15 roteiros para desbravar o mundo em cima de uma bike

Por Redação

bicicleta
Costa Rica: parques nacionais e praias tudo em um mesmo rolê. Foto: Shutterstock.

“UM PASSEIO DE BICICLETA ao redor do mundo começa com uma única pedalada”, lembra o experiente cicloviajante norte-americano Scott Stoll, que em quatro anos visitou 50 países e pedalou 51 mil quilômetros.

Como muitos aventureiros que já encararam a estrada com uma magrela, Scott descobriu que a bicicleta pode transformar a forma como enxergamos um destino e nossas próprias vidas.

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Quem aposta na bike sabe que essa pedalada inicial será recompensada: é saudável, não precisa de combustível e te levará a perceber tudo na velocidade perfeita – mais ágil do que a pé e mais devagar do que em um confortável carro com ar condicionado, que acaba escondendo as valiosas nuances de cada lugar.

Se você estiver disposto a viver essa experiência, seja em estradas, à beira-mar ou nas montanhas, nós te damos um empurrão em sua pedalada.

A rota do Reno

Siga as margens do famoso rio, que cruza quatro países europeus por caminhos inesquecíveis:

Que a Europa é um convite ao ciclismo não é novidade, mas talvez você não saiba que há 14 imperdíveis roteiros autoguiados cortando todo o continente. O impecável trabalho de mapeá-los chamado de EuroVelo é fruto de uma parceria da União Europeia com a Federação Europeia de Ciclismo, uma organização independente em prol da bike como meio de transporte e opção de turismo.

O roteiro Eurovelo 15 é a cereja do bolo. Ele segue todo trajeto do rio Reno, saindo dos Alpes Suíços, em Andermatt, e chegando ao Mar do Norte, em Hoek van Holland, na Holanda. No caminho, também estão cidades do interior da França e da Alemanha, com direito a passagem por nove patrimônios mundiais da Unesco, como os moinhos da cidade holandesa de Kinderdijk. Com um bom mapa em mãos, é possível traçar a melhor estratégia para cruzar o percurso completo ou fazer alguns trechos isolados.

Distância: 1.320 km.

Duração: No mínimo um mês para o trajeto inteiro.

Quando ir: De abril a outubro (se possível, fuja do mês de julho, sempre cheio de turistas de férias).

Dificuldade: Um verdadeiro passeio no parque, com pouco desnível e ótima sinalização e infraestrutura.

Pelas trilhas dos kiwis

Singletracks de primeira classe te esperam na paradisíaca Ilha Sul, na Nova Zelândia:

A Nova Zelândia merece um roteiro épico de mountain bike e, nesse quesito, o Silver Fern é uma ótima pedida. Criado pela agência de turismo Big Mountain, esse rolê reúne o que há de melhor em MTB na região. É o caso do Craigieburn, um parque florestal que abriga uma estação de esqui no inverno e é diversão pura para mountain bikers no verão.

Também fazem parte da expedição duas renomadas trilhas da costa oeste, a Maori Creek e a Blacks Point. No último dia, um rolê pela incrível trilha Queen Charllotte corta os vales alagados de Marlborough Sounds, no extremo norte da ilha, uma das paisagens mais incríveis da região.

A Big Mountain descreve o roteiro como “um cartão-postal a cada curva”. Não é exagero. Para conectar os melhores pontos de bike, a agência organiza traslados de carro, helicóptero e barco. A cidade de Christchurch é o ponto de saída e chegada para o pedal.

Distância: 50 km (média diária).

Duração: 11 dias.

Quando ir: De dezembro a abril (há três opções de pacotes durante o período).

Dificuldade: Ideal para quem curte subir um morro e não “trava” de medo em um downhill de nível médio.

“Velho oeste” australiano

Lance-se em uma jornada por florestas aborígenes e cidades pitorescas do oeste da Austrália:

O “caminho através da floresta” ou Munda Biddi, em língua aborígene, é um sonho de cicloativistas locais que virou realidade. Finalizada em 2013, a Munda Biddi Trail é uma rota especialmente pensada para bike, com cerca de 1.000 quilômetros, divididos em nove trechos, entre Mundaring (a cerca de 30 quilômetros de Perth) e Albany, no extremo sul da Austrália. Quem não quiser encarar todo o desafio pode escolher trechos pontuais.

