Conheça as 15 melhores trilhas do mundo

Por Stephanie Pearson, da Go Outside USA

trilha aventura trekking
Aventureiro na trilha Kepler, na África do Sul (Imagem: Shutterstock)

Para que uma trilha seja considerada sensacional, é preciso que tenha algumas características fundamentais. Alguns pontos para apreciar vistas incríveis é essencial, assim como contar com fauna e flora surpreendentes, além de cartões-postais como cachoeiras ou vales de gelo. Acrescente uma pitada de isolamento, e você tem a receita do sucesso.

Em minha carreira, eu tenho escrito sobre viagens há muitos anos, e a seguir estão algumas das melhores caminhadas que mais me marcaram ao longo dos anos.

(Imagem: Robert Linsdell/Creative Commons)

Trilha de Kalalau

Kauai, Havaí
Distância: 35 km ida e volta

Paciência é uma virtude quando se planeja caminhar por essa trilha íngreme de natureza exuberante que percorre a tortuosa costa havaiana de Na Pali, em Kauai. Com cachoeiras de 90 metros de altura, vistas para as ondas do Pacífico e acesso a duas estonteantes praias, Hanakapiai e a isoladíssima Kalalau, essa trilha de ida e volta vale cada passo. Após uma grande enchente em 2018, seu acesso se tornou mais complicado. Andar além de 2 km exige uma autorização, e para conter o crescente congestionamento e turismo exacerbado no norte de Kauai, o governo está construindo uma nova área de estacionamento no começo da trilha que vai limitar o número de visitantes diários a 900. Monitore o acesso e as novidades sobre Kalalau no site oficial da trilha (procure na internet por “kalalau trail government”).

(Imagem: José Antonio Gil Martínez/Creative Commons)

Camino Primitivo, Camino de Santiago

De Oviedo a Santiago de Compostela, Espanha
Distância: 370 km

Há muitos percursos que levam ao santuário de Saint James em Santiago de Compostela, mas opte pelo verdadeiro espírito peregrino e escolha o trajeto do século 19 que Afonso II de Asturias percorreu a partir de Oviedo, norte da Espanha. A rota de 15 dias recebe geralmente apenas 4% dos visitantes anuais do Caminho de Santiago, porque cruza as montanhas cantábricas, de mais de 2.400 metros de altitude. Porém a recompensa é uma vista matadora dos Picos de Europa, além de Lugo, uma cidade do século 3 que é a única no mundo ainda cercada por intactas muralhas romanas. No animado mercado da cidade de Melide, o chamado Camino Primitivo se une ao Camino Frances, bem mais cheio de gente, pelos 57 km restantes. Hospede-se em albergues privados ou públicos, que são hostels especificamente abertos para peregrinos, que variam em preço, charme, tamanho e limpeza. Um dos mais bem cotados é o Cantábrico Fonsagrada, com 14 quartos.

(Imagem: Shutterstock)

Trilha Lares

Lares, Peru
Distância: 35 km

Um pouco mais curta em distância e mais elevada em altitude que sua famosa irmã, a Trilha Inca, esse trekking de dois ou três dias começa no vilarejo de Lares e atravessa a cadeia de montanha de Urubamba. É a melhor maneira de experimentar a cultura andina. Você verá agricultores trabalhando em campos de batatas a 3000 metros de altitude, mulheres quéchuas vestindo coloridos xales de lã enquanto pastoreiam rebanhos de vicuñas e cruzará o passo Ipsaycocha, de 4400 metros de altitude, o ponto mais alto da trilha, antes de descer até a cidade de Ollantaytambo. A trilha não precisa de autorização, porém ir acompanhado de um guia local é recomendado (alguns dos melhores trabalham na Explorandes Peru). Para um opção mais luxuosa, a Mountain Lodges do Peru oferece aventuras de múltiplos dias que combinam caminhas, visitas a vilarejos e sítios arqueológicos, além de refeições típicas e hospedagens aconchegantes ao longos do Vale Sagrado e de Lares.

