7 botas para trekking testadas pela Go Outside

Por Redação*

Uma bota para trekking precisa ser confotável e ao mesmo tempo resistente a chuva, areia, rios, etc. Além de aguentar terrenos bem acidentados e com alto grau de elevação. Sendo assim, é um investimento essencial para um bom desempenho durante uma trilha. Na edição Guia de Equipamentos de 2017 da Go Outside, um grupo de testadores escolheram as melhores botas do mercado.

Dachstein

Grimming GTX R$ 1.590

MELHOR PARA: Longas expedições de trekking e escaladas em média montanha.

Nota: 9,7

 O TESTE: Segundo um de nossos testadores, esta bota “original dos Alpes” é também perfeita para o solo brasileiro porque é imune ao contato direto com as rochas. A Grimming tem solado Vibram Mulaz Evo e cabedal em cordura, mais couro com tratamento especial. Resumindo, foi desenvolvida para as condições extremas. “E mesmo assim consegue ser uma bota muito confortável para um modelo semirrígido”, considerou um testador. O cano alto da Grimming passou segurança plena e ganhou nota 10 nesse quesito de todos que a calçaram. “Até em uma longa descida sobre pedras soltas ela foi extremamente estável”, disse um testador que fi cou com a bota no pé durante 11 horas para subir e descer o Kilimanjaro, montanha mais alta da África. “Além de ter um solado extremamente, a bota é feita com os materiais mais evoluídos que existem hoje: por exemplo, o cadarço é muito resistente, e uma borracha única que vai da biqueira até o calcanhar garante proteção fora do normal”, atestou um montanhista. Ninguém sofreu com bolhas, e todos os nossos especialistas também se impressionaram com a impermeabilidade (fora o couro especial, o cabedal tem membrana Gore-Tex). “Atravessei vários rios seguidamente com a bota, e meus pés sempre chegaram absolutamente secos do outro lado”, impressionou-se um guia de montanha. Entre as botas testadas neste ano, a Grimming GTX é a única compatível com crampons (semiautomáticos e de fi tas). “Em nenhum momento eu senti que o tranco com o gelo estava incomodando meu dedão”, notou um testador que cruzou durante horas um campo de gelo com um crampon acoplado à bota. “E até que é uma bota leve por ser semirrígida”, concluiu, satisfeito.


O VEREDITO:
Aquele investimento do qual você não se arrepende. 621 gramas; dachsteinschuhe.com | penatrilha.com.br 

Columbia

Newton Ridge Plus II Waterproof R$ 650

MELHOR PARA: Clima frio.

Nota: 8

O TESTE: No ano passado, este modelo ganhou nosso prêmio de melhor custobenefício porque, principalmente, reunia ótimas características de caimento e conforto para o clima e o terreno brasileiros. Apesar de o preço ainda se manter o mesmo, nossos testadores, por critério de comparação, acharam que este clássico modelo da Columbia fi cou um pouco para trás em termos técnicos. “É uma bota impermeável, com cabedal de couro revestido com poliuretano, camurça e mesh. Mas, com um pouco mais de investimento, você compraria a Ventrailia II, também da Columbia, que é um modelo cano médio com tecnologias mais evoluídas”, justifi cou um montanhista. A Newton Ridge tem entressola e palmilha Techlite que corresponderam na medida em terrenos pedregosos. Também não foi mal nos quesitos “estabilidade” e “conforto em geral”. “O solado é aderente, com boa tração na terra e ótima durabilidade”, disse um. Outro especialista, que andou carregado, nem sentiu o peso nos pés. Como todo calçado de couro, a bota precisa de um uso frequente até fi car macia, e claro que nossos testadores deram esse crédito a ela. Mesmo assim, é unânime que se trata de um modelo quente. “Ela ganharia pontos se seu cabedal ajudasse a evaporar mais o suor dos pés”, concluíram.

