20 minutos de natureza já aliviam o estresse, diz estudo

20 minutos na natureza já aliviam o estresse
Imagem Shutterstock

Se você anda se sentindo muito ansioso, um estudo recente diz que 20 minutos de natureza já aliviam o estresse de forma significativa. Mesmo que você esteja na cidade. 

Mas quanta natureza é o mínimo para fazer efeito? O estudo publicado no jornal Frontiers in Psychology em 2019 ajuda a esclarecer isso. E as notícias são boas. Não necessariamente você precisa fazer uma trilha de horas numa floresta para ter os benefícios da natureza. Um jardim, uma praça ou parque ou mesmo um gramado com sol podem ter esse efeito, desde que você se sinta em contato com a natureza. Alem, claro, de passar o tempo mínimo necessário. 

+ Duas horas por semana em contato com a natureza melhor a saúde, diz estudo
+ Onde curtir a natureza nas capitais SP, RJ, SC e CE

“Sabemos que o tempo que passamos na natureza ajuda a reduzir os níveis de estresse. Contudo, não era claro em que quantidade, com que frequência e mesmo que tipo de experiência na natureza nos traria benefícios”, diz Mary Carol Hunter, professora na Universidade de Michigan e principal pesquisadora do estudo.

“Nosso estudo mostra que, para ter a melhor recompensa em termos de redução de cortisol, o hormônio do estresse, o ideal seria passar de 20 minutos a meia hora sentado ou caminhando em um lugar que te dá a sensação de natureza.”

Qual a dose mínima de natureza para reduzir o estresse?

Ou seja, essa “pílula” de natureza poderia ser uma solução de baixo custo para reduzir os impactos da urbanização e do estilo de vida indoor, cheio de telas e monitores. O estudo focou em quantificar esta dose. 

Por oito semanas, foi pedido aos participantes que tomassem uma “pílula” de natureza de 10 minutos ou mais, pelo menos três vezes por semana. Os níveis de cortisol foram medidos por amostras de saliva tiradas antes e depois da “pílula de natureza”, a cada duas semanas.  

“Os participantes tiveram liberdade para escolher a hora do dia, a duração e o local da experiência com a natureza. Esta experiência foi definida como qualquer lugar fora de casa na opinião daquele participante. Poderia ser qualquer lugar, desde que fizesse ele sentir que estava interagindo com a natureza. Houve algumas exigências mínimas para eliminar fatores que já sabemos que influenciam no estresse. Por exemplo, ter essa experiência durante o dia, sem exercício aeróbico ao mesmo tempo, e evitando o uso de redes sociais, celular, conversas pessoalmente ou por telefone ou leitura”, explica Hunter.

De acordo com a pesquisadora, foi fundamental dar flexibilidade aos participantes para escolher detalhes da experiência. Isso permitiu identificar a duração da pílula de natureza, dentro das condições da vida moderna, com imprevisibilidade e agendas que mudam o tempo todo. 

Escolha seu tipo de natureza

Ela também permitiu acomodar as preferências de cada participante coletando as amostras de cortisol quatro vezes ao dia. “Isso nos permitiu identificar e contabilizar o impacto da queda natural do cortisol ao longo do dia, fazendo a estimativa da duração do alívio do estresse mais confiável”, disse. 

Os resultados revelaram que 20 minutos na natureza foram suficientes para reduzir de forma significativa os níveis de cortisol. Mas se você passar um pouquinho mais de tempo, como 30 minutos, a queda no hormônio do estresse é muito maior. Se passar mais do que meia hora, a queda ainda existe, mas numa taxa bem menor. 

Hunter espera que este estudo seja uma base para outros na mesma área. “Nossa abordagem experimental pode ser usada como uma ferramenta para compreender como idade, gênero, estação do ano, habilidades físicas e cultura influenciam o bem estar”, diz a pesquisadora. No futuro, a natureza poderá ser usada como ferramenta terapêutica de forma cada vez mais precisa e eficiente, além de impactar em como organizamos nossas cidades e espaços públicos. 

 

-Publicidade-