No caminho, há campings rústicos com infraestrutura básica, mas também é possível pernoitar em pousadas de cidades interioranas. Com sorte, é possível cruzar os wallabies, espécie de pequenos cangurus típicos do país. O site da trilha (mundabiddi.org.au) conta com atualizações do estado do percurso e dicas de bicicletarias, hospedagem e alimentação descritas nos mapas dos nove trechos.

É bom checar também as condições climáticas (bom.gov.au) antes de encarar o pedal. Para grupos de oito ou mais pessoas, é necessário preencher um formulário específico. A ideia é ajudar a Fundação Munda Biddi a cuidar da organização e da preservação de toda a trilha.

Distância: 1.000 km.

Duração: Pelo menos dez dias para o trajeto completo.

Quando ir: Durante todo o ano o clima é ameno, mas tente escapar do alto verão.

Dificuldade: Para quem curte estradões de terra com doses curtas, porém desafiantes, de sobe e desce.

Rolê épico no Grand Canyon

Explore um patrimônio da humanidade do jeito mais legal que existe:

Sim, você pode conhecer o Grand Canyon e o Zion, dois dos parques nacionais mais famosos dos EUA, pedalando. Agradeça a oportunidade à Adventure Cycling Association (adventurecycling.org), uma organização norte-americana sem fins lucrativos que, desde 1973, incentiva a bike como meio de transporte em viagens – já são mais de 40 mil quilômetros de estradas mapeadas nos EUA e no Canadá.

O Grand Canyon Connector é um roteiro autoguiado de 900 quilômetros, com 2.000 metros de desnível acumulado. Ele liga Cedar, em Utah, a Tempe, no Arizona. Enquanto a maioria dos visitantes percorre o Grand Canyon em ônibus turísticos com horários programados, os ciclistas têm liberdade total para circular. Antes de viajar informe-se sobre demais regras em áreas protegidas nos EUA (nps.gov), como a cobrança para circular de bike e a necessidade de reservas para acampar. Faça um bom planejamento de suprimentos e água, já que há vários pontos inóspitos pelo caminho.

Em regiões de deserto, deve-se estar preparado para repentinas tempestades de areia – tenha sempre em mãos algo para cobrir o rosto. A rota inclui um trecho opcional de 80 quilômetros (ida e volta) pela borda norte do Grand Canyon. São duros 2.500 metros de desnível, recompensados pela região mais bonita e remota do parque, além do contato com os nativos da reserva indígena de Navajo.

Distância: 900 km.

Duração: Ao menos 20 dias para o percurso completo.

Quando ir: Entre setembro e outubro, aproveitando um clima mais ameno e o menor tráfego de veículos.

Dificuldade: Para viajantes mais experientes, que dominam a arte de acampar e se viram bem quando estoura um raio da bike.

Tour dos vulcões

Na Costa Rica, conheça de perto vulcões, parques nacionais e praias, tudo em um mesmo rolê:

O lema da Costa Rica é “pura vida”, mas suas trilhas poderiam facilmente se chamar “pura bike”. O país é reconhecido internacionalmente por sua exemplar política de preservação ambiental, e a bicicleta virou uma ótima forma de explorá-lo.

O Tour dos Vulcões já pode ser considerado um clássico nas agências especializadas locais, como a Bike Arenal e a Pura Vida Ride. Em cinco dias de pedal (sete no total, contando chegada e retorno), é possível se aproximar pedalando dos vulcões Arenal e Tenorio.

O roteiro da Pura Vida Ride inclui passagens pelos Parques Nacionais de Santa Rosa e de Rincon de La Vieja, enquanto o passeio da Bike Arenal explora os estradões de terra ao redor da típica vila La Tigra. Ambos os rolês acabam em Guanacaste, uma receptiva região de praias banhada pelo Mar do Caribe.

Distância: 150 km.

Duração: Sete dias.

Quando ir: De novembro a abril, aproveitando o bom tempo e a menor possibilidade de chuva.

Dificuldade: Para mountain bikers de nível intermediário que não se assustam com pequenos e desafiantes morros.

