Cavaleiros da tempestade

Atravessar um oceano remando figura entre os maiores desafios da aventura, devido aos ventos, tempo ruim, tubarões e enorme desgaste físico. Pior ainda quando se trata do Atlântico e você precisa vencer seus rivais – e seus próprios medos – na mais dura competição de barcos a remo do planeta

Por Fredrik Ölmqvist
Fotos Ben Duffy e Matt Nuttal


HOMEM AO MAR: Remador solo durante a The Talisker Whisky Atlantic Challenge


REMAR NO OCEANO ATLÂNTICO é uma aventura que poucos têm a chance de enfrentar, e quase sempre apenas uma vez na vida. Mais pessoas foram ao espaço ou escalaram o Everest do que cruzaram o Atlântico a remo – e isso por boas razões. Trata-se de um ambiente severo, impiedoso e raramente visto no planeta. “É como se o Freddy Krueger nos esperasse a cada grande onda”, descreveu certa vez um remador.

São nessas águas traiçoeiras que os participantes do The Talisker Whisky Atlantic Challenge – um dos maiores desafios de barcos a remo do mundo – enfrentam, durante mais de 40 dias, dificuldades como bolhas nas mãos e na bunda, queimaduras de sol, tubarões e privação de sono. O evento teve início em dezembro de 2013 e atraiu 17 times, de remadores solo até sextetos, a maioria vinda da Grã-Bretanha. As equipes competidoras remam mais de 5.000 quilômetros, das Ilhas Canárias (próximas ao Marrocos) à Antígua, no Caribe.

Quando paredes maciças de água chacoalham o barco, fazendo seus tripulantes se sentirem em uma montanha russa, é preciso muito mais que coragem e determinação para continuar nessa prova colossal. “O inferno não é vermelho e quente. É azul”, diz Viktor Mattssen, um sueco de 25 anos que integra, ao lado de Scott Etherington, a dupla britânica Atlantic Inspiration. Esta é a segunda vez que ele tenta completar o desafio. Em sua primeira tentativa, em 2011, o desastre aconteceu pouco menos de um mês após o início da competição. “Um dia antes do ano novo, as ondas estavam grandes demais, com ventos muito fortes.

Quando nosso barco virou de manhã, perdemos alguns equipamentos, mas até aí tudo bem. Depois, à tarde, a embarcação rolou mais duas vezes. Bati a cabeça em algo e caí na água.” Tonto e enfraquecido, Viktor retomou a consciência e viu seu barco se afastando, à deriva. De alguma forma, o cabo de segurança havia se rompido. Com sangue escorrendo pelo rosto, ele tentou nadar, porém o barco se movia muito mais rápido do que ele. “Eu estava no meio do Atlântico, nadando em meio a ondas gigantes para salvar minha vida, por um tempo que me pareceu uma eternidade. Cheguei a pensar: ‘Ok, este é o fim. Que pena terminar minha existência dessa maneira’.”

Cerca de 25 minutos depois, o então parceiro de Viktor puxou-o de volta ao barco. O remador estava completamente destruído, como a maior parte dos equipamentos, incluindo o telefone via satélite. Catorze horas depois, um navio cargueiro surgiu para resgatá-los. Depois de cerca de um mês em terra firme se recuperando, Viktor decidiu que tinha que terminar o que começara. No fim de novembro de 2013, quase dois anos depois, ele voltou a La Gomera, ilhota do arquipélago das Canárias e local de largada da prova, desta vez com um novo colega de equipe. “Prometi a mim que tentaria novamente. Preciso provar para mim mesmo que consigo.”


REMEM: Barco durante a competição; na foto abaixo,Vicktor Mattsen


DEZESSETE EQUIPES FAZEM AS PREPARAÇÕES FINAIS no porto de San Sebastián de la Gomera. Nas próximas semanas, aprenderão lições valiosas sobre os perigos e encantos do Atlântico. O remador solo australiano Andrew Abrahams, de 42 anos, destaca-se do resto dos competidores por sua vasta experiência no remo e pelo foco nas embarcações tipo laser. Ele vem planejando participar da competição há dez anos e pretende fazer a travessia em menos de 45 dias – um recorde para um remador solo. Além de possuir um recorde mundial em remo indoor, ele também construiu o barco RV Owen Cavanough. É a única embarcação de madeira da frota. Calmo, superorganizado e bem à vontade no mar, Andrew é daqueles que não deixa dúvidas sobre suas habilidades de remador.

