Vestido para monitorar

De óculos que medem a performance em tempo real a fones de ouvido que rastreiam cada movimento do seu corpo, a “tecnologia de vestir” promete mudar a forma como você treina

Por Tom Vanderbilt
Fotos Hannah McCaughey


BIG BROTHER: O discreto Misfit Shine tem o tamanho de
uma moeda e te fornece estatísticas básicas sobre seu esforço físico

O MOMENTO PARECIA IDEAL naquela refrescante manhã, enquanto eu pedalava no meio do pelotão de ciclistas em Scottsdale, no Arizona. Estava pilotando minha bike BMC top, digna de um Tour de France, quando avistei a montanha Superstition no horizonte. Então levei o dedo até meus óculos escuros, passei-o levemente pelo sensor óptico e comecei a filmar. Ao rever as gravações poucas horas depois, testemunhei um dos vídeos menos épicos que o ciclismo já produziu: aproximadamente sete segundos mostrando a sombra do meu próprio dedo, repetidas olhadas na direção do meu amigo que pedalava do lado e minha voz abafada e preocupada: “Este troço está ligado?”

Eu estava experimentando um novo aparelho, o Jet, da marca Recon, divulgado como sendo o primeiro heads-up display (HUD, ou display de cabeça) para esportes – uma comparação inexata seria dizer que se trata de um Google Glass mais barato, feito para ciclistas. Há tempos que esse equipamento é assunto de especulações entre triatletas e ciclistas de contra-relógio obcecados por dados de treinos – e eu fui o primeiro jornalista a dar uma volta com ele. Durante o jantar da noite anterior, Tyson Miller, meu colega de pedal que trabalha como diretor de produtos da Recon, havia atiçado meu interesse ao me contar todas as proezas das quais o Jet era capaz. Os óculos gravam automaticamente um vídeo de 15 segundos quando o ciclista atinge uma determinada velocidade. Quando você chega ao final de uma subida monstro, a geringonça tira uma foto e já posta no Instagram. E ainda digita textos: as mensagens enviadas para o telefone do usuário são direcionadas para o HUD. Eu imaginava leituras críticas da performance do meu corpo, traçando linhas como um eletrocardiograma sobre um fantasmagórico campo de dados, uma mão digital invisível me empurrando para a lista dos top 10 num segmento do aplicativo Strava – homem e máquina tornando-se um, como um ciborgue em duas rodas.

>> Linguagem Corporal
O presente, o futuro e as perspectivas distantes da tecnologia de vestir

Por Michael Frank

> MONITORES DE EXERCÍCIOS

Agora
1. Misfit Shine
Os monitores de atividade são feitos para combinar perfeitamente com a sua rotina. Mas, se o equipamento for muito chamativo e barulhento, provavelmente você não vai querer usá-lo. Por isso é que o Shine funciona tão bem: ele grava as estatísticas básicas, tem o tamanho de uma moeda e pode ser levado no bolso, no punho ou pendurado no pescoço. Há monitores melhores, específicos para fitness, como o Mio Link, mas nenhum é tão discreto. US$ 120; misfitwearables.com

Em breve
2. Basis Health Tracker
Este equipamento tem o tamanho de um relógio de pulso, e os gráficos do software são claros e informativos. Mas o que torna o Basics tão intrigante são os dados que ele coleta, que vão além da atividade e frequência cardíaca. Incluem, por exemplo, o sono REM, a temperatura da pele e até a transpiração. O Basis já está à venda, porém os pesquisadores estão trabalhando com dados de milhares de usuários para estudar tudo, desde os padrões de sono até níveis de estresse, para criar algoritmos e oferecer orientações mais direcionadas no futuro. US$ 199; mybasis.com

No futuro
3. Atlas Fitness Tracker
A maioria dos rastreadores não diferencia corrida de escalada, pois reconhecem poucos tipos de movimento. O Atlas resolve esse problema com um arquivo de milhares de padrões de movimento, e você pode ensiná-lo outros novos. A frequência cardíaca é captada no pulso, e o produto contabiliza as repetições de movimentos, sejam eles afundos ou voltas de corrida. atlaswearables.com


PULSANTE: O Atlas Fitness Tracker diferencia os tipos de exercícios, e ainda capta a
frequência cardíaca no pulso

Entretanto, uma vez que saímos para a pedalar na estrada, descobri que o tal equipamento mostrava dados bem básicos, e a visão dos meus óculos não era tão cor-de-rosa assim. A armação de resina não passava de um protótipo impresso em 3D, por isso o ajuste e o caimento não eram dos melhores. O equipamento era um pouco pesado e ficava escorregando do meu nariz suado (o produto finalizado, que estará disponível aos consumidores em alguns meses, pesará 60 gramas, aproximadamente o dobro de óculos de ciclismo como o Oakley Jawbones). A tela pequena, localizada abaixo e à direita do olho do usuário, ficava mudando de posição; o sol de rachar ofuscava a resolução, tornando difícil entender se eu estava filmando ou tirando fotos. Diante daquela situação, fiquei sem saber direito se o que eu estava fazendo me tornava um cara super legal ou um total imbecil.

