Leve seu cachorro junto no próximo passeio de bike

por Ricardo Ampudia

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A cadelinha Yellow de carona no pedal (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi numa trilha nas bordas da Represa do Guarapiranga, em São Paulo, que Yellow apareceu na vida do ciclista Gabriel Rodrigues Pego, 21.

Abandonada em uma caixa, a cadelinha interagiu com a turma toda, mas na hora de ir embora, ninguém teve coragem de levá-la.

Nem de deixá-la lá.

“Fazia muito frio aquele dia, bateu um arrependimento. Ela não iria sobreviver àquele frio à noite. Dei meia volta e fui buscá-la. Trouxe dentro da camisa, ela já veio curtindo o passeio”, conta Pego.

Foi o primeiro pedal de Yellow, que não parou mais. Quando ouve o barulho da sapatilha no chão, já se anima e sabe que é hora de embarcar.

Yellow é uma vira-latas de médio porte, com cerca de 10 kg. Para carregá-la nos passeios, Pego testou cestinha e várias adaptações com mochilas, mas nada funcionava bem.

Passou dois meses pensando em uma solução e chegou a uma estrutura de mochila com fechamento em X, que acabou virando uma fonte de renda. A Yellow Pet, sua marca, vende mochilas e acessórios para pedalar com o cachorro, como óculos de proteção.

“Os cachorros gostam muito de vento no rosto. No começo eles podem ficar um pouco desconfortáveis, mas aí você vai associando petiscos, brincadeiras, torna aquele momento agradável. Hoje eu pego a mochila, a Yellow fica louca” conta. A Yellow Pet constrói mochilas para cães de até 50kg.

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Gabriel Pego e Yellow, na mochila desenvolvida por ele (Foto: Arquivo Pessoal)

Treine seu peludo

Para quem não quer levar o dog nas costas, vale também adestrá-lo para seguir a bicicleta. É importante ressaltar que isso nunca deve ser feito em lugares com trânsito ou com grande movimentação de bikes e pessoas.

“Ele pode ser o cachorro mais obediente do mundo, mesmo assim, não conseguimos controlar fatores externos”, comenta a veterinária Marcela Boro, adestradora da Cão Cidadão.

Ela recomenda fazer os treinos sempre com guia, que deve ser presa ao pulso do ciclista. O ideal é que o cachorro já atenda a comandos básicos, como “não”, “junto” e “fica”.

Ela indica começar os treinos em casa ou parque sem muito movimento. Cachorros mais velhos também são capazes de aprender.

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A alemã Jamina Silah e seus cachorros Crosby e Gin (Foto: Arquivo Pessoal)

Cão trilheiro

A alemã Jamina Silah, 23, (@bikedogsofficial) é uma aficionada dos esportes caninos. Ela mora nos subúrbios de Colônia e pratica canicross (corrida com cachorros) e bikejorning (corrida de bikes puxadas por cachorros, como trenós). Ela pedala com dois cachorros e uma galinha (sim, uma galinha) chamada Chips.

A cadela Gin, é meio calabresa, meio quatro queijos: uma mistura de Leão da Rodésia, Boiadeiro Australiano e Boxer. Tem cinco anos e é o que Jamina chama de “cão para toda obra”. Além de treinar canicross, adora correr atrás da bike em trilhas.

O macho Crosby nasceu para isso. Ele era um cão puxador de trenós na Escandinávia. Veio para a Alemanha competir e acabou descartado em um canil. Jamina o trouxe para casa e treinou para a bike.

Chips é a galinha que vive no quintal, cresceu com os cães e se dá muito bem com eles. “Percebi que ela ficava meio entediada em casa, então comecei a levá-la para umas aventuras”, conta.

Jamina pedala desde os 15 e seguia uma boa carreira no downhill, patrocinada e aparecendo nos top 10 de campeonatos, até que uma lesão mais séria abreviou sua trajetória.

Para arranjar um jeito de pagar as contas, começou a trabalhar como passeadora de cães. Foi quando resolveu testá-los com uma bicicleta.

Para voltar a correr sem tanto risco, passou para o canicross e o bikejorning. “Desde que Gin chegou, passei a levá-la todos os dias para um passeio na natureza.