‘Não competimos umas com as outras’, diz campeã do Unbound Gravel sobre prova

Por Outside USA

'Não competimos umas com as outras', diz vencedora do Unbound Gravel - Go Outside
Foto: Reprodução/Instagram/@sofithevilla

Sofia Gomez Villafañe foi a vencedora feminina do Unbound Gravel terminando a corrida de 320 km em 10 horas e 27 minutos, sendo a 46º de um total de 1.240 pilotos. A argentina fez grandes esforços de potência na bike durante as primeiras três horas da corrida e depois foi capaz de manter um esforço constante de 3-4w/kg nos últimos 160 km.

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Poucos dias após o evento, Linda Guerrette, uma fotógrafa conhecida na cena do gravel, postou no Instagram que estava pensando em algo que havia lido sobre a corrida “que porque Sofia tinha uma vantagem considerável no início, então eu acho não houve de fato uma corrida de mulheres.”

Guerrette rebateu essa observação com a sua própria: “Essa vantagem considerável caiu para alguns minutos várias vezes durante a corrida, o que não é nada em uma corrida de gravel de 320 km. Foi uma prova pegada para todas essas mulheres durante todo o dia. Eu estava lá fora assistindo em tempo real.”

De todos os comentários posteriores ao post de Guerette, um se destacou.

A própria Sofia Gomez Villafañe entrou na conversa depois que algumas mulheres responderam o comentário com corações e emojis de mãos levantadas.

“Até que tenhamos nossa própria largada e sem regras de seleção dos homens, nunca haverá uma corrida feminina de verdade”, escreveu a vencedora do Unbound Gravel. “Os homens têm um impacto maior em como a corrida feminina se desenrola do que as mulheres reais que estão competindo.”

Quando a VeloNews perguntou se Gomez Villafañe percebeu que seu comentário poderia ser interpretado como bravata ou contra o “espírito do gravel”, ela não tentou negar o que havia dito. Ela disse novamente:

“Bem, não havia sequer uma corrida feminina. Eu nunca estava competindo com as mulheres. Eu estava correndo contra os homens. Sim, pelos resultados sou a primeira mulher a terminar e fui a primeira a terminar a prova feminina. Mas por aí, não estamos competindo uma com a outra”.

Corridas mistas x corridas femininas

Gomez Villafañe tem uma longa história de corridas contra outras mulheres.

A jovem de 28 anos começou a competir em mountain bikes cross-country no ensino médio através da liga NorCal High School, competiu em MTB e cross no nível colegial no Fort Lewis College em Durango, Colorado, e depois passou a competir no circuitos nacionais e da Copa do Mundo XC. Ela representou a Argentina nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2021.

Gravel é a primeira incursão de Gomez Villafañe nas corridas mistas, e suas experiências nos últimos dois anos inspiraram um interesse quase acadêmico em como as corridas se desenrolam. Ela disse à VeloNews que estava tentando pesquisar outros esportes em que homens e mulheres correm juntos para entender os efeitos nos resultados.

“É interessante ver como outros esportes fazem isso”, disse Gomez Villafañe. “No Steamboat, minha primeira largada em massa em uma corrida de gravel, eu não tinha ideia no que estava me metendo. Eu senti que não queria competir com as mulheres. Demorei um pouco para descobrir.”

Desde o SBT GRVL, em agosto passado, Gomez Villafañe “pegou a manha”, e com grande sucesso. Ela ganhou o BWR Asheville no fim de semana seguinte, e este ano ela ganhou a Rule of Three em Bentonville algumas semanas antes de Unbound.

Além de meses de treinamento específico para corrida e equipamentos de teste, Gomez Villafañe diz que a parte tática das corridas de gravel de elite é relativamente simples.

“Se você perguntar a uma mulher, ‘qual é o seu plano para a corrida?’ é como dizer ‘tente fazer a seleção mais rápida possível, espero que nenhuma outra mulher faça isso e que você tenha feito a seleção mais rápida e que ninguém esteja com você’”, disse ela. “Essa é a corrida de certa forma.”

Como alguns no pelotão de gravel de elite, Gomez Villafañe não é um profissional aposentado de uma disciplina diferente. Ela está construindo sua carreira como ciclista profissional, e seu trabalho é vencer corridas.

Então, dado o formato atual de gravel, onde as largadas em massa são a norma, ela está bem em correr da melhor maneira que sabe – trabalhando com homens no percurso. É 100% como ela foi vencedora do Unbound Gravel.

No entanto, ela também prevê um futuro diferente para o esporte, onde certas corridas separam mulheres de homens e profissionais de amadores.

“O jogo é jogado de uma certa maneira e estou disposta a jogar assim”, disse ela. “E isso exige habilidades. Eu amo competir com os homens. A maneira como sou empurrada está acima e além do que eu achava que era capaz. Mas também estou disposta a defender uma corrida feminina e corridas emocionantes e esse enredo. Acho que isso faria o esporte crescer”.

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