O VEREDITO: Pode ser usada na cidade e na montanha. 450 gramas; lojacolumbia.com.br 

Salomon

Quest Prime GTX R$ 1.200

Nota: 9,3

MELHOR PARA: Vários dias de caminhada.

O TESTE: Sempre comprometida em achar o equilíbrio ideal entre robustez e conforto, a Salomon defi ne a Quest Prime GTX como um “conceito inovador em um design atlético”, cujas características foram herdadas de seus modelos tradicionais. Se a X Ultra Trek GTX, outro modelo da Salomon, foi eleita o “Equipamento do Ano” em 2016 por responder bem a horas e mais horas de caminhada nos terrenos mais adversos, a Quest Prime chegou muito perto de levar o prêmio em 2017. “Achei-a versátil, perfeita tanto em lugares frios quanto quentes”, disse um testador sobre o cabedal em relação à transpiração dos pés. Mas outros dois acharam que a camurça impermeável e a membrana Gore-Tex deixaram a desejar em lugares muito úmidos. “É uma bota que retém o calor”, justifi cou. Mas nada que comprometa o conforto. Ficou comprovado que a Quest Prime comprime os pés nos pontos certos e possui uma “sobra” na ponta, perfeita para a unha do dedão não sofrer durante descidas. A sensação de segurança que ela passa também não é falsa. “Talvez um cano um pouco mais alto desse ainda mais fi rmeza ao tornozelo”, considerou um testador pensando nas pedras soltas típicas das trilhas brasileiras. Quanto à aderência, o solado Contagrip (antigo conhecido dos calçados Salomon) tirou boas notas por facilitar a passada, seja na neve ou na terra.

O VEREDITO: Design “old school” que funciona perfeitamente até hoje. 490 gramas; salomon.com/BR

Quechua 

Forclaz 500 R$ 450

Nota: 9,0

MELHOR PARA: Um rolê confortável.

O TESTE: Antes de chegar aos pés de nossos testadores, a Forclaz 500 passou por testes em laboratórios. Foi uma etapa do desenvolvimento que serviu para aperfeiçoar sua “impermeabilidade” e “respirabilidade”. Depois de aprovada nas caminhadas simuladas, nas quais chegou a ser mergulhada na água sob alta pressão, a bota também foi aprovada nas longas travessias a céu aberto. “O solado é aderente e fl exível”, elogiou um testador depois de um trekking de três dias – o Crosscontact é feito com uma borracha especial, com cravos pensados para não derrapar em nenhuma direção. Para esse mesmo testador, a Forclaz nem precisa ser amaciada. “Já é macia por dentro, e muitas vezes eu pensei até que estava usando um tênis”, disse. Apesar do cano alto, é surpreendentemente leve. “A biqueira parece mole, mas é extremamente efi ciente”, surpreendeu-se um montanhista que a gastou durante uma expedição pelos Andes. O design também agradou a todos, mas, para um dos testadores, a lingueta poderia ser um pouco mais alta – algo que, segundo ele, melhoraria o sistema de amarração.

O VEREDITO: Funcional como uma bota, confortável como um tênis. 506 gramas; decathlon.com.br


The North Face

Ultra Fastpack II Mid GTX R$ 1.000

Nota: 8,5

MELHOR PARA: Atividades intensas.

O TESTE: Uma bota The North Face você já reconhece ao olhar. “Percebese que ela é confeccionada com os melhores materiais que existem hoje”, disse um de nossos especialistas que a testou em trilhas com muitas raízes e rochas. “Tem cabedal com membrana Gore-Tex, entressola dupla de densidade e solado Vibram”, elogiou outro testador. Além disso, a marca garante que a tecnologia (não inédita, porém reformulada) Ultra Protect Cradle dá mais estabilidade ao calcanhar. “Senti meus pés fi rmes dentro da bota”, disse um dos experts. “O cadarço chega à altura da parte alta do tornozelo, o que signifi ca mais estabilidade.” E tantas tecnologias não comprometem o peso fi nal. “É uma bota extremamente leve e maleável no pé”, relataram nossa equipe de especialistas. Foi unânime, no entanto, que a biqueira poderia ser mais reforçada. “Se você der uma porrada forte numa pedra pode realmente machucar os seus dedos”, reclamou um dos montanhistas. Está mais do que provado que marca de bota é uma escolha pessoal, porém a pisada dos modelos The North Face parece bem peculiar. “Não há curvatura, a palmilha é reta e vai ganhando forma aos poucos, conforme você vai usando a bota”, explicou um testador.

