Nicole Barreto e a força feminina nos esportes radicais

Por Redação

Nicole Barreto
Nicole Barreto durante apresentação de base jump em São Paulo. Foto: Arquivo Pessoal.

No último dia 4 de dezembro, a Copa América de Base Jump reuniu grandes nomes da modalidade para uma série de saltos no icônico Edifício Martinelli, localizado na região central da metrópole paulistana.

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Entre os competidores estava a carioca Nicole Barreto, a única mulher entre os convidados e uma das poucas saltadoras a praticar regularmente esta modalidade de alto risco nos últimos anos no Brasil.

O base jump é considerado um dos esportes mais perigosos do mundo. Mesmo que o paraquedas abra, o vento ou um salto fraco podem deixar o atleta perto demais de onde pulou e causar um acidente fatal.

Mas a atração de Nicole pelas alturas vem desde a infância, quando já gostava de se pendurar em janelas e varandas para desespero da família. Ao longo dos anos, as trilhas que fazia todos os finais de semana no Rio de Janeiro despertaram ainda mais sua paixão pelo universo outdoor.

Foi subindo os picos da Cidade Maravilhosa que ela também conheceu a escalada. Ficou marcada na memória a data em que fez o Costão do Pão de Açúcar, dia 31 de dezembro de 2014. “Apesar de ser um trecho baixo, lembro que quando caí pela primeira vez fiquei desesperada. Mas, quando vi que estava segura com os equipamentos, fiquei alucinada com o desafio da escalada.”

Da trilha e escalada, Nicole – que é formada em fisioterapia – foi procurando aventura cada vez mais longe da terra. Em 2017, descobriu o paraquedismo e o base jump. Desde então, foram incontáveis saltos, principalmente na mística Pedra da Gávea, seu quintal de casa e onde possui uma relação especial.

Foi justamente no icônico pico carioca que ela também estrelou o curta Into the Mountain (2021), dirigido por Lucas Ratton, no qual compartilha os seus sentimentos e toda a sabedoria ensinada pela montanha e a natureza ao redor.

“Vejo o base jump como uma ferramenta de expansão de consciência, de autoconhecimento, de algo que conversa com a alma”, afirma Nicole, que foi um dos grandes destaques da Copa América com muita habilidade no salto e o quinto lugar geral.

“Ter sido convidada para um campeonato que estava nivelado por cima, foi maravilhoso. Me senti lisonjeada e foi um orgulho muito grande saltar ao lado dos nomes mais cascas-grossas do Brasil”, conta Nicole, que teve a companhia de nomes como Gabriel Lott, Gleison Barion, Rafael Conti e Arthur Zanela.

Atualmente, Nicole trabalha como terapeuta integrativa e procura transmitir um pouco da sua sabedoria adquirida ao longo de tantos anos de vida ao ar livre em esportes como escalada, paraquedismo e base jump.

“A jornada até o base jump me deu a oportunidade de experimentar a vida de maneira integral, de sentir todos os sentimentos humanos, toda a energia da natureza, e conseguir me conectar mais profundamente comigo mesma”, conta Nicole.

Mas tantos anos dedicados aos esportes radicais também deixam suas marcas. Quando decidiu encarar os 105 metros do Edifício Martinelli, Nicole estava há quase um ano afastada dos saltos, lidando com questões internas e dedicando boa parte da rotina para cuidar da filha de 14 anos e da carreira na terapia integrativa.

“Atualmente um dos meus maiores desafios é continuar no base jump. Tive a perda do meu pai na véspera do Natal de 2020, foi um período bastante desafiador. Ter uma filha com 14 anos também é algo que te faz repensar algumas atitudes. Mas a minha alma é de base jumper, então estou deixando as coisas fluirem naturalmente”, conta Nicole.

Apesar de a cena feminina do base jump no Brasil ter esfriado um pouco na última década, Nicole faz questão de exaltar as grandes saltadoras que abriram as portas para a modalidade e também os novos nomes que estão desafiando as alturas.

“A minha referência dentro do meu esporte, que é o paraquedismo e o base jump, foi a Julie Vidotti, porque vi nela uma mulher que superava seus limites. Ela quis ser uma grande paraquedista e se tornou isso, ela quis morar fora e viver outras experiências, quis ser base jumper e conseguiu, quis parar tudo e ser mãe, e se tornou uma mãe maravilhosa. Então é isso que eu vejo como referência, sabe? Uma mulher que não tem medo de querer, seja radical, ou seja mãe. Tem também tem a Rita Birindelli, que é e sempre foi um exemplo pra mim, por não se deixar corromper nessa coisa de objetificação, sempre foi ela mesma”, ressalta Nicole.

“Mas esse ano tem uma menina que se chama Bya Brasil, de São Paulo, que esta aí no foco, super habilidosa, acho que vai engajar e torço por isso, torço por mais mulheres no nosso esporte sempre”, finaliza a base jumper.

Para acompanhar a rotina de Nicole, siga o perfil @nic_basejump no Instagram.

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