Já a equipe Row 2 Recovery, da Grã-Bretanha, é formada por ex-soldados que, além de se desafiarem, querem ajudar a conscientizar as pessoas dos problemas enfrentados por militares feridos em guerras. Eles são liderados por James Kayll, que cruzou a remo o Oceano Índico em 2011 e jurou nunca mais fazer essas loucuras novamente – mas ele abriu exceção agora por uma boa causa beneficente. Scott Blaney, seu companheiro de quarteto, perdeu boa parte da perna direita depois da explosão de uma bomba no Afeganistão. Isso não o impediu, no entanto, de terminar várias maratonas e atravessar a nado o Canal da Mancha, que separa a Inglaterra da França. Também faz parte do time Cayle Royce, ex-instrutor fluvial da África do Sul. Em 2012, ele pisou em uma mina durante uma patrulha e perdeu ambas as pernas acima do joelho, todos os dedos da mão esquerda e ainda teve a parte da frente da mandíbula removida. Para ele, remar é mais um passo em seu longo processo de recuperação. Cayle precisa se amarrar firmemente no assento do barco para conseguir remar e, usando apenas um braço, ajuda os companheiros a seguir adiante. Tratam-se de homens que, após enfrentarem balas, bombas e minas, não se amedrontam facilmente.

Embora dezembro e janeiro sejam meses tipicamente “calmos” no Atlântico, o oceano é imprevisível e pode ser extremo mesmo nessa época, com ondas de 40 pés (12 metros). Os barcos, a maioria feita de espuma de kevlar, foram projetados para voltar à posição quando emborcam e são equipados com dessalinizadores que deixam potável a água do mar. O painel solar abastece o GPS e os outros equipamentos elétricos vitais, e todos os barcos são equipados com radiofaróis que sinalizam sua localização. Antes da largada, todos os competidores precisam provar suas qualificações e obter certificados como os de sobrevivência no mar, primeiros socorros e uso de rádios de curto alcance, entre outros.

As equipes remarão de San Sebastián, sem apoio algum, até Porto Inglês, em Antígua, no leste do Caribe, na mesma rota que Cristóvão Colombo percorreu em sua primeira viagem até o “Novo Mundo”. Primeiramente, seguirão rumo ao sul do planeta em direção à Zona de Convergência Intertropical – área que circunda a Terra próxima ao Equador, onde os ventos originários dos hemisférios Norte e Sul se encontram – para depois ajustar o curso para oeste. Um navio de apoio da organização acompanha o trajeto, mas como as equipes costumam remar espalhados e longe umas das outras, pode levar vários dias até o navio alcançar os barcos caso haja algum problema. Nenhum outro tipo de apoio externo é permitido.


REMEM: Os ex-soldados da Row 2 Recovery e, abaixo, competidor e seus apetrechos


QUANDO AS EQUIPES ZARPARAM para o Atlantic Challenge, no último dia 4 de dezembro, o tempo estava calmo e ensolarado. A partida havia sido adiada por dois dias, na espera por condições mais favoráveis. Porém, depois de apenas 48 horas, os remadores tiveram de enfrentar um forte vento contrário que os empurrou praticamente de volta ao ponto de onde partiram. Todas as equipes, exceto a australiana Adventure 4 A Cure, composta apenas por Andrew Abrahams, decidem utilizar suas âncoras flutuantes para reduzir o arrasto negativo que os reboca de volta às Ilhas Canárias. Andrew, que estudou direitinho a previsão do tempo para os primeiros dias de remada, decidiu por uma direção mais ao sul, para evitar os piores efeitos da tempestade. Logo as equipes não teriam outra opção que não entrar nas cabines à prova d’água e esperar por dias melhores.

Ficar preso em uma cabine quente e claustrofóbica por 48 horas, sendo empurrado de volta por um enorme swell, é um desafio físico e mental para Viktor Mattssen. “Você tem que aceitar a frustração de não ir a lugar nenhum e ficar vendo de novo as Ilhas Canárias depois de sete dias de competição. É bem desmoralizante”, diz ele. Como resultado do mar agitado, a maior parte das equipes precisa ainda enfrentar falhas elétricas e de equipamentos, como o mau funcionamento do GPS, do timão automático e do dessalinizador, o que as obriga a bombear água manualmente e a direcionar exaustivamente o barco com os pés.


PROVAÇÃO: Mark Brocklehurst em seu turno na equipe Bolton Atlantic Challenge; abaixo,
as mãos de um dos remadores



Assim, logo de início as equipes tiveram que lidar com o enjoo, o medo, a dor e as dúvidas. O que estavam fazendo lá? O que parecia ser uma aventura divertida rapidamente se tornava uma luta pela sobrevivência. A essa altura, os remadores já perceberam que é muito séria a missão na qual embarcaram. O jogador de polo Henry Brett, da equipe britânica Atlantic Polo Team, não consegue evitar a ansiedade frente ao swell de 30 pés (9 metros). “Eu nunca vi ondas assim. Como um remador oceânico novato, entrei nessa aventura com os piores cenários em mente. O meu maior pesadelo era remar à noite com ondas grandes e, apenas alguns dias depois da largada, isso virou realidade e fui jogado do barco”, conta.

