Nos paredões de calcário da imponente Serra do Cipó nasce uma história que se entrelaça com a própria essência da escalada. ‘Nó de Cravo, o segundo livro da jornalista e escritora Mariana Grebler, é uma ficção sobre o universo da escalada, mas que reúne elementos reais e histórias de personagens que fazem deste esporte um estilo de vida.

Localizada no coração de Minas Gerais, a Serra do Cipó se tornou, ao longo dos últimos anos, um dos polos mais importantes da escalada em rocha no Brasil. Entre encostas, rios cristalinos e montanhas, é um destino obrigatório para os amantes do esporte, além de berço de uma nova geração de atletas talentosos.

Veja também
+ La Vuelta al Mundo: Felipe Camargo encadena a via mais sinistra da Colômbia
+ Estrela da escalada esportiva, Janja Garnbret vira personagem de livro infantil
+ Recordista mundial de highline, Rafa Bridi participa de série no Disney+

É nesse cenário que começa a história de Maria Eduarda, a Duda, uma menina que, em meio às adversidades do mundo pós-pandêmico, encontra na escalada o seu modo de vida. Personagem principal do livro, Duda é inspirada pelas belezas naturais da Serra do Cipó e por pessoas que acreditam no poder transformador do esporte, mesmo quando a escalada ainda era pouca conhecida no Brasil.

Capa do livro Nó de Cravo, de Mariana Grebler.

Com o apoio da comunidade local, Duda trilha um caminho de superação que a levará, anos mais tarde, a alcançar o topo do mundo no cenário da escalada esportiva: a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2040, um futuro não tão distante. A história, contada pela visão de uma atleta saudosa, também é uma narrativa sobre amadurecimento, autodescoberta e a importância de cair e recomeçar, lições que a autora conhece na pele.

Mineira de Belo Horizonte, Mariana Grebler já percorreu diferentes vias — trabalhou como jornalista em Londres e São Paulo nas áreas de música e moda, mas foi na Serra do Cipó que encontrou seu verdadeiro ofício. Em 2023, lançou seu primeiro livro, O Teatro da Fama, um mergulho nos bastidores da indústria do entretenimento. Agora, em Nó de Cravo, ela transformou sua paixão pela escalada na espinha dorsal de uma história que mistura ficção e realidade, refletindo muito da sua vivência nas rochas.

“Aqui na Serra do Cipó estou rodeada de grandes escaladores. O Felipe Camargo, por exemplo, esteve aqui no ano passado e mandou a via mais graduada do Brasil, que se chama Auto Retrato. Então sou muito inspirada por esse ambiente”, detalha a autora.

Por isso, Nó de Cravo também reúne histórias de personagens reais, que se fundem com a a imaginação da escritora.

Em ‘Nó de Cravo’, a autora Mariana Grebler transforma sua paixão pela escalada em literatura. Foto: Arquivo Pessoal.

“Através dos olhos da Maria Eduarda eu conto o que eu vivenciei aqui na Serra do Cipó, que foi uma evolução do esporte da pandemia para cá, coincidência ou não quando ele entrou nas Olimpíadas. Escaladores do Brasil inteiro começaram a se mudar para cá, e cada vez mais pessoas com o meu perfil passaram a frequentar a região. Foi então que percebi algo especial: as crianças, filhos de escaladores que já moravam aqui ou que chegaram depois, estavam crescendo na rocha. Eu via bebês de seis meses pegando em micro agarras. Aquilo me marcou. Foi nesse cenário que Nó de Cravo começou a tomar forma, ainda como um esboço. Nesse meio tempo, publiquei O Teatro da Fama em 2023, e essa história ficou adormecida por um tempo, esperando a hora certa de ser contada”, diz.

De acordo com Mariana, Nó de Cravo é sobre o entusiasmo e a paixão pela escalada, e sobre como as pessoas estão se emocionando com o esporte. Na obra, Tamara é uma escaladora madura e a Duda é uma escaladora jovem. E essa relação é o fio condutor do livro.

“Não chamaria o livro de autoficção, mas até as falas dos personagens são coisas que eu ouço na rocha. Uma amiga minha perguntou: ‘Gente, como é que você criou todo mundo?’ E eu respondi: ‘Eu não criei’. As conversas entre Maria Eduarda, Tamara, Sabrina – que é a esposa do treinador Zé Fernando – Beatriz, Luana e até a mãe da Maria Eduarda são diálogos que vieram da vida real. Foram coisas que vocês me disseram. Eu não inventei nada, apenas memorizei para colocar na boca dos personagens. Eles são fictícios, mas profundamente inspirados em pessoas reais. É dessa forma que espero tocar o público”, finaliza Mariana.

Publicado pela editora Labrador, Nó de Cravo contou com incentivo da Lei Paulo Gustavo e chegou às livrarias neste mês. Saiba mais aqui.