Eu ficava olhando para baixo e para a direita, para um quadradinho onde deveriam estar meus dados – “tipo um painel de carro”, havia dito Tyson. Mas o tal painel era um protótipo estático, com campos que mostrariam na versão final a velocidade e a cadência. E o Jet ainda não estava equipado para navegação, atender ligações ou mostrar a potência da minha pedalada. O futuro estava logo ali, sobre o meu nariz, porém de alguma forma, como a montanha Superstition, parecia totalmente fora do alcance, uma miragem – porém com grande potencial.

A “TECNOLOGIA DE VESTIR” está agora por toda parte – já chamam 2014 de “o ano da computação de vestir” –, e há mais gente que ouviu falar do assunto do que gente que sabe o que fazer com isso. Os “nerds do exercício”, que amam equipamentos para medir qualquer coisa no esporte, tornaram-se presa fácil e abraçaram a causa. E, à medida que os produtos vão ficando menores e mais poderosos, parece que só há uma direção para o mercado seguir. Os braceletes que monitoram atividade física já representam uma indústria de US$ 2,5 bilhões, apesar de suas falhas ainda estarem sendo resolvidas pelas marcas – um exemplo foi o recall da pulseira Force, da Fitbit, em fevereiro, devido a reclamações por irritações na pele. A Oakley está pensando em colocar sensores em uma linha inteira de roupas, inclusive shorts e tênis de corrida. A empresa norte-americana de pesquisa IHS estima que as vendas de monitores de desempenho – que incluem até palmilhas que informam ao corredor se ele está pisando com superpronação – irão atingir mais de 180 milhões de unidades até 2017. É um salto drástico, se pensarmos nos 20 milhões de produtos similares vendidos em 2010. Mas será que a revolução da tecnologia de vestir criará mesmo uma nova geração de atletas de ponta? Ou apenas oferecerá novos canais para os narcisistas deficitários de atenção da mídia social se exibirem ainda mais?

Achei que a carapuça me serviu muito bem com essas perguntas. Quando não estou tentando quebrar um recorde pessoal no Strava (o aplicativo para ciclistas que mede a performance e compara os dados com outras pessoas, numa espécie de competição virtual), frequentemente me vejo parando para subir uma foto de alguma linda trilha da costa da Califórnia para meus amigos verem no Instagram. Não seria legal fundir tudo isso em um único equipamento? Ou será que isso apenas me distanciaria ainda mais da essência pura da experiência esportiva?

O Jet parecia ser o melhor produto a ser testado para eu responder às questões acima. É o primeiro “gadget” feito especificamente para o ciclismo, e a Recon é uma empresa que está há muito tempo na ponta da tecnologia de vestir. As raízes da marca datam de 1996, em uma competição de natação na Dinamarca. Ali, o nadador semi-profissional Dan Eisenhardt, então com 21 anos, perdeu a prova por 0,28 segundo durante uma etapa classificatória da equipe nacional. Dan ficou com aquele número na cabeça – não conseguia parar de pensar “se eu soubesse meu tempo durante a prova, teria me empenhado mais para vencer”? Em meados do ano 2000, com alguns colegas de engenharia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, lançou-se na criação de um modelo de óculos de natação que forneceria dados em tempo real.

No final, um modelo de óculos de esqui mostrou-se um melhor produto para a empresa que Dan ajudou a fundar, e que depois se tornou a Recon, em 2008 – os donos chegaram à conclusão de que o mercado para tecnologia de ponta na piscina era muito pequeno. Em 2009, a Recon começou a vender o HUD Snow, que os fabricantes de equipamentos como a Oakley poderiam inserir em seus óculos de esqui. Curiosamente, à medida que a empresa foi lançando atualizações de seu sistema operacional, ela começou a perceber que os clientes não estavam sempre tão interessados em saber os dados sobre a altura ou o tempo dos saltos nas rampas esqui. “As pessoas estavam mais interessadas em receber mensagens de texto na montanha, ou saber onde estavam seus filhos”, diz Tyson. Eles queriam ter a possibilidade de acessar games como o Angry Birds, “para jogar e se entreter enquanto subiam no teleférico”, explica ele. A Recon vendeu aproximadamente 50 mil unidades do Snow, mas o pessoal da indústria do esqui considera o equipamento mais como uma “peça cara para quem quer dar uma de elegante” do que uma ferramenta essencial de performance.