(Imagem: Shutterstock)

Circuito de Paine

Parque Nacional de Torres del Paine, Chile
Distância: volta de 80 km

Há outros trekkings menos conhecidos e mais selvagens na Patagônia, como o Circuito Dientes na ilha Navarino e o Circuito de Las Horquetas, no Parque Nacional de Cerro Castilho. Mas, se seu coração está ansioso para ver o Parque Nacional de Torres del Paine, a melhor maneira de evitar as multidões é circumnavegar toda a cordilheira Paine. A beleza dessa caminhada é que inclui as três paradas icônicas do famoso Circuito W — o trekking de 19 km e 770 metros de altitude até a base das torres, a vista de 360 graus do maciço de Paine a partir do Vale Francês e o glaciar Grey. O circuito completo continua pela parte de trás da cordilheira, onde a grandeza do campo de gelo e a vista magnífica do maciço podem ser aproveitadas com mais privacidade. Se estiver com grana sobrando, hospede-se e descanse em alto estilo no Tierra Patagonia, um hotel luxuoso tão bem escondido na paisagem que quase some em meio à vegetação local. O número de visitantes do parque está aumentando muito (pelo menos, antes da pandemia), e o clima na Patagônia é sempre imprevisível, por isso garanta sua entrada com bastante antecedência, de preferência de setembro a outubro ou de abril a maio, longe da alta temporada.

(Imagem: Shutterstock)

Tour du Mont Blanc

Suíça, Itália e França
Distância: circuito de 180 km

Compare a gastronomia francesa, italiana e suíça enquanto caminha pelos três países nesse circuito ao redor do Mont Blanc, de 4810 metros, o pico mais alto da Europa ocidental. Trata-se de uma imersão profunda na real rotina do montanhismo: você vai acumular mais de 9700 metros de ascensão, observar as mais arrebatadoras montanhas dos Alpes e fazer paradas em míticas cidades de montanha como Chamonix e Courmayeur. Diferentemente de outros circuitos, a trilha pode ser iniciada em vários lugares, há diversas opções de rotas, transporte público caso seja necessário encurtar a aventura e uma gama extensa de hospedagens, de cabanas nas montanhas a hotéis cinco estrelas. Se você estiver com pernas e pulmões bem preparados, o circuito oferece luxuosas trilhas para corridas com mais de 150 km.

(Imagem: Franco Pecchio/Creative Commons)

Rota Chogoria até Pico Point Lenana

Monte Quênia, no Quênia
Distância: 51 km

A 5.199 metros de altitude, o monte Quênia é o segundo pico mais alto da África, depois do Kilimanjaro, e recebe muito menos visitantes. Também oferece mais vida selvagem, como elefantes e búfalos-africanos, e uma impressionante variedade de terrenos, de florestas de bambu a vastos planaltos. A rota mais interessante e menos técnica é Chogoria, que leva os turistas através do incrível vale Gorges, terra de paisagens úmidas e cachoeiras que caem sobre penhascos dramáticos, até chegar a Point Lenana, a 4984 metros de altitude, o mais perto que você pode chegar de um cume sem precisar de técnicas de escalada. É também o melhor lugar no Quênia para ver o nascer do sol e apreciar a vista de dois cumes de montanha: Batian, de 5198 metros, e Nelion, de 5188 metros. Os meses mais secos (janeiro, fevereiro e setembro) são os melhores para trekking.

(Imagem: Shutterstock)

Grand Canyon

Parque Nacional do Grand Canyon, Arizona (EUA)
Distância: 38 km

Das cerca de 5 milhões de pessoas que visitam o Parque Nacional do Grand Canyon todos os anos, menos de 1% descem os duros 23 km (e 1783 metros de altimetria) da trilha Norte Kaibab até a base do cânion, seguida por um trekking de 15 km e 1360 metros de ascensão até o outro lado, na trilha de Bright Angel. A recompensa é poder caminhar por 11 camadas de rochas de 2 bilhões de história geológica. As vistas do “grande abismo” são absurdamente belas. Planeje com antecedência, pois nos EUA é preciso ter autorizações e rola toda uma burocracia para adentrar o parque.

