Nova rota de cicloturismo é inaugurada ligando Matias Barbosa a Petrópolis

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Grupo inaugura rota cicloturismo na RJ-134, mais conhecida como Estrada União e Indústria. Foto: Ricardo Sartini / Divulgação / O Tempo

O cicloturismo é um dos caminhos mais promissores para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, aliando conservação ambiental, fortalecimento da nossa cultura e distribuição de renda. Diariamente estão surgindo iniciativas por todo país, partindo principalmente de grupos de MTB e de cicloturismo.

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No último sábado (19), um grupo de nove ciclistas inaugurou uma rota cicloturismo na RJ-134, mais conhecida como Estrada União e Indústria, percorrendo 124 km entre os municípios de Matias Barbosa, em Minas Gerais, e Petrópolis, no Estado do Rio. Foi a primeira vez desde 2011, quando completou 150 anos, que a antiga via de passagem da família imperial fica em evidência.

O projeto de uma rota de bike com pegada cultural na Zona da Mata já era acalentado há anos pelo professor de história Ricardo Sartini, que antes da pandemia juntou oito amigos e criou o grupo Pedal Real Cicloturismo. A primeira expedição aconteceu 2019, quando foi mapeado vários pontos do trajeto e estudado a viabilidade de criar a rota para os adeptos do pedal.

A rota Pedal Real tem como mote a antiga estrada União e Indústria, concluída em 1861, que complementava o projeto da primeira ferrovia do Brasil construída por Visconde de Mauá, no Brasil Império. Misturar bike e história também era um antigo sonho do professor: “Se antes a gente viajava de carruagem de Juiz de Fora a Petrópolis, agora vai ser de bicicleta”, brinca.

Margeando rios e contornando montanhas, o grupo partiu da estação ferroviária de Matias Barbosa, antiga sede da Cia. Estrada União e Indústria, e fez a primeira parada em Simão Pereira, uma das sete cidades do percurso — as outras são Areal, Três Rios, Comendador Levy Gasparian, Simão Pereira e Juiz de Fora — para apreciar um chafariz talhado em pedra.

Outras paradas estratégias foram realizadas no percurso para apreciar outros monumentos, entre eles a estação Cia U&I, hoje Museu Rodoviário, em Mont Serrat, as pontes históricas sobre o rio das Garças, em Três Rios, e sobre o rio Pianha, em Alberto Torres. Sartini considera a localização da rota privilegiada, porque permite desviar do caminho e estender o passeio até o santuário de Aparecida (SP) e Paraty (RJ).

Curiosidades

Duas curiosidades históricas no trajeto são Sebollas, distrito de Paraíba do Sul, onde foi esquartejado o corpo do mártir da Inconfidência mineira Joaquim José da Silva Xavier — hoje, sede do Museu Tiradentes — e a Fazenda Santa Clara, considerado no final do século XIX o maior centro de reprodução de escravos no Brasil. Para chegar lá, é preciso desviar do caminho no sentido Santa Rita de Jacutinga.

A rota guarda ainda outras curiosidades históricas: nos antigos caminhos da União e Indústria, que serviu de escoamento de comércio e produtos a partir de 1865, ainda estão a primeira usina hidrelétrica do país, o primeiro laboratório de biologia veterinária e um antigo posto de registro de tropeiros instalado no Caminho Novo da Estrada Real.

“Essa nova rota busca a integração e desenvolvimento de duas regiões, Zona da Mata mineira e Sul Fluminense, na região Serrana, que são unidas pela histórica estrada. É também uma iniciativa da sociedade civil que visa transformar a rota de cicloturismo em um marco denominado ‘Sete Cidades Irmãs'”, salienta o ciclista Ricardo Sartine.

Fonte O Tempo

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