Não é nada novo o fascínio que nós temos pelas cobras. Eu, pelo menos, sempre achei isso, por causa da beleza de seus padrões, pelo modo com que se locomovem e, principalmente, por serem um dos poucos animais que enfrentam e podem até matar o homem. Isso sempre venceu o medo de tomar uma picada de cobra.

No Brasil, temos 265 espécies de cobras, sendo que apenas 20% consegue inocular veneno em suas presas. Essas são as chamadas serpentes peçonhentas. Elas pertencem a apenas duas famílias: Elapidae e Viperidae. Na primeira família, onde se encontram as najas indianas e as mambas africanas, temos como representante no Brasil as cobras corais, de veneno neurotóxico potente, mas pouco agressivas e com presas pequenas e curvas. Por esse motivo os acidentes com corais, apesar de graves, são raros.

Já na família Viperidae temos os gêneros Crotalus das cascavéis, o Lachesis da gigante amazônica surucucu e o Bhotrops, responsável pela grande maioria dos acidentes ofídicos no Brasil, representado pelas jararacas, urutú, caiçaca e jararacuçu. Resumindo, as cobras peçonhentas que causam acidentes ofídicos no Brasil são, por ordem de importância, as jararacas, cascavéis, surucucus e corais.

Não custa lembrar que nem toda picada de cobra é igual. Serpentes não-peçonhentas também podem causar acidentes e que nem sempre as peçonhentas conseguem inocular veneno na hora da mordida.

Cerca de 40% dos pacientes atendidos no Hospital Vital Brazil (do Instituto Butantan de São Paulo) são picados por serpentes consideradas não-peçonhentas ou por serpentes peçonhentas que não chegaram a causar envenenamento (também chamadas de mordidas secas).

Como reconhecer qual espécie de cobra causou o acidente?

Geralmente isso será feito pelo médico que está acostumado a tratar esse tipo de ocorrência, mas em geral o acidente botrópico (causado por serpentes do grupo das jararacas) apresenta dor e inchaço no local da picada, às vezes com manchas arroxeadas e sangramento pelos orifícios da picada, sangramentos em gengivas, pele e urina. Pode evoluir com complicações como infecção e necrose na região da picada e insuficiência renal.

Já o acidente laquético (causado por surucucus) apresenta um quadro semelhante ao acidente botrópico, além de vômitos, diarréia e queda da pressão arterial.

O acidente crotálico (causado por cascavéis) causa no local da mordida uma sensação de formigamento, sem lesão evidente; dificuldade de manter os olhos abertos, com aspecto sonolento, visão turva ou dupla, dores musculares generalizadas e urina escura.
E por fim, o acidente elapídico (causado por corais verdadeira) não se observa alteração importante no local da mordida e as manifestações do envenenamento caracterizam-se por visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento.

O tratamento de um acidente botrópico (quase 90% dos casos) é feito com até 20 ampolas de soro antibotrópico, dependendo da gravidade e reações anafiláticas graves são comuns, por isso a importância da vítima ser levada a um hospital sempre!

Os tipos de soros produzidos no Brasil

Antibotrópico = contra acidentes de jararaca
Anticrotálico = contra acidentes de cascavel
Antilaquético = contra acidentes de surucucu
Antielapídido = contra acidentes de cobra-coral
Anticrotálico-botrópico = contra acidentes com cascavéis e jararacas
Antibotrópico-laquético = contra acidentes com cascavéis e surucucus

Conheça algumas dicas para evitar picada de cobra

Não ande descalço. Sapatos, botinas, botas ou perneiras evitam 80% dos casos de picada de cobra;

Tenha cuidado ao manipular lixo e entulho;

Mantenha quintais e casa limpos;

Use luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem. Nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros e em espaços situados em montes de lenha ou entre pedras;

Não utilize diretamente as mãos ao tocar em sapé, capim, mato baixo, montes de folhas secas. Usar sempre um pedaço de pau, enxada ou foice, se for o caso;

Não deposite ou acumular material que possa ser descartado perto da habitação rural, como lixo, entulhos e materiais de construção. Procure manter sempre a calçada limpa ao redor da casa;

Controle o número de roedores existentes na área de sua propriedade. Além de diminuir outros problemas de saúde pública, a diminuição do número de roedores evita a aproximação de serpentes venenosas que deles se alimentam;

Não arme acampamento perto de plantações, pastos ou matos denominados “sujos”, regiões onde normalmente há roedores e um maior número de serpentes;

+ É verdade que cobras bebês são mais venenosas que as adultas?

Quando for se atrever a dormir em locais como estes (foto acima) , por falta de opção ou para não congelar de frio, olhe muito bem ao redor antes de esticar seu saco de dormir.

Não faça piquenique às margens de rios ou lagoas. Procure manter uma distância segura e evite também encostar em barrancos durante a pescaria;

Manuseio de serpentes vivas deve ser feito com laço de luz ou com ganchos apropriados, por pessoas treinadas e com aptidão para o ofício. Não toque em serpentes, mesmo que pareçam mortas, pois por descuido ou inabilidade há o risco de ferimento nas presas venenosas e elas podem não necessariamente estarem mortas;

Tampe as frestas e buracos das paredes e assoalhos;

Quando entrar em matas de ramagens baixas, ou em pomares com muitas árvores, páre no limite de transição de luminosidade ou esteja munido de laterna ou headlamp para iluminar a trilha;

Se por qualquer razão tiver que abaixar-se, além de olhar bem o local, bata na vegetação ou nas folhas. A coloração da jararaca e da cascavel se confunde muito com a das ramagens e folhas secas. Muitos acidentes ocorrem porque a pessoa não percebe a presença da serpente;

Evite a aproximação da vegetação muito próxima ao chão, gramados ou até mesmo jardins durante o amanhecer e o entardecer, tanto em sítios, fazendas, chácaras ou acampamentos. É nesse momento que as serpentes estão em maior atividade;
Proteja os predadores naturais de serpentes, como as emas, as siriemas, os gaviões, os gambás e cangambás. Isso fará com que a população delas permaneça controlada naturalmente.

O que fazer após um acidente?

  • Mas se tiver ocorrido o acidente, e for o caso de remediar saiba o que fazer!!!
  • Na ocorrência de um acidente e até que se possa iniciar o tratamento devemos remover anéis e pulseiras
  • Hidrate a vítima com goles de água
  • Lave o local com água e sabão pois as infecções secundárias são comuns
  • Coloque a vítima deitada com o membro afetado levantado, evite movimentações desnecessárias
  • Providencie o transporte para um centro especializado
  • Qualquer outra substância, torniquetes, cortes, punções, sucções ou manobras são totalmente contra-indicadas.

Mitos que só agravam e pioram a situação

  • Amarrar ou fazer torniquetes
  • Colocar qualquer substância ou produto na região da picada
  • Cortar ou chupar o local da picada
  • Dar bebida alcoólica ou querosene ao acidentado

 

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