Escalada tipo exportação


BRASIL SIL SIL: Feliz por mandar bem em uma competição (Foto via Facebook)

O escalador Pedro Ferreira Nicoloso, de 25 anos, nasceu em Leidschendam, Países Baixos, mas se mudou ao Brasil aos 4 anos de idade – por isso, se sente honrado em poder representar o Brasil em cada competição de escalada.

Focado na modalidade boulder, ele que já participou de etapas da Copa do Mundo e Campeonatos Mundiais, como o de Paris, em 2012. Atualmente morando no Canadá, Pedro neste ano conseguiu um bom resultado na 1ª etapa da Copa do Mundo de Boulder, disputada em Toronto, ficando em 41º entre 71 atletas. Pode parecer pouco expressivo, mas considerando o altíssimo nível da competição – o tcheco Adam Ondra era um dos competidores e não foi campeão –, Pedro descolou um resultado heroico.

Mesmo assim, sua grande satisfação parece poder ajudar. Como estudante de Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, ele teve a oportunidade de participar do programa Ciências sem Fronteiras, e escolheu o Canadá como sua nova moradia. “Em Winnipeg, eu teria chances de estar perto de minha namorada”, diz.


UNIDOS PELA ESCALADA: Pedro e a namorada, Silvana

Mas ao desembarcar naquela cidade, descobriu que seu esporte era pouco desenvolvido e desorganizado por lá. “Eles ainda consideram a escalada uma atividade de alto risco, têm medo”, conta. Claro que a modalidade já existia por lá há um bom tempo, mas era um esporte totalmente sem rumo, e poucos sabiam realmente como treinar.

No intuito de melhorar as condições no único ginásio de escalada de Winnipeg, Pedro passou a dar bons conselhos para a galera: eles precisavam trocar as agarras com mais frequência, comprar equipamentos novos… E foi bem além, doando mais de 100 agarras que ele próprio fabrica no Brasil. Pedro aproveita seu tempo livre para trocar as agarras de lugar e criar novas vias. “É uma tentativa de organizar a academia para que todos possam usá-la da melhor maneira.”

Ele não considera a escalada apenas seu esporte, mas seu divertimento e estilo de vida, é onde encontra a alegria necessária para o dia-a-dia. “Não consigo escalar menos do que cinco dias na semana”, garante. Agora também trabalhando como técnico de escalada (mais serviço que faz de forma voluntária), ele pretende apresentar e incentivar seu esporte a outras pessoas. “Nunca aceitei dinheiro em troca até hoje”, diz. “Estou até escrevendo um manual de treinamento para ajudar ainda mais pessoas, que não estão ao meu alcance.”

Em Winnipeg, a escalada é um dos poucos esportes que ainda não têm um time, mas Pedro já corre atrás desse prejuízo. Ele vê a possibilidade de, em breve, haver uma equipe preparada para competir pelo Canadá. “Ainda é um projeto”, ele diz com toda a humildade, “mas que pretendo concretizar até dezembro.” Ele já faz a diferença nisso também, treinando seis crianças.

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