O melhor segredo da Europa

Liubliana, a capital da Eslovênia, parece ter sido feita para andar de bike

Fora dos grandes roteiros turísticos, a Eslovênia é daqueles lugares que despertam dois pensamentos: “Que sorte eu ter parado aqui” e “como eu não vim para cá antes?”. Com cerca de 270 mil habitantes, Liubliana é a capital do país e um convite para o pedal – imagine as facilidades para bicicletas de Amsterdã, sem a mesma multidão, junto das belezas da Suíça, só que com preços mais em conta.

O sistema de aluguel de magrelas de Liubliana registra centenas de milhares de empréstimos por ano. São dezenas estações que funcionam 24 horas por dia durante toda a semana. Para passeios ao redor da cidade, a agência Ljubljana Bike Tours tem ótimas opções de roteiros diários, como o Green Ring, que circunda toda a região central da cidade em 35 quilômetros.

Aproveite, pois, aos poucos, o “segredo” está sendo revelado. Neste ano, Liubliana foi vice-campeã da lista do guia Lonely Planet com locais a serem visitados na Europa, perdendo apenas para a Grécia. Em junho, a capital venceu o prêmio de cidade mais verde da Europa. Por isso corra para lá logo, de preferência pedalando.

Distância: 10 km a 35 km diários.

Duração: Há ótimos roteiros de um dia.

Quando ir: Entre junho e agosto, no auge do verão europeu, quando o sol brilha e as temperaturas são agradáveis.

Dificuldade: Você vai completar tranquilamente os roteiros mesmo parando para um sorvete (ou uma cerveja).

Pérolas alentejanas

Mergulhe nas vinícolas e nos monastérios de uma região histórica de Portugal:

Estradas tranquilas, boa comida e uma paisagem inspiradora. Se for esse o cenário que você busca em uma viagem de bike, a região de Alentejo, em Portugal, te satisfará por completo. Espalhada a sul e leste de Lisboa, a província reúne pequenos vilarejos como Évora, patrimônio mundial da Unesco, e Vila Viçosa, sede do Palácio dos Duques de Bragança, a última residência da monarquia portuguesa.

Além da histórica Marvão, com cerca de 500 habitantes, já na divisa com a Espanha. Em cada cidadezinha é possível encontrar monastérios dos séculos XV e XVI, agora transformados em aconchegantes pousadas. Estradões com grandes plantações de uva e trigo te levarão até essas localidades.

É possível explorar a região de forma autônoma, mas agências especializadas organizam roteiros de 160 e 380 quilômetros, respectivamente. A vantagem das agências é pedalar livre de malas e garantir hospedagens nas pousadas, mas nada impede que você faça o mesmo passeio sozinho.

Distância: 160 km ou 380 quilômetros

Duração: Sete dias.

Quando ir: Na primavera europeia, entre março e junho, quando há menos turistas e as temperaturas são mais agradáveis.

Dificuldade: Nesse roteiro, os trajetos têm distância razoável, mas pouco desnível – a medida certa para suar a camisa e repor as energias com comida típica e vinho no fim do dia.

Pelo litoral do Mar do Norte

Uma rota de 6 mil quilômetros e paisagens alucinantes por oito países da Europa:

Em 2003, dois anos depois de ser estabelecida, a North Sea Cycle entrou para o livro dos recordes como “a rota de cicloturismo mais longa do planeta”. A ideia de um trajeto megalomaníaco não é em vão: quem o encara do começo ao fim pedala por oito países e corta uma variedade incrível de cenários, apesar de o pedal ser feito inteiramente por estradas que beiram o litoral do Mar do Norte. Comece em Shetland, na Escócia, e desça até a Inglaterra. Continue pela Bélgica, Holanda e Alemanha e feche a conta na Escandinávia, cortando Dinamarca, Suécia e Noruega. Os lugares variam bastante: se na Inglaterra você vai passar por florestas e castelos, na Alemanha terá a chance de explorar a vida rural local. O percurso cheio tomaria pelo menos uns três meses de qualquer cicloturista calejado, mas o melhor desse roteiro é a possibilidade de percorrer somente os trechos que achar mais conveniente – pelo tempo disponível ou pelos lugares que você têm mais vontade de conhecer. Leve uma barraca. No site oficial, você encontra uma lista de campings que encontrará pelo caminho. Albergues também são comuns em grande parte do percurso.

Distância: 6.000 km

Duração: No mínimo três meses para fazer o trajeto completo, mas é possível completar alguns trechos em poucas semanas.

