Na noite de 23 de junho, a guarda florestal Dee Gallant, 45 anos, estava caminhando com seu cachorro Murphy, em uma estrada remota de madeira a meia hora de carro de sua casa em Duncan, na ilha de Vancouver, na Colúmbia Britânica. Não demorou muito para que ela percebesse que não estavam sozinhos.

Aqui está a história dela, contada para Outside USA.


Não gosto de ir em parques com o meu cachorro, prefiro subir a montanha com ele, onde não há outras pessoas. A trilha que eu estava naquele momento era em uma área privada e não é acessível ao público, mas eu costumava ir muito lá e o proprietário não se importa.

Já era fim do dia quando comecei a caminhar, e eu iria de qualquer maneira porque Murphy precisava sair para passear.

A alguns quilômetros da estrada, pude sentir algo me observando. Você sabe quando o cabelo fica arrepiado na nuca e você sabe que algo está errado? À minha direita, vi uma sombra marrom. Então eu percebi que era um puma. Apenas um minuto antes, a cerca de 10 metros da trilha, eu tive que fazer xixi, então saí da trilha e agachei. Se eu tivesse demorado mais tempo, teria ficado agachada e em uma posição muito vulnerável quando o animal aparecesse.

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Meu primeiro pensamento depois de ver o puma foi: Isso é tão incrível. Meu segundo pensamento foi: ele está vindo em minha direção. Isso não é legal.

Eu levantei meus braços e os agitei para que parecessem grandes, mas ele continuou vindo. Então eu parei e olhei para ele e disse: “Ei, pare!”. E aconteceu.

Cachorro e o dono
(Foto: Jason Daley)

Então, lentamente, tirei meu celular do bolso para tirar uma foto, mas acabei gravando um vídeo.

O puma não foi embora. Ele fixou os olhos em mim e ficou lá comigo por provavelmente cinco minutos, mas parecia uma eternidade.

Murphy estava com uma coleira retrátil, então eu o puxei para perto. Mas Murphy não viu o puma – acho que ele estava farejando à procura de coelhos, o que provavelmente era algo melhor.

O puma e eu apenas nos entreolhamos. Chamei-o de ‘gatinho ruim’, disse que iria lutar com ele e gritei outras coisas para ver se ele iria embora. Eu não estava super assustada naquele momento. Mas eu queria que aquilo terminasse. Eu pratico kickboxing. Eu sabia que me machucaria se tivesse que lutar contra isso, mas não ia desistir.

Foi quando eu decidi que precisava fazer algo um pouco diferente, porque o puma não estava indo embora. Parei de gravar e comecei a procurar na minha playlist de músicas algo com um som bem pesado e talvez assustador.  Então eu vi “Don’t Tread on Me” do Metallica. Isso foi perfeito, exatamente o que eu queria. Aumentei o volume e apertei play. Depois de ficar tão apegado a mim e parecer tão confiante, o puma apenas se virou e pulou no mato assim que ouviu a música.

Eu não sabia o tamanho dele até virar de lado – era muito maior do que eu pensava. Eu não seria capaz encarar ele. Fiquei nervosa. Eu não tinha certeza onde ele estava naquele momento ou se ia pular em mim.

Murphy e eu continuamos nossa caminhada, mas mantive meu celular na mão, e a música pronta para tocar. Falei muito alto com Murphy e fiquei andando no meio da estrada o caminho todo. Ele ficou me olhando como se eu estivesse enlouquecendo. Mas nós conseguimos e fomos para casa.

O vídeo viralizou quando eu o publiquei no Facebook. Na semana seguinte, recebi uma mensagem da equipe do Metallica, dizendo que um dos membros da banda queria entrar em contato. Logo depois disso, eu estava sentada em minha mesa no trabalho e recebi uma ligação de um número desconhecido. Quando atendi o telefone, era uma voz super profunda dizendo: “Oi Denise, aqui é James Hetfield, do Metallica.” Quase caí da cadeira. Conversamos sobre o que aconteceu, cães e os lugares em que vivemos.

Muitas pessoas me disseram que agora não vão fazer caminhadas sem o Metallica no celular, e eu digo a eles que é ótimo. Não posso garantir que funcione – não me processe se não funcionar – mas certamente funcionou para mim. Estou feliz por estar viva.