Por causa da tempestade, as ondas continuaram a atingir cruelmente os barcos, vindas de todas as direções, dia e noite. Nem todos conseguem vencê-la: em apenas 24 horas de competição, a equipe Atlantic Trio retorna a La Gomera devido a “problemas técnicos”. Mais tarde, soube-se que os dois colegas de equipe de Eoin Hartwright, de 16 anos (a pessoa mais nova a encarar o desafio), decidiram abandonar a competição, deixando o jovem remador em terra, amargamente desapontado, mas ainda não derrotado.


Henry Brett, do Atlantic Polo Team

De volta à Inglaterra, Eoin decidiu encontrar uma nova tripulação e, dez dias depois, uma nova equipe se formou. Em 23 de dezembro, o novo quarteto de Eoin, batizado de Atlantic Quad, zarpa de La Gomera para se juntar ao resto da frota. Parecia que nada pode parar o menino, que começou a sonhar com essa travessia quando, aos 13 anos, ouviu uma conversa sobre um famoso remador oceânico. Para realizar seu sonho, ele se afastou da escola por um ano.

Além da coragem e do preparo físico e técnico, todos que decidem participar do Talisker Whisky Atlantic Challenge precisam considerar os custos de um projeto como esse. A taxa de inscrição de cada equipe é de 20 mil euros (quase R$ 65 mil). O barco custa cerca de 40.000 euros (R$ 129 mil). Some a isso mais 20.000 euros, no mínimo, em despesas adicionais com comida, estadia, viagem e seguros.


AO ENCARAR PELA PRIMEIRA VEZ os horrores reais do Oceano Atlântico, muitos remadores se perguntam como é que os organizadores do evento deixaram que eles partissem. Para responder a questionamentos desse tipo, Carsten Heron Olsen, diretor da prova, é enfático: “A Talisker Whisky Atlantic Challenge é uma das corridas mais duras do mundo. Ninguém disse que seria fácil”.

Apesar da vasta experiência e das longas preparações, a Atlantic Splash, uma equipe de cinco remadores do sul da Inglaterra, é resgatada de helicóptero depois que começou a entrar água em seu barco. No caso do remador solo sueco Christer Kjellner, foi uma sucessão de desastres: o barco virou duas vezes, foi levado pela corrente, se perdeu e teve seu radiofarol indicador de posição de emergência ativado, até que os comandos eletrônicos da cabine pifaram. Como resultado, Christer foi resgatado de helicóptero em 14 de dezembro pela guarda-costeira espanhola, não muito longe de La Gomera. Já a dupla britânica do Team Neas Energy, então na segunda posição, decidiu abandonar a prova depois de diversas emborcadas apavorantes causadas por ondas enormes após 11 dias de viagem. Quando foram socorridos por um navio cargueiro na rota para Gibraltar, o resgate em si se mostrou a experiência mais assustadora de todas, ao terem que atracar ao lado de um navio enorme e saltar para uma escada em alto-mar – a prática comum é deixar os barcos a remo no mar, mas depois eles devem ser recuperados pelos remadores.

Depois do “batismo” dos primeiros dias, as equipes começam a fazer progresso rumo ao sudoeste do planeta. Enquanto as mais rápidas fazem uma média de 60 milhas náuticas (cerca de 110 quilômetros) em 24 horas, as mais lentas só conseguem percorrer 25 milhas náuticas (46 quilômetros). Há vários motivos para essa discrepância entre os competidores: barcos mais rápidos, atletas mais fortes, diferentes estratégias de revezamento e falhas de equipamentos. Com um timão automático defeituoso, algumas equipes precisam timonear manualmente. Outras dedicam várias horas do dia a bombear água manualmente devido a defeitos no dessalinizador. Saltar na água e limpar as cracas do casco é outra tarefa importante, porém um tanto apavorante.

Depois de poucas semanas de prova, várias equipes já tiveram encontros com tubarões. Com períodos de chuvas que duram o dia inteiro, pouco sol e ondas erráticas golpeando as embarcações, os remadores estão frequentemente molhados. A água salgada entra por todos os lados, e o sal fere por atrito as nádegas encharcadas, criando bolhas, cicatrizes e irritação ainda pior nas partes íntimas. Remar, em si, já é uma tarefa fisicamente extenuante que consiste, em grande parte, em aguentar a dor. Mas a pele ferida dos remadores torna tudo ainda pior – a sensação é de estarem sentados em uma lixa.

A higiene a bordo é bastante precária e, na maior parte dos dias, consiste em uma breve limpeza depois do turno com lenços umedecidos. Os remadores seguem um cronograma rígido, com pouco tempo livre. A vida passa a ser comer, dormir, remar, repetir. Mas a chegada do Natal pede comemoração: algumas equipes param de remar por uma hora para abrir presentes, comer bolo e falar com seus parentes, com vozes embargadas, pelo telefone via satélite.