O VEREDITO: Seu tipo de pisada é determinante. 432 gramas; thenorthface.com.br

Salomon

X Chase Mid GTX R$ 1.100

Nota: 8,6

MELHOR PARA: Longas travessias de poucos dias.

O TESTE: Como um modelo híbrido, entre um tênis de corrida e uma bota de trekking, esta Salomon está mais para a primeira opção. “Seria uma boa pedida para atravessar a Serra Fina em apenas um dia”, sugeriu um testador citando uma caminhada geralmente feita em mais dias. Segundo ele, para expedições ou trekkings longos, nos quais normalmente se vai com uma mochila cargueira carregada, a X Chase Mid GTX não garante boa segurança contra torções. A Salomon, marca bastante ligada à performance, pensou basicamente em leveza ao criar este modelo, cuja estrutura é de um tênis de corrida. “Não me importaria se ela tivesse 50 gramas a mais em cada pé, mas com uma biqueira um pouco mais dura”, disse um testador. Mesmo assim, ele sentiu seus tornozelos fi rmes quando encarou uma trilha com terra e pedras soltas. “Também curti a relação entre o solado (mais duro) e o sistema de amortecimento Agile Chassis” – pensado para melhorar a estabilidade em terrenos irregulares e imprevisíveis. “Sobre as rochas, isso fez a diferença”, constatou. O que mais chamou a atenção no calçado foi sua capacidade de impermeabilidade. “Enfi ei meu pé em um riacho a 2.850 metros de altitude e não entrou água”, relatou um testador. “E, durante a caminhada, nem senti que meus pés suaram”, completou, aprovando 100% a membrana Gore-Tex.

O VEREDITO: Bota anfíbia. 360 gramas; salomon.com/BR

Columbia 

Ventrailia II Mid OutDry R$ 750

Nota: 9,5

MELHOR PARA: Ir rápido em qualquer terreno. O TESTE: Uma bota “meio cano” deve ser, obrigatoriamente, leve e confortável. Quanto a isso, a Ventrailia deu um show. “Acelerei durante um trekking em alta montanha e fui correspondido: a bota absorveu completamente os impactos e ajudou a estabilizar a pisada como se fosse um tênis de corrida”, destacou um testador. O intuito da tecnologia Techlite aplicada na entressola é devolver a energia de cada pisada de modo natural. “Este foi o modelo mais confortável que eu já utilizei em um trekking”, disse outro montanhista que chegou ao topo do Kilimanjaro, na África, com a Ventrailia nos pés. “Peguei 10oC negativos e, mesmo assim, meus pés fi caram em uma temperatura boa.” Quando ele a utilizou nas trilhas de uma fl oresta equatorial, a bota se adaptou perfeitamente às temperaturas elevadas. “Para mim, isso foi uma bela prova de excelência e versatilidade para um modelo que é simples e bonito”, concluiu. Além da consagrada membrana impermeável OutDry, da Columbia, o cabedal conta com tecido mesh soldado em sobreposição, o que ajuda no suporte dos pés. Ainda no quesito “estabilidade”, a Ventrailia teve só notas altas porque seu solado, o OmniGrip, realmente grudou e tracionou em terrenos pedregosos com a mesma efi ciência descrita no manual. O VEREDITO: Além de tudo, tem uma ótima relação custo-benefício. 393 gramas; lojacolumbia.com.br

*Matéria publicada na edição nº 146 da Go Outside, novembro de 2017.