Uma aventura rápida pela Serra da Mantiqueira, mais precisamente pela travessia Alsene–Maromba, que liga os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais

Por Fernanda Franco e Milton Marques

Tida como um dos melhores locais para trekking no Brasil, a Serra da Mantiqueira é formada por várias cadeias de montanhas. Uma delas é a Serra Negra, que interliga o Planalto das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro, à cidade de Maromba, em Minas Gerais. A travessia que liga esses dois locais é conhecida como Alsene–Maromba e é tão tradicional quanto a Itaguaré-Marins ou a Serra Fina, picos que também ficam na Serra da Mantiqueira.

A Alsene–Maromba oferece todos os atrativos de um bom trekking: visuais que recompensam a “suadeira”, uma boa dose de endorfina – resultado de boas subidas – e aquele gostinho tão especial de dormir nas alturas. A grande diferença em relação às outras cadeias de montanhas vizinhas é que a Serra Negra abastece o trekkeiro com muita água pelo caminho.

Outra coisa bacana é que a travessia é pouco usada por turistas. Pelo caminho você tem chance de encontrar os nativos da região carregando sua produção local de mel e queijo para vender nas cidades, mas raramente um grupo grande.

Há outra travessia entre o pico do Alsene (2.400 metros) e do Maromba (1.200 metros), cortando o Parque Nacional do Itatiaia, porém ela está proibida de ser realizada, além de não ser permitido acampar no Parque. Confira abaixo o roteiro permitido dessa aventura:

1º dia: Saindo do Alsene (parte alta do Parque do Itatiaia), retorne aproximadamente 350 metros na estrada e entre numa trilha à direita que desce no sentido norte. Siga sempre pela trilha principal, bem marcada e cheia de erosões. Aproveite a montanha, já que as chances de se perder são bem pequenas. Ao final da trilha, há uma ponte caída. Cruze o rio e continue. Até aqui, você deve ter gasto por volta de três horas e meia de caminhada no passo de “cruzeiro” (sem forçar muito). O rio convida para um lanche e um ótimo banho. Continue na trilha principal que o levou ao rio, até passar por uma pequena fazenda. A partir desse ponto, comece a prestar atenção ao local de início da subida. A referência é uma porteira de arame que fica logo após o cruzamento de um córrego – você irá passar por algumas porteiras desse tipo ao longo da trilha, lembre-se sempre de fechá-las. Aproximadamente cinco metros depois da primeira porteira está o início da trilha. Abasteça-se no córrego que acabou de cruzar, já que a subida é dura e não há água. Ao final da subida, existe uma clareira para montar acampamento. Do Alsene até ali, são sete horas de caminhada, em média. Para encontrar água, siga a trilha que te levará para a esquerda em uma pequena descida e logo verá o córrego. Para chegar até aqui no primeiro dia, é importante começar a travessia bem cedo, podendo assim montar seu acampamento e encontrar água ainda à luz do dia.

2º dia: Saindo do acampamento, continue na trilha que o levou até o córrego (à esquerda). Siga por ela e haverá uma bifurcação. As duas trilhas te levam à parte de cima da serra, seu objetivo do dia. Porém, é recomendável que se use a da esquerda. Preste atenção ao cruzar um córrego, pois depois a trilha segue por uma crista bem definida até o topo sem outros pontos para matar a sede. Ao chegar ao cume, você estará numa montanha à esquerda da Serra Negra. Se você estiver com altímetro, ele deverá marcar 2.195 metros. E se São Pedro estiver do seu lado e o dia estiver claro, você verá uma bela vista deste local que é conhecido como o Morro Pelado. Depois de apreciar a Serra Negra, desça no sentido leste em direção a ponto de acampamento dessa noite. Você encontrará água na mata que está na base do morro.

3º dia: Aproveite para relaxar no acampamento um pouco mais pela manhã, já que agora é só descida até Maromba. Antes de iniciar o dia de caminhada, abasteça o cantil no córrego da base da mata. Em aproximadamente quatro horas você já estará próximo à cidade. Quando começar a perceber a civilização novamente, pode optar entre seguir pela direita e dar no centro da cidade ou pegar à esquerda, ao lado de algumas casas, e entrar na estrada à direita para tomar um banho na cachoeira de Santa Clara.

Mochila: Leve suprimentos para três dias, barraca, isolante, saco de dormir, protetor solar, roupas leves para caminhar e quentes para dormir, capa de chuva, lanterna, pares extras de meia, canivete, sacos de lixo, boné legionário, tensores para joelho e muita água.

Dica: A melhor época para fazer essa travessia é nos meses de maio a outubro. Não faça suas necessidades perto da água – lembre-se que a água usada em cima da montanha é a mesma usada pelos que vivem no fundo do vale.

Como chegar: Para chegar a Visconde de Mauá, utilize a rodovia Presidente Dutra. Entre no acesso do km 311, entre as cidades de Itatiaia e Resende (RJ), e siga cinco quilômetros pela rodovia Tramujas Mader, onde haverá um trevo com indicações. A partir deste ponto, suba a serra por mais 29 quilômetros – primeiro no asfalto e depois em estrada de terra batida em boas condições. Assim que chegar a Visconde de Mauá, você terá como opção de hospedagem as vilas de Visconde de Mauá, Maringá ou Maromba. Para contratar um transfer de Maromba até o início da caminhada, ou guia para o percurso, entre em contato com Rodrigo no (24) 9979-6354 ou ttadventures@ig.com.br