(Imagem: Ruth Hartnup/Creative Commons)

Panorama Ridge

Parque Provincial de Garibaldi, Canadá
Distância: 30 km ida e volta

O Canadá é daqueles países em que, se você jogar um dardo no mapa, certamente acertará alguma trilha de alta qualidade, especialmente na região oeste. A escolha aqui é a Panorama Ridge, porque seus 30 km ida e volta oferecem uma paisagem alpina de tirar o fôlego. Começando em Rubble Creek, a 30 km ao sul de Whistler Village via a rodovia Sea-to-Sky, a trilha sobe 1500 metros, chegando primeiro em campos de flores silvestres em Taylor Meadows, depois ao longo da margem sul do Black Tusk, uma enorme formação de rocha vulcânica de 2318 metros de altitude, até finalmente atingir um cume a 2132 metros — de onde se tem uma vista de 360 graus dos morros nevados de Price e Garibaldi, ao lado das águas azul-turquesa do lago Garibaldi. É possível fazer o cume e retornar em um dia, mas, com paisagens tão lindas, por que ter pressa? No caminho de volta, pare para um banho refrescante no lago de águas glaciais, depois arme sua barraca no Camping do Lago Garibaldi (é preciso reservar com antecedência).

(Imagem: Shutterstock)

Trilha Three Capes

Tasmânia, Austrália
Distância: 51 km

De todas as maravilhosas caminhadas da Austrália, a trilha Three Capes (Três Cabos), na península da Tasmânia, é a mais surreal. A 90 minutos de carro da capital do estado, Hobart, a aventura começa com uma viagem de uma hora de barco, saindo do sítio histórico de Port Arthur, uma estranha colônia penal dos anos de 1830 que antigamente abrigava os piores criminosos do império britânico. Uma lancha leva os visitantes através da baía de Maingon, lar de focas, golfinhos e baleias migratórias, até Denman’s Cove. Essa trilha em forma de Y serpenteia por vegetação de arbustos e pedras, atravessando depois torres rochosas de mais de 300 metros de altura dos cabos Pillar e Hauy. Lá nesse parque nacional há três confortáveis cabanas abastecidas de jogos, cadeiras para os decks, mats de yoga e camas macias (a cozinha é compartilhada). Ah, não encuque em descobrir o terceiro “cape” (cabo): os 37 km de trilha para conectar ao cabo Raoul ainda está em fase de construção.

(Imagem: Shutterstock)

Lycian Way

Fethiye até Antalya, Turquia
Distância: 572 km

Viaje através da história grega, romana e cristã nessa caminhada de 29 dias que se estende pela península Tekke, no sul da Turquia. Composto por estradas de pedra, rotas de mulas e trilhas, o percurso bem marcado se desenrola pela costa montanhosa, entrecortada por ruínas centenárias e cidades antigas. Sítios arqueológicos podem ser encontrados em toda parte, mas os mais interessantes são as rochas das tumbas de Myra, as eternas chamas flamejantes de Chimera e o anfiteatro à beira-mar de Antiphellos. Primavera e outono são as melhores épocas para fazer a trilha, quando o Mediterrâneo ainda está com águas com boa temperatura para nadar e remar. Com exceção de três isolados trechos montanhosos onde se faz necessário acampar, hospedagens estão disponíveis nas cidades e vilarejos ao longo da rota.

(Imagem: Shutterstock)

Appalachian Trail

Parque Nacional de Great Smoky Mountains, Tennessee (EUA)
Length: 115 km

Dos 3540 km da famosa Appalachian Trail, há uma magia extra nos 115 km do trecho que corta o Parque Nacional de Great Smoky Mountains. Talvez seja por causa da névoa que paira nas encostas anciãs, a abundância de azaleias e outras flores. Qualquer que seja a razão, essa extenuante seção de sete dias de duração é o melhor jeito de se desviar dos 11 milhões de visitantes anuais do parque. Nela inteira, cruza-se com somente uma estrada, a Newfound Gap. Ao longo do trajeto, há 12 confortáveis abrigos, nos quais cabem no mínimo uma dúzia de pessoas. Lembrete importante: os caminhantes da Appalachian Trail precisam de uma autorização diferente daqueles que estão andando apenas dentro do parque.

(Imagem: Shutterstock)

Whale Trail

Reserva Natural De Hoop, África do Sul
Distância: 53 km

Entre junho e novembro, a Reserva Natural De Hoop, a 233 km de Cape Town, se torna o melhor lugar do mundo para testemunhar baleias-brancas migratórias sem precisar pegar um barco. Maximize esse privilégio nessa agradável caminhada de cinco dias que começa à sombra da montanha Potberg, antes de descer até campos floridos, praias de areia branca e piscinas formadas pela maré do oceano Índico. Na segunda noite, a estadia na Noetsie Hut é uma delícia, com seu design elegante e um deck para apreciar as baleias e a beleza noturna da Via Láctea. Os dias que se seguem incluem bons momentos fazendo snorkel ou nadando na baía Stilgat. O melhor mês para ver as baleias-brancas é agosto, por isso faça reservas com, no mínimo, um ano de antecedência para garantir acomodações.