Quando ir: Entre maio e setembro, para fugir do inevitável inverno chuvoso da região.

Dificuldade: Para ciclistas de todos os níveis, que apreciem pedalar e curtir a vida na estrada.

Mil e uma noites no Marrocos

Visite cidades de contos de fada e aprecie a rica cultural local a bordo de sua magrela

O Marrocos é um dos países mais fascinantes da África, porém não conta com a mesma infraestrutura da Europa ou dos Estados Unidos para quem deseja explorá-lo de bike. Isso não significa que seja impossível conhecer a região com sua magrela, mas nesse caso é preciso planejar direito e com antecedência e estar preparado para encarar as dificuldades com bom humor – o jeito hospitaleiro dos marroquinos e a boa comida ajudam nessa doce missão.

Outra pedida é fechar um roteiro com a agência Morocco Imperial Bike (moroccoimperialbike.com.br), para se aproveitar ao máximo as belezas da costa do Atlântico e das montanhas do interior. Essa agência é uma sociedade entre um pai marroquino e seu filho brasileiro – atualmente eles moram entre os dois países e são profundos conhecedores de bike e do Marrocos.

Há duas opções: uma é se lançar em um pacote fechado de dez dias, cuja rota corta as cidades de Tanger, Ifrane, Meknes, Marrakech e a capital, Rabat. Nela, o pedal tem uma média diária de 30 quilômetros. Outra possibilidade é montar seu próprio roteiro, e a vantagem disso é fechar grupos só com bikers mais experientes, que giram mais rápido do que a maioria. A Morocco Imperial Bike te dará o mapa da mina, com agilidade e segurança.

Distância: 300 km.

Duração: Dez dias.

Quando ir: Entre janeiro e maio ou entre setembro e dezembro. Nos meses de junho, julho e agosto, o calor da região e a muvuca de turistas impedem o rolê.

Dificuldade: Para ciclistas de todos os níveis. Se preferir um pedal mais performance opte pelos roteiros personalizados.

Cruzando a grande cordilheira asiática

Desbrave esse corredor inteiramente pedalável entre um mar de montanhas acima de sete mil metros:

A jornada é composta por uma extensa rodovia construída entre os anos 1960 e 1970 que corta a China (400 quilômetros) e o Paquistão (890 quilômetros). Conhecida como Karakoram Highway, esse estrada cruza a cordilheira homônima e, nas partes mais baixas, têm suas geleiras cobertas por um cascalho negro. Mas a estrada é conservada e altamente recomendada para o pedal.

O melhor é sair de Kashgar (província de Xinjang, no oeste da China) e seguir rumo a Islamabad (capitão do Paquistão). Quem já encarou o rolê de bike garante que é uma das melhores misturas existentes entre o prazer e a sensação de aventura. Na parte chinesa, o ambiente é mais inóspito e há longos trechos com pouquíssima infraestrutura para turistas. Por isso, é preciso bom planejamento para encarar esse passeio de bicicleta.

Já no Paquistão, as distâncias entre os vilarejos são curtas, e existem vários albergues pelo caminho. A receptividade do povo paquistanês que mora na montanha só deixa a aventura ainda mais incrível. Durante todo o trajeto, você é acompanhado pela imponente beleza natural da cordilheira de Karakoram, que tem mais de 60 picos além dos sete mil metros (entre eles o famoso K2).

Distância: 1.300 km.

Duração: No mínimo um mês.

Quando ir: Nos meses de maio, junho, setembro e outubro, quando as temperaturas estão amenas e quase não chove.

Dificuldade: A estrada é segura e está em boas condições. Vá com a mente aberta e muita disposição para vencer vales profundos e chegar aos 4.690 metros de altitude em cima da sua bike. Trata-se de um roteiro indicado para aventureiros que curtem viagens mais exóticas.

Deixe a civilização para trás

Visite sem pressa todo o Alasca até onde a bicicleta chega

A partida de um dos roteiros mais inóspitos – grande parte em estilo autossustentável – se dá em Anchorage, a cidade mais populosa do Alasca. O itinerário é da Adventure Cycling Association (dventurecycling.org), uma organização sem fins lucrativos que também indica essa viagem em moldes rústicos (você carrega todo seu equipamento e acampa pelo caminho), mas totalmente viáveis.

