A busca por uma vida mais saudável nunca esteve tão em alta. Redes sociais, influenciadores e marcas reforçam diariamente a importância do autocuidado.
No entanto, uma recente pesquisa da Farmivita revelou um dado curioso: 63% dos brasileiros preferem recorrer a suplementos alimentares a modificar sua alimentação.
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A facilidade de ingerir uma cápsula parece superar a necessidade de ajustes na rotina alimentar, especialmente entre aqueles com idade entre 30 e 39 anos.
Mas até que ponto os suplementos substituem uma alimentação balanceada? É compreensível que a vida moderna traga desafios para manter uma dieta equilibrada, mas confiar apenas em suplementos pode ser uma estratégia arriscada.
A ciência tem mostrado que não há pílula mágica para a saúde e que os nutrientes provenientes dos alimentos exercem funções fundamentais que não são plenamente substituídas por suplementos.
Um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology apontou que o consumo de vitaminas e minerais por meio de suplementos nem sempre oferece os mesmos benefícios à saúde cardiovascular que uma dieta rica em frutas, verduras e outros alimentos naturais.
Os pesquisadores concluíram que os nutrientes em sua forma natural interagem de maneira mais eficaz no organismo, contribuindo para o metabolismo e prevenção de doenças de forma mais eficiente do que isoladamente em cápsulas ou pós.
A suplementação tem seu valor, mas deve ser vista como um complemento e não como substituto de uma alimentação equilibrada. Nutrientes como fibras, fitoquímicos e antioxidantes, encontrados em alimentos integrais, exercem papéis que vão além da nutrição básica, promovendo saciedade, regulando o intestino e fortalecendo o sistema imunológico. Além disso, uma alimentação balanceada proporciona prazeres sensoriais e sociais que o consumo de suplementos jamais poderá oferecer.
Outro ponto importante é a desinformação sobre o real impacto dos suplementos. Muitas pessoas acreditam que podem compensar uma alimentação desregrada apenas tomando multivitamínicos, mas isso pode criar uma falsa sensação de segurança, levando a hábitos pouco saudáveis.
O corpo humano precisa de combinações específicas de nutrientes para funcionar plenamente, e muitas dessas interações são perdidas quando se recorre apenas à suplementação.
O impacto cultural e mercadológico da suplementação
Por que tantas pessoas preferem um comprimido a um prato colorido e nutritivo? O marketing da indústria de suplementos é poderoso e trabalha com a ideia de solução rápida e eficiente. Em tempos de imediatismo, onde tudo precisa ser otimizado, a ideia de ingerir um nutriente em segundos parece mais atraente do que preparar uma refeição balanceada.
Mas até onde essa dependência de suplementos pode nos levar? É possível que, no longo prazo, estejamos criando uma geração que desaprendeu a se alimentar corretamente?
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que menos de 23% dos brasileiros consomem a quantidade recomendada de frutas e hortaliças diariamente. Enquanto isso, o mercado de suplementos cresceu mais de 10% ao ano na última década, segundo dados da Euromonitor International. Esse contrassenso reforça a importância de educação alimentar e conscientização sobre os impactos de escolhas nutricionais inadequadas.
O problema se intensifica quando percebemos que essa cultura de suplementação também chega às crianças e adolescentes. Muitos pais, preocupados com a nutrição dos filhos, acabam optando por fórmulas prontas, shakes e suplementos vitamínicos, sem priorizar a introdução de bons hábitos alimentares. Isso pode comprometer a formação de uma relação saudável com a comida e impactar a saúde a longo prazo.
Diante desse cenário, é fundamental equilibrar as estratégias. Sim, os suplementos podem ser aliados em situações específicas, como deficiências nutricionais diagnosticadas ou necessidades aumentadas, mas nunca devem substituir uma alimentação variada e equilibrada. Mais do que escolher entre suplementos ou alimentos, a questão principal é como melhorar nossa relação com a comida de forma prática e consciente.
Empresas e gestores também têm um papel importante nessa discussão. Levar educação nutricional para dentro do ambiente corporativo pode gerar impactos diretos na produtividade, no bem-estar e na prevenção de doenças. Por isso, oferecemos workshops e palestras sobre alimentação saudável e qualidade de vida.
*BIANCA VILELA é autora do livro Respire, palestrante, mestre em fisiologia do exercício pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e produtora de conteúdo. Desenvolve programas de saúde em grandes empresas por todo o país há quase 20 anos. Na Go Outside fala sobre saúde no trabalho, produtividade e mudança de hábitos. Não deixe de visitar o Instagram: @biancavilelaoficial