O caçador de bombas


SELFIE TRETA: O fotógrafo Fred Pompermayer faz imagens suas em Fiji

Na edição de setembro da revista Go Outside (Ed. 111), publicamos a reportagem "Profissão Perigo", que apresenta a história de pessoas que, apesar de não serem atletas outdoor, encaram expedientes que exigem altas doses de coragem, ótimo preparo físico e muito espírito aventureiro. Leia abaixo, o perfil de um destes personagens, o fotógrafo Fred Pompermayer, que passa seus dias registrando surfistas nas maiores ondas do planeta

Por Nina Rahe

EM DEZEMBRO DE 2001, o fotógrafo paulista Fred Pompermayer estava passando uma temporada em Los Angeles, na Califórnia (EUA), e não parava de acompanhar a previsão do tempo. Quando soube que um esperado swell estava, enfim, se aproximando da cidade de Half Moon Bay, onde fica o mítico pico de surf Mavericks, ele pegou o carro e dirigiu por sete horas até chegar ao local. Naquele dia, uma histórica série de ondas de até 100 pés (30 metros) quebraram por ali.

Na opinião de Fred, ter visto o mar daquele tamanho revelou-se fundamental para a tomada de decisão que mudaria para sempre sua vida anos alguns mais tarde. Formado em arquitetura e urbanismo, ele abandonou a profissão para se tornar fotógrafo de surf em ondas grandes. Mudou-se de São Paulo para Florianópolis e, em 2004, foi definitivamente para a Califórnia. Em dois anos, estaria de novo em Mavericks – desta vez, para fotografar seu primeiro swell gigante. O mar estava enorme e o vento, fortíssimo. Em um jet-ski, Fred acompanhava o big rider norte-americano Jeff Clark, lenda do surf em ondas grandes, que se posicionou bem em frente à onda – um lugar crítico e perigoso, mas que permitiu ao brasileiro fotografar a segunda maior bomba surfada naquele ano, pelo havaiano Dave Wassel. Foi o único registro da performance e, sem a imagem, o surfista não teria sido finalista do Billabong XXL Big Wave Awards, considerado o “Oscar” da modalidade. “Na hora, senti muito medo, porque, se não saíssemos a tempo, a onda nos pegaria. Ao mesmo tempo, estava com o cara que mais conhece aquelas águas, o que me deixava de certa forma tranquilo”, relembra.


HOMEM DO MAR: O fotógrafo de ondas grandes Fred Pompermayer


EM FOCO: Foto de Fred do surfista brasileiro Everaldo Pato em Teahupoo, no Taiti

Para Fred, o segredo de uma boa foto em ondas gigantes é estar no lugar certo, na hora certa. Nesse tipo de surf, isso exige uma logística complexa, que vai desde acompanhar a formação do swell até conseguir o melhor posicionamento no mar – quanto mais próximas à onda, mais impressionantes as imagens. Os riscos são muitos, e Fred já teve até o tímpano perfurado por uma que o atingiu de surpresa, no Taiti. “Sempre saio para o mar em situações extremas. Hoje, depois de tantas viagens, tenho uma noção maior do que pode acontecer e das precauções que devo tomar”, explica. Para evitar problemas, o jet-ski precisa estar 100% preparado, com rádio e GPS. Colete salva-vidas e nadadeiras também são essenciais, no caso de ter de entrar na água.

Aos 39 anos, o fotógrafo, que é casado e tem uma filha de 6 anos, passa boa parte do tempo em casa, monitorando a formação de swells e editando imagens. Planeja suas viagens sempre de última hora, já que, em se tratando de ondas grandes, não há como se programar com antecedência, por isso a rapidez na tomada de decisões acaba sendo essencial. Em 2012, foi exatamente essa agilidade que levou Fred a registrar o norte-americano Shane Dorian em um dos mais perfeitos swells já documentados até hoje, em Jaws, no Havaí. Mais uma grande imagem para um portfólio de dez anos do qual fazem parte alguns dos, literalmente, maiores momentos do surf.

(Trecho de reportagem publicada originalmente na Go Outside de setembro de 2014)

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