As rodas começam a girar para valer na antiga rodovia Glenn, e alguns dias depois na Richardson, entre cenários onde reinam montanhas nevadas. Logo no segundo dia de pedal você acampará nas margens do rio Matanuska, cercado pela autêntica paisagem de “natureza selvagem” e custando a acreditar que aquilo tudo é real. Há subidas duras, mas que serão compensadas por encontros com animais locais, como gansos do Canadá, andorinhas do Ártico, águias, ursos, alces e raposas. Sem contar os jantares fartos em alguns hoteis programados ao longo do percurso.

Na segunda metade da viagem, a rodovia Denali deixa o asfalto para trás, mas agrada aos bikers pelo tráfego de carros quase inexistente e pelas poucas subidas. O 12º dia é um dos pontos altos do roteiro: depois de pedalar próximo ao rio Nenana, eis que surge o imponente Monte McKinley, a montanha mais alta da América do Norte, com 6.168 metros de altitude. O último dia de pedal é pela rodovia George Parks, pavimentada e que praticamente só desce até chegar ao Parque Nacional Denali, onde haverá uma confraternização de despedida.

Distância: 700 km.

Duração: Roteiro de 15 dias, sendo 12 dias de pedal.

Quando ir: Entre junho e agosto. Em julho os dias têm 18 horas e a temperatura pode chegar aos 25ºC.

Dificuldade: A estrada varia entre asfalto e terra (com cascalho) e, apesar de você não precisar ter muita habilidade técnica, terá que estar em forma para aguentar uma média diária de pedal próxima de 60 quilômetros.

Desapego na costa do Uruguai

Vilas de pescadores acolhedoras e belas praias integram esse roteiro inesquecível que é “logo ali”:

Os sinais de liberdade emitidos pelo Uruguai vão além do que você está pensando. Nosso vizinho austral tem como prioridade as políticas em favor da natureza e da sustentabilidade. Pelo Chuí, você pode entrar pedalando no país e descer 45 quilômetros até Punta del Diablo, um povoado de pescadores do Departamento de Rocha que é um dos principais destinos de verão do país.

A melhor alternativa para fugir da multidão de turistas é Barra de Valizas, onde os preços ainda são para mochileiros. Até lá, são 57 quilômetros, sendo sete pela praia e outros 50 alternando entre as Rutas 9 e 10, que passam próximas à costa. O clima rústico e pacífico impera em Valizas, e você terá a chance de acampar bem próximo à praia. Se ainda quiser seguir em frente, há La Paloma (cerca de 60 quilômetros mais ao sul), onde fica o Beach Hostel. É hora de se jogar e aproveitar a praia de Balconada, onde rolam boas ondas e um por do sol deslumbrante.

A pouco menos de 100 quilômetros ao sul fica o luxuoso balneário de Punta del Este, que no verão recebe mais de 200 mil turistas. Para honrar a intenção de o Uruguai ser um real destino para ciclistas, há um eficiente sistema de aluguel de bicicletas no Departamento de Rocha: você pode pegá-la numa praia e devolvê-la em outra (biciuruguay.com.uy). Perfeito, não?

Distância: 260 km.

Duração: Uma semana indo rápido ou duas curtindo cada lugar em dobro.

Quando ir: No verão, entre dezembro e fevereiro, para curtir a praia.

Dificuldade: Fácil e agradável, mas que já dá a real sensação do que é viver na estrada.

Circuito das Araucárias

Um roteiro perfeito para quem quer visitar o Brasil e curtir a vida na estrada

Criado em 2012, o Circuito das Araucárias passa por quatro municípios do interior de Santa Catarina (Campo Alegre, Corupá, São Bento do Sul e Rio Negrinho) e contempla atrativos naturais variados, entre mata atlântica, florestas de araucárias e cachoeiras. Ao todo são 250 quilômetros de estradas de terra em bom estado de conservação, mas com várias seções de subidas pouco recomendadas para quem não está com o pedal em dia.

O percurso é inteiramente sinalizado por placas e, ao longo do caminho, o ciclista carimba o “passaporte” emitido pela Secretaria de Turismo de São Bento do Sul, cidade a 100 quilômetros de Curitiba – o ideal é reservar um dia antes de começar o pedal para se inscrever nesse circuito. É normal levar entre seis e oito dias para concluir o trajeto, que além de tudo é uma bela imersão nas culturas alemã, polonesa e italiana do interior do Brasil.

