Faltam 9 países para ele dar a volta ao mundo sem avião, mas está parado pelo coronavírus

da Redação

dar a volta ao mundo sem avião
Imagem: Torbjørn (Thor) Pedersen: Once Upon A Saga

Torbjørn “Thor” Pedersen, 41 anos, tem uma missão: dar a volta ao mundo sem avião, passando por cada um dos países existentes. Depois de seis anos e meio e um orçamento de 20 dólares por dia, faltam só 9 países. O único problema é o coronavírus: ele está preso em Hong Kong.

A crise explodiu quando o dinamarquês estava para embarcar para Palau, um arquipélago do Pacífico. Embaixador da Cruz Vermelha, ele tem usado seus dias para explorar as trilhas de Hong Kong, dar palestras motivacionais e atualizar seu blog, Once Upon a Saga (Era uma vez uma saga).

Preso em Hong Kong 

“Cada dia em Hong Kong é um dia em que não sigo adiante. Estou perdendo tempo, mas tentando aproveitar de alguma forma,” Pedersen disse à CNN. Ele sabe que a pandemia pode atrasar e muito seu plano de completar a viagem, talvez mais de um ano. “Estou cansado de viajar e considero a possibilidade de desistir. Mas também sou determinado e teimoso.”

O pai de Thor viajava muito a trabalho. Com isso, ele cresceu entre Toronto, Vancouver e Nova Jersey, visitando a mãe na Finlândia durante as férias. Sua mãe trabalhava como guia de viagem, o que despertou o interesse dele por idiomas e por viajar. 

Ele teve vários empregos antes de partir para esta aventura: guarda real da Dinamarca, indústria logística. Este trabalho permitiu que ele conhecesse a Líbia, Bangladesh, Casaquistão, Azerbaijão, a Groelândia e a Flórida, por exemplo.

Dar a volta ao mundo sem avião

A ideia de viajar o mundo sem pegar nenhum voo veio quase por acaso, lendo um artigo de jornal, no qual ele descobriu que isso era possível. Foram 10 meses planejando a viagem, que começou em 10 outubro de, 2013.

Thor diz que a experiência em logística o ajuda a organizar muita coisa ao mesmo tempo, de forma eficiente.

Existem 195 estados soberanos no mundo, de acordo com as Nações Unidas. Mas ele incluiu outros territórios no projeto e vai fazer 203 países no total. Ele criou algumas regras: precisa passar pelo menos 24h em cada país e só pode voltar para casa quando terminar. Ele também tenta divulgar o trabalho da Cruz Vermelha em todos os lugares onde ela atua – até hoje fez isso em 189 países.

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Mas a regra mais importante é não pegar um avião. Sobram trem, ônibus, carona, tuk-tuk, w todo tipo de barcos. Com muita paciência nas negociações, ele inclusive conseguiu fazer trechos da sua viagem em navios cargueiros, como Maersk e MSC, entre outras. 

Neste período, ele já passou por situações como desastres naturais e crises locais, ficou doente de malária, perdeu a namorada, a avó morreu e ele perdeu alguns patrocínios. Até hoje, ele resistiu ao impulso de desistir diante das dificuldades. 

O passaporte dinamarquês é um dos mais fortes do mundo, o que certamente ajudou a entrar em tantos países. Mesmo assim, muitos vistos foram desafiadores. Para o Irã, por exemplo, ele levou mais de 3 semanas para conseguir o visto, e três meses para a Síria. 

Com muitos perrengues no currículo, ele tem dado palestras motivacionais durante a viagem, decisivas para fazer contatos importantes que ajudaram na própria viagem. Segundo Thor, no balanço final, as boas memórias são infinitamente maiores que os problemas. 

Mesmo em Hong Kong, ele encontrou uma hospitalidade incrível, apesar da pandemia. Ele foi convidado por uma família a ficar hospedado por alguns dias, até as coisas acalmarem. No fim, ficou 86 dias. 

Dar a volta ao mundo sem avião… sete vezes

Ele já cruzou mais de 300.000 quilômetros, o suficiente para fazer a volta ao mundo sete vezes. Os países que faltam são Palau, Vanuatu, Tonga, Samoa, Tuvalu, Nova Zelândia, Austrália, Sri Lanka e as Maldivas. Correndo tudo bem, deve ter uma grande festa no final, com outros globetrotters, como Lexi Alford, a pessoa mais nova a dar visitar todos os países do mundo, e Gunnar Garfors, uma das poucas pessoas do mundo que já visitou cada país do mundo duas vezes.

Faltando um ano para terminar, se tudo correr bem, ele sente que o projeto se tornou algo sobre a bondade inerente das pessoas, sobre o que temos de bom e em comum.

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