Roteiros nacionais atrativos convidam viajantes para superar o isolamento da pandemia

Roteiros nacionais atrativos convidam viajantes para superar o isolamento da pandemia
LOTAÇÃO Aeroportos voltaram a ficar cheios: alta do dólar estimulou turismo interno (Crédito: Toni Pires)

O mundo ainda tenta compreender quais serão as transformações causadas pela maior pandemia em um século. Na área de turismo, o novo normal já trouxe uma ótima notícia para os agentes nacionais. Os brasileiros viajaram muito no ano passado, e os destinos no Brasil caíram no gosto dos turistas. Isso não aconteceu apenas pelo medo das novas variantes, do dólar alto e a economia desafiadora, que fizeram as viagens ao exterior despencar (elas representaram apenas 4,2% das viagens no ano passado). O setor passou a oferecer mais sofisticação dentro do País e algumas cidades voltaram a investir na infraestrutura turística. Com isso, os deslocamentos já superaram o período pré-Covid. No total, os embarques registrados no ano passado foram 14,2% maiores que 2019, antes do coronavírus se espalhar.

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Canela, no Rio Grande do Sul, é um exemplo do esforço que o setor empreendeu nos últimos dois anos. No início de 2021, ganhou uma passarela de vidro de 35 metros de extensão que avança sobre o Vale da Ferradura. O local é um dos mais emblemáticos da Serra Gaúcha. O Nordeste também é um dos destinos preferidos nesse momento de renascimento do turismo. “Não aguentávamos mais ficar em casa” diz Cássia Clesca, engenheira, de 55 anos, que mora em uma confortável casa com piscina em Alphaville. “Eu queria sol e praia, mas também fazia questão de fazer um roteiro cultural.” Ela, o filho Henrique, de 17 anos, e o marido Paul, de 58 anos, resolveram passar dez dias na região. Os primeiros dias foram na Praia do Forte. “Queria muito visitar a casa da torre de Garcia D’Ávila, que é um ponto histórico muito interessante”, diz ela, que já havia lido sobre o local nos livros de história do Brasil do escritor Laurentino Gomes. Além da visita diurna, a família curtiu uma balada, que atualmente é organizada à noite no mesmo endereço. “Havia várias barracas de comidas típicas e uma iluminação especial. Não ficamos muito, mas adoramos.” Além da atração, ela viu outras vantagens em ficar no Brasil. “Não havia fila para nenhum ponto turístico e estávamos todos vacinados, o que deu mais segurança.”

7,4 milhões de embarques (2021), 3,3 milhões (2020) e 6,5 milhões (2019)

O destino mais visitado do Brasil é justamente o Nordeste, principalmente a Praia do Forte e Salvador. Depois de mais de um ano trancado em casa assistindo ao aumento do número de vítimas da Covid pela TV, o brasileiro precisava espairecer. “Juntamos essa necessidade de viajar com o planejamento de viagens mais sofisticadas”, diz Roberto Neldelciu, presidente da Baztoa Turismo (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo). “Organizei um grupo para o Pantanal, que agora virou moda por causa da novela da Globo, e contratei a Marina Klink, mulher do navegador como guia. As vagas esgotaram”, diz ele, que também tem uma agência de turismo. “Não sei bem se foi por causa da pandemia, mas os grupos queriam momentos únicos, como meditar ao som de violinos ao cair do céu, no Jalapão”, conta. A paranaense Josiane Keylla dos Santos, de 42 anos, estava em um desses grupos. “A guia da minha viagem era uma professora de constelação familiar (modalidade de terapia alternativa que busca identificar causas de problemas e conflitos pessoais a partir de dinâmicas de grupo).” Josiane conta que nem queria ir para o Jalapão, parque estadual de Tocantins. Viajou por causa da experiência oferecida e porque sentia necessidade de sair de casa e da rotina. Ela não esperava que a identificação com o local fosse tão grande, a ponto de se emocionar várias vezes nas visitas às cachoeiras da região. Josiane voltou para casa, onde morava em Curitiba, vendeu tudo o que tinha e se mudou para o Jalapão.

14,2 % foi o aumento do embarques em 2021

O turismo está entre os setores da economia mais afetados pela pandemia. Em 2020, pior fase da doença, apenas 3,3 milhões de brasileiros encararam o desafio de viajar, dentro do país ou para fora . No primeiro ano da pandemia, muitas agências fecharam as portas. Nessa época foram eliminados 397 mil postos de trabalho, o equivalente a 12,8% de mão de obra, segundo a Secretaria do Trabalho. No início de 2021, o turismo estava operando com 42% da capacidade de geração de receita, mas com os passar dos meses deu uma guinada. Conforme a vacinação aumentou, o brasileiro se sentiu mais confiante para se aventurar, e o número de embarques saltou para 7,4 milhões.

“Só não conseguimos ultrapassar o ano de 2019 em faturamento”, diz Neldelciu, “Muitos clientes tinham cartas de crédito de viagens que não foram realizadas no ano anterior.” Outra questão que impacta nos números é o tíquete médio das viagens nacionais, mais baixo que o das internacionais. As operadoras alcançaram R$ 7,1 bilhões em faturamento, uma recuperação de 77,3%, quando comparado com 2020, e 44% abaixo de 2019, ano que o mercado girou R$ 15,1 bilhões. A fisioterapeuta Talita Bortolussi costumava viajar ao menos uma vez por ano para o exterior. “Estou há três anos sem sair do Brasil”, conta. Ela não é a única. As despesas dos brasileiros fora do País totalizaram US$ 5,249 bilhões, menor valor registrado nos últimos 16 anos. A redenção do setor está mesmo no turismo nacional.

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