Por volta de 1965, cardiologistas notaram pela primeira vez que, surpreendentemente, conforme a saúde de uma pessoa piora, as pequenas variações entre seus batimentos cardíacos ficam mais e mais uniformes. E isso não é nada bom, visto que um coração saudável é aquele que bate em um ritmo irregular. “Logo antes de um infarto, por exemplo, essa variação chega a zero”, diz Lindsay Thornton, psicofisiologista do esporte do Comitê Olímpico dos Estados Unidos. “É só bum, bum, bum. Regularidade perfeita.”

 

Essa medição, chamada de variabilidade da frequência cardíaca (VFC), “é um jeito fácil e simples de avaliar a saúde geral de alguém”, explica Lindsay. Treinadores de elite usam faz tempo a VFC para determinar se seus atletas se recuperaram o suficiente após um treino pesado, para então poderem forçar o ritmo novamente.

Até pouco tempo atrás, para monitorar a VFC, eram necessárias máquinas caras encontradas somente em laboratórios de fisiologia ou na ala de cardiologia dos hospitais. Isso mudou: atualmente uma nova onda de aplicativos permite que você meça sua VFC sem sair de casa. Trata-se de uma ótima notícia para atletas amadores que, da mesma forma que os profissionais, às vezes confundem descanso com preguiça, treinando duro quando deviam tirar um dia de folga – o que resulta em fadiga crônica, lesões ou algo pior. Pesquisas apontam que até 60% dos atletas amadores sofrem com problemas relacionados ao treinamento em excesso.

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Para acompanhar sua VFC, você precisa de um sensor de dedo ou um transmissor para medir batimentos cardíacos, como o Polar H7 (R$ 600; polar.com), que se conecta com seu smartphone por bluetooth, e um aplicativo como o SweetBeatHRV (Androide iOS; US$ 9,99).

Comece fazendo um teste todos os dias, durante duas semanas, para estabelecer uma média para você. Controle as variáveis realizando o teste de VFC no mesmo horário, toda manhã, antes de se levantar da cama. O aplicativo oferece uma pontuação de 1 a 100. Se seu resultado estiver muito baixo, digamos menos de 60, pegue leve – seu corpo ainda não se recuperou do último treino. Uma pontuação mais perto de 100 significa que você está em estado de homeostase e, portanto – sorte sua! –, pronto para forçar o ritmo em uma série de tiros em ladeira.

Quatro lições que todo atleta deveria saber sobre seu coração

Um melhor preparo físico significa menos batimentos cardíacos.

Um coração mais forte pode bombear mais sangue por batimento que um coração fraco

Homens adultos têm, em média, uma frequência cardíaca em descanso de cerca de 70 batimentos por minutos, enquanto o coração de um atleta de elite pode bater apenas 30 vezes por minuto. O ciclista espanhol Miguel Indurain marcou 28 bpm durante suas vitórias no Tour de France. Uma frequência cardíaca mais lenta também pode reduzir o risco de pressão alta e de doenças cardiovasculares.

Desidratação eleva a frequência cardíaca

Seu coração bombeia sangue oxigenado pelo corpo durante os exercícios. Quando você está desidratado, o sistema circulatório passa a ter um volume menor de fluídos, o que leva o coração a precisar fazer mais força. Beba líquidos assim que sentir sede durante treinos e competições.

Exercícios de resistência não são ruins para o coração

“A genética tem um papel importante nisso, porém o exercício realmente ajuda a manter a elasticidade do coração, algo bom para se manter até a velhice”, diz o pesquisador Bruce Andrea, chefe do Durango Performance Center, no estado do Colorado (EUA).

O coração, como os demais músculos, precisa descansar

É essencial que haja dias puxados e dias leves, semanas puxadas e semanas leves, meses puxados e meses leves. Pense a longo prazo e tire algumas folgas durante cada temporada.