A Recon espera mudar essa visão com o Jet, seu primeiro equipamento que engloba todos os tipos de informação, voltado para uma galera muito mais obcecada por números e dados que comprovam sua performance: os ciclistas. E, como me disse o ciclista holandês Laurens Ten Dam, “alguns atletas prós ficam completamente presos à tela. Eles, literalmente, verificam a potência de sua pedalada a cada três segundos”. Não ter que olhar para o guidão o tempo todo pode significar menos distração do que virar a cabeça para enxergar algo passando do seu lado. E, segundo Laurens, numa prova de contra-relógio, “é melhor permanecer numa posição mais aerodinâmica, olhando para frente, em vez de olhar para baixo para verificar o potenciômetro”.

De acordo com Dan, o Jet não é só para os prós. “A quantificação do movimento em números vai muito além do fanatismo”, diz. “Todos queremos nos medir e comparar nosso desempenho com o dos outros, e ninguém é a fim de ficar procurando o smartphone no bolso da camisa no meio do treino. Além de não ser seguro, atrapalha o prazer da pedalada.” Mas esse tal HUD também tem seus riscos: as pessoas podem acabar prestando mais atenção à informação no aparelho a sua frente do que no que está realmente na frente delas, na estrada.

>> HUDS (DISPLAYS DE CABEÇA)

Agora
1. Oakley Airwave 1.5

Estes goggles (óculos maiores) para esportes na neve combinam a tecnologia heads-up da Recon com a excelente expertise óptica da Oakley. O display do tamanho de uma uva passa mostra dados como distância vertical total, velocidade máxima e quantos milissegundos você permaneceu no ar durante o salto. Também apresenta mapas de montanhas em tempo real e informações sobre onde estão seus amigos (eles só precisam ter o Airwaveapp, disponível para Android e iOS). O brilho da tela causa um pouco de distração no começo, mas depois você se acostuma. US$649; oakley.com

Em breve
2. Recon Instruments Jet
Os óculos escuros para ciclismo da Recon sincronizam com seu smartphone via bluetooth e permitem que você projete praticamente qualquer aplicativo num display do tamanho de uma moeda, localizado abaixo do seu olho direito. Uma tela sensível ao toque permite que você troque de tela, e tem uma câmera HD para filmar. Ainda que seja ótimo para dados de desempenho como frequência cardíaca, ritmo e potência, a tecnologia ainda é um pouco volumosa para óculos escuros. US$ 599;reconinstruments.com

No futuro
3. Uvex Snowstrike VT
Estes goggles para esqui e snowboard terão um display de cristal líquido no lugar da lente – do mesmo tipo utilizado em TVs de tela plana, só que transparentes – e irão se adaptar instantaneamente às mudanças de luminosidade. A AlphaMicron, a empresa por trás das lentes, produz tecnologias semelhantes para os militares norte-americanos, permitindo que os pilotos de caça vejam dados no visor do capacete. Transferir essa tecnologia para goggles e óculos escuros civis é apenas uma questão de tempo.uvex-sports.de


ESCUTA SÓ: O Bragi Dash é um fone de ouvido sem fio que toca música e monitora sua frequência cardíaca

NA PRÁTICA, ACHEI que o Jet me distraiu menos do que eu imaginava. O visor não é tão atraente quanto o de um smartphone. A tela nunca ficou na frente dos meus olhos, e exige que você olhe para ela, de forma consciente, no canto inferior direito dos óculos – teoricamente uma localização melhor para um ciclista do que a do Google Glass, que fica nas sobrancelhas. A Recon também está trabalhando em um sistema de detecção de olhar, que vai desligar a tela quando o usuário não estiver mirando-a, para melhorar a duração da

A distração, claro, é cognitiva, e não apenas física – um texto te dizendo que sua casa está sendo invadida consumirá mais da sua atenção do que a informação sobre sua velocidade atual. Porém uma discussão sobre distrações potenciais devem levar em conta o que os ciclistas já fazem: olhar para o Garmin, ou fuçar no bolso da camiseta para procurar o celular. Segundo Dan Eisenhardt, o Jet pode diminuir esses riscos.

Em alguns lugares do mundo, a Recon certamente entrará em polêmicas jurídicas, já que o Jet será usado em vias públicas. Por exemplo, no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, é proibido dirigir usando o Google Glass. Será que pedalar com um HUD será permitido? A lei ainda está por discutir essa questão, mas pensei nisso durante nossa pedalada na Apache Trail, quando eu e mais dois amigos fomos parados por um guarda do Arizona. Ele se identificou como ciclista e, muito irritado, nos acusou de bloquear o tráfego na estrada estreita. O Jet é bem discreto, e até então ninguém – nem mesmo outro ciclista – havia me questionado a respeito dele. Ainda assim, resolvemos a situação com educação, e eu meio que esperava que o guarda fosse chamar minha atenção por causa dos óculos. Isso não aconteceu, mas eu estava preparado. Se as coisas começassem a ficar feias, pensei, poderia discretamente começar a filmar.

