Como desafios na natureza nos ajudam a desenvolver soft skills

Por Redação

Tomada de decisões, trabalho em equipe e feedback são alguns exemplos de soft skills. Foto: Shutterstock.

Para os profissionais da aventura, a imersão na natureza possibilita aprendizados que vão bem além de macetes como acender uma fogueira, montar uma barraca ou saber se orientar por bússolas.

Um trekking pela montanha ou uma expedição oceânica, por exemplo, podem ampliar habilidades sociais como senso de liderança, foco, disciplina e outras competências bastante valorizadas no mercado de trabalho atualmente.

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Habilidades como essas não são técnicas, mas, sim, comportamentais. É o que chamamos em inglês de soft skills.

“Estar na natureza é enfrentar um cenário extremamente dinâmico, onde tudo pode mudar em questão de minutos”, explica Andreas Martin, diretor-executivo da Outward Bound Brasil, instituição presente em 33 países e líder mundial em treinamento outdoor e educação experiencial.

“Em um ambiente assim, estamos expostos a várias situações técnicas diferentes, o que dá a oportunidade de novos padrões de comportamento emergirem”, complementa.

Em expedições que podem durar mais de dez dias na natureza, os participantes dos cursos da Outward Bound são motivados a andar sobre pedras num desfiladeiro, escalar em rocha, navegar num pequeno veleiro, descer um rio ou remar no mar.

Com isso, consequentemente aprendem a tomar decisões, trabalhar em equipe, dar e receber feedback, além de desenvolverem outras habilidades sociais difíceis de serem mensuradas em um currículo padrão.

“Um elemento essencial para nós é viver experiências reais em aventuras autênticas. Então geramos um ambiente seguro do ponto de vista emocional e físico, mas ao mesmo tempo desafiador e que instiga as pessoas a saírem das suas zonas de conforto”, afirma Andreas.

ADMITE-SE

Muitas vezes, o mercado de trabalho exige estratégias muito parecidas com os desafios ao ar livre. Você não acorda, simplesmente, num dia qualquer e decide escalar uma montanha. É preciso preparar o corpo e a mente para algo tão desafiador.

A escalada, por exemplo, requer um preparo que abrange diferentes áreas da vida. A pessoa que decide subir um pico talvez tenha que fazer algumas concessões e sacrifícios em prol desse objetivo maior. Dormir e acordar mais cedo, beber menos, se alimentar melhor, deixar as noitadas de lado ou abrir mão de um tempinho a mais na cama.

Gerenciamento do tempo, capacidade de criar conexões e pontes para a resolução de problemas, trabalho em equipe, empatia, compreensão das dificuldades dos colegas e humanização das relações, além de disciplina pessoal como forma de engajar os demais, são exemplos de outras soft skills que podem ser desenvolvidas na natureza – e muito valorizadas pelos recrutadores de RH, que há tempos não olha só para uma faculdade ou um certificado.

Para Bianca Vilela, fisiologista especialista em saúde no trabalho, saber aplicar e desenvolver essas soft skills ajuda a garantir destaque no mercado de trabalho. Mas não basta apenas saber que possui essas habilidades, é preciso colocá-las em evidência.

“As atividades outdoor têm muito a pegada do coletivo. Em uma empresa estamos em grupo, na natureza também, muitas vezes com amigos ou família. Se estamos numa trilha, por exemplo, sempre nos dispomos a ajudar os demais, queremos cuidar daquela pessoa que começou a ficar para trás; se estamos escalando uma montanha, obviamente vamos pensar na segurança de todos. Esse tipo de atitude nos traz equilíbrio e constância emocional e vai ampliando o nosso leque de habilidades”, destaca Bianca.

SUAVE NA ÁRVORE

Exemplos de soft skills que podem ser desenvolvidas em uma expedição na natureza e valorizadas no mercado de trabalho

Determinação: Não se intimidar diante das adversidades
Disciplina: Lembrar o objetivo maior por trás de cada desafio
Controle emocional: Capacidade de não desistir diante de imprevistos e gerenciar crises
Foco: Procurar estratégias para driblar a falta de concentração
Organização: Boa gestão do tempo para ter um melhor aproveitamento do dia
Planejamento: Traçar um plano é essencial para alcançar objetivos e economizar energia
Tomada de decisão: Aprender a tomar decisões de forma rápida, segura e efetiva, equilibrando racionalidade e intuição
Flexibilidade: Conseguir se adaptar a mudanças e estar sempre aberto a novas ideias
Resiliência: Aumento no nível de determinação e confiança

Trecho da reportagem “O poder da vida ao ar livre”, publicada na edição 175 da revista Go Outside.







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