Posso correr com dor? Um ‘guia de dores’ para você se cuidar

Por Ali Nolan, para a Outside USA RUN

correr com dor
Foto: wayhomestudio/Freepik

Posso correr com dor? Aqui estão diferentes tratamentos para mantê-lo correndo sem dor, de acordo com médicos especialistas em medicina esportiva.

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“Estou com dor, mas ainda quero correr.”

Se você corre há tempo suficiente, essa frase provavelmente soa familiar. As chances são de que você já lidou com dor ao correr. Provavelmente já correu com dor no calcanhar, no joelho, com canelite e até com aquele estalo estranho no quadril. Os mais teimosos entre nós podem ter ignorado uma dor incômoda por medo de perder um treino. Talvez tenhamos tomado um bilhão de anti-inflamatórios e envolvido nossas partes do corpo machucadas com fita KT só para mancar por um treino miserável de 32 km.

Não vou gastar parágrafos explicando por que esse não é o caminho certo. Se você está lendo isto, quer saber quão sério é o seu problema e encontrar soluções. E talvez (com sorte) esteja procurando uma alternativa aos anti-inflamatórios orais.

Por isso, pedimos ajuda às médicas especialistas em medicina esportiva Amy Powell, M.D., e Joy English, M.D. Ambas atuam como médicas nos programas esportivos da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, e entendem a importância de colocar os atletas de volta à ativa o mais rápido possível—sem aquela velha resposta de “pare de correr por oito semanas que deve melhorar”. Aqui está o que as especialistas recomendaram para que você tome as melhores decisões sobre seu corpo.

Posso correr com dor?

Identifique o tipo da sua dor

Nem toda dor é igual.

“Os atletas que conhecem bem seus corpos geralmente conseguem perceber se é um problema muscular ou uma distensão no tendão, mas quem tem dor óssea, por exemplo, normalmente sente de uma forma diferente”, diz Powell. “Se algo parece diferente de outras lesões que já teve, confie em si mesmo. Vá ao médico se estiver em dúvida. Algumas coisas podem ser ignoradas, outras não.”

Se você não tem certeza de como descrever sua dor ou de quão grave ela realmente é (ou se está em negação—sem julgamentos, todos já passamos por isso), determinar o tipo de dor é o primeiro passo para resolver o problema. Estes quadros ajudam a entender melhor:

Você sente uma dor surda

  • Como é: Uma dor incômoda e persistente que piora com a atividade, mas não é aguda nem repentina.
  • O que pode ser? Esse é o tipo de dor mais comum entre corredores. Pode ser tendinite, uma distensão muscular ou um problema ósseo, como canelite.
  • Especialista a procurar primeiro: Fisioterapeuta. Se necessário, um médico do esporte. Se sua prova estiver próxima ou você for impaciente, um médico do esporte pode ajudar mais rápido.
  • Posso continuar correndo? Provavelmente, sim.

Você sente uma dor profunda

  • Como é: Assim como a dor surda, essa é persistente e piora ao correr. Mas “surda” não é suficiente para descrevê-la—ela pode parecer como uma dor de dente nos ossos.
  • O que pode ser? Uma contusão óssea ou uma fratura por estresse.
  • Especialista a procurar primeiro: Médico do esporte.
  • Posso continuar correndo? Se for uma fratura por estresse, não.

Você sente uma dor aguda

  • Como é: Dor súbita e intensa que faz você parar imediatamente, geralmente localizada em uma área específica.
  • O que pode ser? Pode indicar um rompimento, fratura ou problema no tendão.
  • Especialista a procurar primeiro: Médico do esporte.
  • Posso continuar correndo? Não. Pare imediatamente.

Você sente um estalo ou um estiramento repentino

  • Como é: Uma sensação distinta (e às vezes audível) de “estalo” ou “puxão”, seguida de dor imediata e, às vezes, inchaço. Comum em tendões, ligamentos ou músculos.
  • O que pode ser? Um grande estalo pode indicar um rompimento total ou parcial de músculos ou tendões. Para corredores, isso é mais comum na panturrilha, Aquiles, fáscia plantar, joelho ou tornozelo.
  • Especialista a procurar primeiro: Médico do esporte.
  • Posso continuar correndo? Não—e você provavelmente nem conseguirá.

Você sente um atrito ou rangido

  • Como é: Sensação de fricção em uma articulação ou ao longo de um tendão, às vezes acompanhada de estalos.
  • O que pode ser? Pode estar relacionado a estruturas articulares, cartilagem ou tendões. Se houver dor ou inchaço, pode ser artrite, tendinite ou bursite.
  • Especialista a procurar primeiro: Fisioterapeuta.
  • Posso continuar correndo? Se for leve e você conseguir correr, provavelmente sim.

Você sente dormência ou formigamento

  • Como é: Sensação de “agulhadas”, geralmente nos pés, dedos ou pernas, às vezes com fraqueza muscular.
  • O que pode ser? Se houver dor lombar associada, pode ser ciática ou outro tipo de compressão nervosa.
  • Especialista a procurar primeiro: Médico do esporte ou neurologista.
  • Posso continuar correndo? Talvez. Confie no seu corpo.

Você sente cãibras

  • Como é: Contração muscular súbita, involuntária, intensa e temporariamente incapacitante.
  • O que pode ser? Geralmente causada por desequilíbrio eletrolítico, desidratação ou deficiência de vitaminas.
  • Especialista a procurar primeiro: Se for recorrente, um nutricionista esportivo ou médico clínico.
  • Posso continuar correndo? Sim, após reposição adequada de nutrientes e descanso.

Maneiras seguras de gerenciar a dor ao correr

Muitos de nós temos dores e inflamações que não são graves o suficiente para nos impedir de correr, mas ainda assim são incômodas. E você provavelmente já viu estudos sobre os riscos dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para atletas de resistência.

“Um estudo da Yale analisou corredores de maratona e mediu os níveis de creatinina no sangue após a prova, um indicador da função renal”, explica English. “Descobriram que entre 50% e 80% dos maratonistas apresentaram lesão renal aguda.” Embora todos tenham se recuperado em 48 horas, o uso frequente de AINEs pode causar danos irreversíveis, como insuficiência renal terminal.

Então, não faça isso. Em vez disso, English recomenda abordagens mais seguras:

Alternativas para o alívio da dor:

  • Paracetamol: Bom para dores gerais e artrite.
  • AINEs tópicos (como Voltaren): Eficazes para dores articulares sem os riscos dos orais.
  • Injeções: Para casos persistentes, como artrite e tendinite, incluem corticoides, PRP e ácido hialurônico.

Intervenções fisioterapêuticas:

  • Terapia por ondas de choque: Para tendinopatias crônicas.
  • Manipulação manual: Massagem terapêutica e liberação de tecidos.
  • Alongamento e fortalecimento: Para corrigir desequilíbrios musculares.

Mudanças no estilo de vida:

“Se você cortar açúcar refinado e álcool, seu corpo ficará mais feliz”, diz English. “Se você bebe vinho todas as noites e sente dor no joelho, quase posso garantir que se parar, se sentirá melhor.”

No final das contas, o importante é ouvir o seu corpo e agir de forma inteligente para continuar correndo sem comprometer sua saúde a longo prazo.