O MAIOR BENEFÍCIO PARA A PERFORMANCE virá com a utilização dos dados em tempo real. Tyson Miller prevê o que acontecerá em breve: você sairá para pedalar e, assim que entrar em um segmento do Strava (trecho demarcado do percurso onde há uma disputa para ver quem pedala mais rápido), o Jet te dará seu tempo e as atualizações de ranking. Quando você terminar, ele te informará como você se saiu. Isso ainda não está disponível, porque envolve uma integração com o software do Strava, mas as duas empresas estão conversando para chegar a um acordo.

Quão desejável é esse videogame da vida real? A resposta provavelmente depende da sua relação com a tecnologia e o pedal. O Jet pode servir como um treinador virtual quando você sair para treinar sozinho, ou pode representar mais um calhamaço de dados a pesar entre você e seus colegas de bike. E, como não testei o produto totalmente finalizado, ainda estou em cima do muro. Pode ser que haja vantagens em não ter que olhar para o guidão o tempo todo. Mas a bike é um dos poucos lugares onde eu me sinto totalmente livre para desencanar da vida. Eu posso ler minhas mensagens de texto mais tarde.

Ainda assim, ciclistas como eu, que têm alguma reserva com relação ao cenário do “cicloborgue”, talvez tenham que superá-las mais cedo ou mais tarde. Dan Eisenhardt diz que a tecnologia da Recon “é relevante para qualquer atividade em que você estiver em movimento, mas depende de informação frequente a respeito do seu desempenho”. É uma área bem ampla, e a empresa normalmente atende a uma vasta gama de solicitações, que vão de marinheiros a pilotos de motocross. O base jumper norte-americano Jeb Corliss, especialista em saltar de wingsuit (aqueles macacões com asas de morcego que ajudam a planar), é um entusiasta e apoiador do Flight HUD da Recon, versão dos óculos de esqui que mostrará informações sobre esportes aéreos, como velocidade da queda livre.

Num vídeo promocional, Jeb fala de um desejo de longa data, antes inatingível e que agora está quase por vir: ter instrumentos de voo como qualquer outro tipo de piloto. Segundo ele, “pilotos de caça não têm que voar baseados nos sentidos. Eles sabem o que estão fazendo”. Uma quantidade cada vez maior de pesquisas reforça o quanto isso pode ser importante. Um estudo do Journal of Orthopedic Sports and Physical Therapy (Revista de Ortopedia Esportiva e Fisioterapia) apontou que, após um só teste com mecanismo de feedback, corredores conseguiram reduzir “a carga excessiva sobre as extremidades inferiores” – literalmente mudando sua forma de correr. Em outro estudo, na revista científica Sports Technology (Tecnologia do Esporte), esquiadores alpinos relataram melhor desempenho após receber, em um fone de ouvido, feedback sobre seu deslocamento lateral. Com todos esses dados mais acessíveis, Jeb Corliss acredita que os atletas profissionais podem “realmente melhorar” aquilo que estão fazendo. E você também. Só que ainda não.

> ROUPAS, CALÇADOS E ACESSÓRIOS

Agora

1. Netatmo June Monitor
Tecnologias estão sendo embutidas em tudo, desde capacetes detectores de concussão até lentes de contato com sensor de glicose no sangue (que o Google está desenvolvendo para diabéticos). Um dos mais exclusivos é o June, da Netatmo, feito para mulheres. O June é um sensor UV embutido numa estrutura estilosa que parece um cristal e que monitora a exposição solar e alerta a usuária, através de um aplicativo, quando sua pele atingiu o limite suportável de raios UV. US$ 99; netatmo.com

Em breve
2. OmSignal Shirt
Muito em breve, cada peça de roupa do seu armário vai monitorar algum aspecto fisiológico do corpo. A camiseta Om, que deve ser lançada no próximo verão nos Estados Unidos, é o primeiro passo nessa direção. Fibras inteligentes monitoram a frequência cardíaca, a respiração e a queima de calorias, assim como as passadas e a cadência. Um equipamento do tamanho de um cartão compartilha os dados com seu telefone, que pode analisar as estatísticas através de vários aplicativos. Preço a ser definido; omnisignal.com

No futuro
3. Bragi Dash
Fitas presas no peito são apertadas, smartphones são volumosos e monitores de pulso não tocam música. Aí está a lógica por trás do Dash. Os fones de ouvido sem fio armazenam dados, tocam música e monitoram a frequência cardíaca para um determinado treino. O monitoramento da frequência cardíaca será obtido através de um sensor de luz na orelha, e em um futuro breve poderá ser usado para fazer uma análise de tudo, desde a pressão sanguínea até o nível de oxigênio no sangue. bragi.com


FILMA EU: O autor desta reportagem testando os óculos Recon Jet

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de maio de 2014)

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