#365para42: Agora vai!

Por Cacá Filippini

Cacá Filippini
Foto: Arquivo Pessoal.

Os 8.797 km + 10 km me ajudaram a ter a certeza de que quero o desafio do #365para42 de volta à minha vida. Isso porque nesse momento escrevo diretamente de Barcelona, Espanha, a 8.797 km de São Paulo, um dia após a Zurich Marató Barcelona, evento que reuniu 15 mil corredores de todo o mundo, incluindo meu marido, Antonio Dib Cardeal. Ele decidiu correr sua quinta maratona aqui, após o adiamento da Maratona de Floripa, na qual também estava inscrito.

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E os “+10km”, foi a distância que percorri a pé, para encontrar com ele, em quatro diferentes pontos do percurso de 42.195 km, fosse para entregar hidratação especial, simplesmente para dar força ou gritar seu nome ao vê-lo passar.

E foi mais uma vez, essa energia de pessoas dando o seu melhor enquanto corriam, e os espectadores, gritando para pessoas conhecidas ou não, em uma torcida genuinamente emocionada por atletas anônimos, que me fez sentir toda aquela vontade de me dedicar à preparação física e mental para correr a Maratona de Nova Iorque e realizar um velho sonho meu, interrompido pela pandemia e adiado pelo vírus que me acometeu por 7 meses e 6 dias, como já contei a vocês nas matérias anteriores. Mas neste momento, retomo esse sonho com todas as minhas forças e decido que “agora, vai”!

Foto: Arquivo Pessoal.

Quando fiz as malas para acompanhar meu marido, me inscrevi na Breakfast Run, evento que antecede a prova oficial e percorre os últimos quilômetros da Maratona Olímpica, geralmente de um “ponto x” até o Estádio Olímpico do local. Chegamos na sexta-feira, retiramos nossos kits e números de peito, e descansamos para entrar no fuso horário local.

Até então, tudo estava indo bem, até que antes de fechar o 1º km da Breakfast Run, senti uma forte dor na perna que tive a trombose e entrei na paranoia por algum tempo. Até que respirei fundo e decidi ir, no estilo corre e para. Diferente de Berlim, onde fiz minha última Breakfast Run, não terminei com uma super energia, olhos brilhando de felicidade e empolgação. Foi um misto de “putz” com “ufa, ainda bem que acabou”! Sentimento que desapareceu depois que acompanhei a largada dos maratonistas na manhã seguinte e encontrei com meu marido e conhecidos nos km 8, 26, 35 e 42.

A professora brasileira Isabel Ruiz, de 41 anos, foi uma das corredoras que acompanhei e que sem saber, me trouxe esse “gás” de volta, ao testemunhar sua felicidade estampada em seu sorriso, até nos momentos mais difíceis do trajeto.

Como também correria Floripa, chegou aqui sem planejamento longo, assim como nós. Exigente que é consigo, vivenciou o medo de falhar e usou a vibração da torcida como impulso para suas passadas. “Prova difícil, minha cabeça não estava preparada para tanta subida, medo de falhar. Mas me sentia empurrada por vocês que estavam assistindo! Tenho muito a agradecer a cada um  que ali estava e a família e amigos que acordaram às 4 horas da manhã no Brasil, para torcer por mim, quilômetro a quilômetro”, conta Isabel, que terminou a prova 11 minutos mais rápida que sua última prova em Chicago, 2019, fechando seu novo recorde pessoal em 3h33m.

Cacá Filippini
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal.

A publicitária e também brasileira Gabi Castejon, de 37 anos, concluiu sua segunda maratona, fazendo uma dobradinha de boa ação. Isso porque chegou à Barcelona com o objetivo de correr em prol de uma “vaquinha” para Juan, garoto que teve uma de suas pernas amputadas após um câncer nos ossos, e hoje, sonha em poder comprar uma prótese para voltar a praticar esportes. E no km 37, se deparou com uma atleta francesa, estirada ao chão, com fortes câimbras. Annet foi amparada por Gabi até a reta final da prova. “Meu tempo estimado estourou, mas vivi um dos momentos mais emocionantes ao ver Annet completar a prova, com um ultra sorriso de gratidão”, conta Gabi.

Com 48 anos, Antonio, meu marido diz que essa foi a prova mais arriscada que fez. “Uma prova desconhecida, com muitas subidas extensas e pouco íngremes. Arrisquei nos 30 km iniciais para tentar melhorar meu recorde pessoal e paguei o preço nos 12 km finais. Tive vontade de abandonar a prova, mas assim que cheguei ao 35 e encontrei vocês, ganhei um fôlego extra”, relatou.

Foto: Brum Foto Sport.

De fato, no km 35, eu estava com dois assessores de corrida que falavam sobre a queda do rendimento de seus atletas nos últimos quilômetros, e foi nesse ponto que ao encontrar Antonio, decidi correr ao seu lado e dizer palavras que pudessem dar aquela “forcinha” extra.

O ano de 2021 não foi fácil para ninguém. Muitos de nós perdemos alguém. Outros, ficaram doentes ou acompanharam a enfermidade de alguém próximo. Tivemos períodos de muita incerteza. Fomos nos adaptando ao chamado “novo normal” e “buscando” soluções para as dificuldades que apareciam. Um ano completamente não planejado, mas que nos mostrou a habilidade de resiliência e poder de realização que temos. E com base nesses dois pilares vou compartilhar com vocês, nos próximos 365 dias, rotinas, dicas, perrengues, mitos, verdades, erros e acertos de quem se prepara para correr 42 km … ou melhor, uma maratona: 42,195km.

Bora começar esse #365para42?

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