Tipos de meditação úteis para o seu esporte

Sentar-se com as pernas cruzadas embaixo de uma árvore é apenas uma - das inúmeras - maneiras de meditar

Highliner Rafael Bridi medita sobre a praia da Barra da Lagoa, em Florianópolis (SC) - Foto: Pedro Caetano

Por Bruno Romano e Mario Mele*

Infelizmente, não existe um botão em nós que liga o modo “meditação”. Apesar de ser uma jornada particular ao nosso próprio interior, é preciso treino para atingir esse estágio. A boa notícia: Mark Willians, psicólogo britânico especialista em mindfulness, garante que pessoas que meditam regularmente, além de serem mais felizes e satisfeitas, têm seus vigores físico e mental expandidos graças à prática. Analisamos a seguir algumas linhas conhecidas de meditação, identificando como cada uma delas pode ser útil ao seu esporte.

Mindfulness

Especialistas defendem que um programa de meditação de oito semanas com práticas diárias entre 3 e 30 minutos vai permiti-lo colher bons frutos de uma mudança pessoal. Você pode tornar-se, inclusive, uma pessoa que desiste menos facilmente. Em vez de encorajá-lo a remoer pensamentos, o mindfulness propõe o despertar através de situações corriqueiras, como comer um chocolate. “Escolha um que você não costuma comer”, sugere Mark no livro. “Abra a embalagem e inale o aroma antes de colocá-lo na boca. Deixe-o derreter sob a língua e o engula bem devagar.” Inspirado em técnicas de meditação budista, o mindfulness também tem sua prática inicial atrelada a orientações como sentar-se na postura ereta em uma cadeira e ficar atento à própria respiração, até que a mente descanse naturalmente. Esse é só o primeiro passo para você começar a meditar enquanto corre, pedala, escala, surfa…

Zen

Durante a Rio 2016, a esgrimista brasileira Nathalie Moellhausen declarou que, quanto mais ela conhecia os próprios medos, mais fácil conseguia vencê-los. Coincidência ou não, Nathalie, que é adepta da meditação zen, chegou às quartas de final, conseguindo o melhor resultado do Brasil na esgrima em uma Olimpíada. Apesar de seu esporte ser quase 100% cabeça, um estudo realizado em 2013 por pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, mostrou ainda que praticantes dessa meditação – cuja promessa é limpar a mente usando nada além da respiração – conseguem administrar muito melhor as dores.

Transcendental

Existem pesquisas indicando que atos de genialidade nos esportes são executados em um nível de consciência semelhante ao alcançado através da meditação. A transcendental, criada pelo guru indiano Maharishi Mahesh Yogi, pode ser um caminho revelador. Sua prática coloca a pessoa em um estado de vigilância tranquila através da entoação de mantras, cujo som e vibração têm propriedades psicoativas, segundo muitos seguidores dessa linha. O judoca brasileiro Flávio Canto, praticante da meditação transcendental, soltou golpes de gênio para ganhar medalhas nas décadas de 1990 e 2000, incluindo um bronze olímpico em Atenas em 2004.

Vipassana

Similar ao mindfulness em vários aspectos, a vipassana é uma meditação tradicional no budismo. A respiração é sentida pela barriga: segundo os adeptos, levar a consciência para essa parte do corpo deixa a mente silenciosa, além de espantar qualquer estado de humor, bom ou ruim. A prática constante tende a melhorar a atenção e, consequentemente, o desempenho em “esportes solitários”, como ciclismo, corrida e natação.

Osho

Em O Livro Orange, o indiano Osho prega o autoconhecimento através da meditação ativa. Para esse guru com fama de superstar, dançar, balançar o corpo, socar o travesseiro, cantar, fazer sexo ou praticar um esporte são momentos dignos e merecedores de total presença, já que se tratam de oportunidades reais para transcendermos nossa mente e nossas limitações. Convicto de que sentar com as pernas cruzadas embaixo de uma árvore não é o único jeito de meditar, Osho relacionou muito do comportamento zen à corrida. “Chega uma hora em que o corpo, a mente e a alma do corredor se fundem, e tudo começa a funcionar em conjunto; de repente, um orgasmo interno é liberado”, afirmou.

*Trecho da reportagem “Atento a Tudo!” publicada na edição nº 144 da Go Outside, setembro de 2017.