A variedade de hospedagens pelo caminho possibilita diferentes planejamentos. Por exemplo, você pode esticar mais o pedal em um dia e suavizar no outro, e vice-versa. Ainda assim, alguns trechos são isolados, sem restaurantes ou mercearias, mas nunca faltam lugares para se conhecer e curtir, como a Estrada Dona Francisca, em Campo Alegre, que conserva trechos originais de sua construção, da metade do século 19.

Distância: 250 km.

Duração: Uma semana.

Quando ir: O ano todo.

Dificuldade: Recomendado para quem está acostumado com subidas longas com a bike carregada.

Natureza e calmaria na Canastra

Descubra as atrações da serra mineira e viva uma grande experiência em duas rodas

Localizado no centro-sul de Minas Gerais, o Parque Nacional da Serra da Canastra é recortado por pequenas estradas de terra que levam a inúmeras cachoeiras e outras paisagens extremamente preservadas.

Uma viagem de bicicleta por lá exige bom senso de orientação e planejamento. Para quem chega por Franca (SP), a aventura começa em Delfinópolis (MG). Desse ponto sai uma estrada de terra que se transforma na Serra das Sete Voltas, uma dura subida cujo destino é a portaria do parque da cidade Sacramento.

O acesso das bikes ao interior desse Parque Nacional é permitido, no entanto é proibido pernoitar lá dentro – e as portas fecham às 18 horas. Para cruzá-lo de ponta a ponta são 65 quilômetros, mas, mesmo que você consiga fazer isso em um único dia, estaria deixando de visitar os lugares mais interessantes. A alternativa, então, é seguir rumo à Portaria São João Batista, que marca exatamente a metade do trajeto. Próximo a essa saída há um vilarejo bem receptivo e ideal para se acampar por uma noite. No caminho, você passará pelo mirante Casa de Pedra e pelas cachoeiras do Rolim e Casco D’Anta – nesta última encontrará um camping de alto nível próximo à saída homônima, que segue em direção à cidade de São José do Barreiro (MG).

É também na Canastra onde nasce o rio São Francisco, que logo se transforma em uma cachoeira de 180 metros. Mas grande parte do trajeto é pela crista, entre a vegetação rasteira. Por isso uma boa dica é levar bastante água e roupas leves para se proteger do sol. O fim do passeio se dá na portaria de acesso à cidade de São Roque de Minas, que tem excelente infraestrutura turística, com bares agradáveis e pousadas para todos os bolsos.

Distância: 500 km.

Duração: 15 dias.

Quando ir: Entre abril e outubro, durante a estiagem.

Dificuldade: Indicado para bikers de nível avançado, mais pela dificuldade de orientação do que pelas fortes subidas. Acesse o site clubedecicloturismo.com.br para saber mais detalhes.

Rolê de chapar

Na Chapada dos Guimarães, você pedala se sentindo em outro planeta:

Distante apenas 60 quilômetros da capital Cuiabá (MT), a Chapada dos Guimarães é bem menos procurada do que as da Diamantina e dos Veadeiros, mas não menos interessante: cachoeiras, cavernas, lagos e trilhas estão ao alcance das bicicletas nesse pedaço privilegiado do cerrado brasileiro, onde as rochas foram caprichosamente esculpidas pelo tempo.

De bike, siga para o Vale do Rio Claro, onde imperam os famosos paredões dessa chapada. Em estrada asfaltada e com pouco movimento, você passará antes pelo Vale dos Dinossauros, que tem esse nome graças às exóticas formações daquele arenito avermelhado.

O rio Claro faz companhia durante todo esse trajeto, e paradas para se banhar ali são inevitáveis. Outro atrativo impressionante da chapada mato-grossense são as pinturas rupestres, extremamente conservadas e que nos dão a chance de entender um pouco do homem da pré-história. O retorno a Cuiabá de bicicleta é altamente recomendado: uma estrada só com descidas e um visual alucinante te fará apertar os freios várias vezes para tirar fotos.

Distância: 250 km.

Duração: Cinco dias.

Quando ir: Entre abril e setembro, já que nos outros meses chove muito.

Dificuldade: Apesar de a distância não assustar, há trilhas técnicas com subidas e descidas pela Chapada dos Guimarães, muitas vezes expostas ao sol.

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