(Imagem: Shutterstock)

Campo base do Everest Base via Cho La Pass

Monte Everest, Nepal
Distância: circuito de 120 km

Todos os anos as restrições à visitação à mais alta montanha terra ficam mais e mais duras — e isso é uma coisa boa. Há uns dois anos, o governo chinês anunciou que decidiu fechar indefinidamente o campo base do lado tibetano, a 5198 metros de altitude e que pode ser acessado de carro. A proibição inclui qualquer visitante, com exceção de montanhistas, para acabar com as pilhas de lixo jogadas ali. O Nepal tem problemas semelhantes, mas há tanta história, beleza e cultura emanando da região de Kumbu que, se os caminhantes respeitarem a natureza e o povo local — e ajudar o lugar doando para organizações como a Himalayan Stove Project, o turismo outdoor pode beneficiar a comunidade. Nesse percurso circular, você começará na icônica jornada que leva ao acampamento base, a 5364 metros de altitude, que inclui vistas para o mítico monte Ama Dablam (6812 metros), uma visita ao antigo monastério de Tengboche e paradas em casas de chá nos numerosos vilarejos ao longo da ascensão. Depois, é retornar à agitada capital sherpa de Namche Bazaar via a desafiadora rota que cruza o passo Cho La, a 5394 metros, e acompanha a margem dos lagos Gokyo, os seis mais altos lagos de águas turquesa do mundo, localizados a 4693 metros de altitude. Se suas pernas ainda conseguirem, caminhe até pela trilha bem pouco técnica até o cume de Gokyo Ri (5357 metros) para saborear a impressionante vista do Everest (8848 metros), do Lhotse (8516 metros) e do Cho Oyu (8200 metros).

(Imagem: Shutterstock)

Kepler Track

Parque Nacional de Fiordland, Nova Zelândia
Distância: circuito de 64 km

A maior parte das Great Walks da Nova Zelândia surgiram a partir de antigas rotas de comércio do povo maori ou de caminhos mais recentes construídos pelos colonizadores. A trilha Kepler, no entanto, foi customizada (com passarelas erguidas por cima de áreas pantanosas) ao longo do Parque Nacional de Fiordland, na Ilha Sul, para exibir toda sua beleza de cair o queixo. Encare os 59 km e quatro dias do circuito em sentido anti-horário a partir do Kepler Track Car Park e você conseguir superar, nos primeiros dois dias, a subida mais desafiadora por meio de capinzais até Luxmore Saddle, a 1400 metros de altitude. Próximo ao topo, fica o espaçoso e limpos quartos do Luxmore Hut, que tem banheiro, água corrente e um deck com vistas impressionantes das montanhas Murchison e do lago Te Anau. Faça reservas com muita antecedência para a temporada de trekking, que vai de outubro a abril. Essa rota também é uma das mais lindas do universo da corrida em trilha.

(Imagem: Shutterstock)

Half Dome

Parque Nacional do Yosemite, Califórnia (EUA)
Distância: circuito de 22 km

Ícone do mundo outdoor norte-americano, esse enorme bloco de granito de 2694 metros de altitude oferece um dos mais íngremes e perigosos trekkings daquele país — ganha-se 1524 metros de ascensão acumulada em 11 km. Outro problema é a quantidade excessiva de visitantes. Mas, apesar dos perrengues, compensa demais a vista de lá de cima do vale do Yosemite. Mas se assegure de conseguir uma das 225 autorizações diárias que o parque emite todos os anos. Inicie o passeio ao amanhecer, próximo ao rio Merced. Após alcançar a escadaria de pedra ao longo da cachoeira Vernal, de 96 metros de altura, e logo em seguida a cachoeira Nevada, de 164 metros, você chegará à metade do caminho. A 2438 metros, as árvores desaparecem e começam os degraus de pedra até a base do setor com cabos, um trajeto bem inclinado até o cume rodeado de corrimãos de cabos de ferro. Raios e relâmpagos podem surgir a qualquer hora do dia, por isso saiba quando abortar a caminhada devido ao mau tempo. Dica de pró: para aumentar suas chances de conseguir uma autorização, realizada por sorteio, inscreva-se para trekkings às terças ou quartas-feiras.