseguiram encontrar uma forma de sobreviver de surf e dar assistência a outras mulheres a praticar esse esporte que tanto cativa as pessoas.

Clique aqui para acessar o site.

Confira também o Instagram do projeto aqui.

 

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