Marco Polo

Por Christopher Solomon

Neste mês de setembro, o aventureiro suíço Mike Horn, de 48 anos, levanta as âncoras para um dos últimos grandes feitos da aventura ainda inéditos no mundo: a circunavegação da Terra passando pelos dois Polos. Para Mike, um expedicionário treta que já caminhou até o Polo Norte em 2006 em pleno inverno, a expedição é, como todas as outras que já realizou, “assustadora”. Parte do percurso será feito a bordo do Pangaea, um barco tipo ketch de 105 pés (32 metros). A embarcação vai zarpar do sul de Mônaco, na Europa, até a África do Sul, onde encontrará uma tripulação de quatro pessoas para o trecho até a Antártica. Ali, Mike irá desembarcar com um par de esquis e um trenó de 200 quilos, que será arrastado por 5.800 quilômetros, atravessando o continente. Nesse trecho, o aventureiro precisará enfrentar montanhas de quase 3.400 metros.

Uma vez reunidos na costa do outro lado, Mike e sua trupe navegarão para o norte através do Estreito de Bering, no Alasca, até chegarem à parte em que o percurso vira uma grande massa de gelo. Desse ponto, ele irá desembarcar, para depois recomeçar sua caminhada, desta vez passando por imensas colunas de gelo resultantes da pressão do solo, além de trechos em que o gelo vai se derretendo. Tudo isso puxando consigo um caiaque adaptado. Em seguida viajará 4.000 quilômetros rumo ao sul do planeta até a Groenlândia, onde novamente embarcará no Pangaea e velejará de volta ao ponto inicial. “São 360º em 360 dias”, explica Mike.

A jornada é extenuante, mas Mike sempre curtiu desafios duros. No final dos anos 80, ele serviu nas Forças Especiais da África do Sul, lutando na sangrenta guerrilha em Angola. Em 1997, percorreu toda a extensão do rio Amazonas em uma prancha motorizada conhecida como hydrospeed, e usou seu treinamento de sobrevivência na selva para caçar suas refeições. “Eu comia qualquer coisa que se movesse”, recorda. Começando em 1999, o suíço passou dois anos caminhando pela Linha do Equador sem nenhuma ajuda de veículo motorizado, enfrentando florestas, pântanos e países hostis. Voltou para casa para lavar roupa e partiu para outra circunavegação em solitário de mais de dois anos, ao redor do Círculo Polar Ártico.

As experiências árticas de Mike irão ajudá-lo em sua travessia da Antártica, provavelmente a parte mais perigosa da nova expedição. “Meus sonhos ainda me assustam”, confessa. “Mas isso é bom. Caso contrário, não são grandes o suficiente para me empolgar.”

De congelar (de medo)

VINTE E UM

Altura, em metros, de uma cachoeira na Costa Rica de onde Mike saltou de bodyboard alguns anos atrás.

8,000

Número de calorias que Mike espera consumir por dia durante os trechos árticos da próxima expedição.

40.000

Total de quilômetros que ele irá caminhar, esquiar, remar e velejar durante a viagem.

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de setembro de 2014)

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