AI, JESUS: Tempestade no Atlântico; abaixo, remador da Bolton Atlantic Challenge e
atleta limpando casco do barco



TENSÕES E IRRITAÇÃO SE ACUMULAM em vários times. Eles devem trabalhar como uma equipe em todas as situações, mas no mar até as pequenas coisas tiram as pessoas do sério. Pode ser um atraso sistemático para seu turno no remo, esquecer de fechar direito a escotilha da cabine ou descansar enquanto deveria remar. Os atletas precisam também prestar atenção ao tom de voz. Com a privação de sono, a fadiga, o desconforto geral e as frustrações rotineiras, o lado mais obscuro da personalidade dos remadores vem à tona. A irritação cresce ao ponto do desrespeito e até mesmo do ódio. Amizades de longa data vão por água abaixo e podem rapidamente virar hostilidade diante de uma fala mais sarcástica.

“Os piores perigos são aqueles que você não conhece direito. Os demônios dos próprios remadores são desconhecidos quando eles partem, mas há sempre uma hora em que se materializam”, diz o sueco Rune Larsson, que fez a travessia do Atlântico em 2001 em uma equipe de duas pessoas. A certa altura da viagem, quando Rune se preparava para seu turno, descobriu uma mensagem “motivacional” que o parceiro de remo deixara para ele: “Se em seis horas não percorrermos 24 quilômetros, este barco vai pegar fogo”. “Ele disse que cortaria o cabo do bote inflável de segurança, jogaria no mar o radiofarol de emergência, o rádio VHF e o telefone satelital e depois colocaria fogo no barco, pois a única coisa que ele tinha eram dívidas esperando por ele em casa”, conta.

No mar, sempre acontecerão episódios para testar sua capacidade de trabalho em equipe. Quando uma onda assustadora arranca o leme do barco, por exemplo, Viktor e seu parceiro, Scott, chegam ao fundo do poço. Mas, para Viktor, desistir não é uma opção. “Nós dois estávamos arrasados, mas eu disse a Scott que provavelmente seríamos os primeiros a atravessar o Atlântico sem um leme.” Depois de três dias, Viktor havia descoberto um modo de construir um novo leme. A tarefa os atrasou, mas, como muitas outras equipes, eles não estavam mais competindo. Agora era uma questão de conseguir completar a travessia. Coisas estranhas continuaram a acontecer, entre elas ser acertado no rosto por um peixe voador ao remar na mais completa escuridão.

Remar à noite, aliás, é o pior dos medos entre os remadores. A dupla sueca da equipe Nordic Endurance escreveu em seu blog: “A sensação geral ao começar o turno da noite é a de ser um ‘jedi’ de Guerra nas Estrelas e assim ter de se orientar pelo instinto (e, claro, consultar o GPS de vez em quando). Mas a escuridão causa problemas que vão além da tarefa de manter o barco em linha reta. Você pode ter pouco ou nenhum aviso antes que uma onda grande e agressiva te golpeie. Quando ela te acerta vinda do nada, é um choque”.

E, para tornar a situação ainda mais problemática, a temperatura dentro da cabine à prova d’água chega a 40ºC, perfeito para pesadelos vívidos e delirantes. Como o de Scott, que tentava acordar suas mãos, ou o de Eoin, que despertou alucinando que se afogava depois que uma onda de verdade conseguiu entrar na cabine. Às vezes, o mar bravo golpeia o barco e, depois, segue uma calmaria sinistra.


PARCERIA: Os britânicos Luke Birch e Jamie Sparks, da equipe 2 Boys in A Boat

A travessia do Atlântico têm significados diferentes para cada remador. Para o duplamente amputado Cayle Royce, da equipe Row 2 Recovery, significa que ele está de novo em ação. No final da viagem, ele disse: “Isso não é o fim da aventura, mas o começo de um capítulo totalmente novo. Meu pai colocou uma foto no Facebook alguns dias atrás e era uma foto minha no dia em que eu saí da UTI. Aquele dia representa o ponto mais baixo da minha vida. Tudo o que eu mais queria fazer era viver novas aventuras, e naquele momento parecia que tudo havia acabado. É muito difícil para mim expressar o que essa conquista significa. A reabilitação psicológica que ela me deu é enorme”.

Chegar finalmente a Porto Inglês, em Antígua, é pura euforia. Conforme as equipes vão surgindo no porto, são recebidas como heróis, com saudações de iates luxuosos, sinalizadores, amigos e familiares aos gritos, uma fanfarra e uma multidão de imprensa. Agora, cerca de 20 quilos mais magros, os marinheiros barbados tropeçam em terra firme com pernas trêmulas. Começa então uma semana de comemorações, com um fluxo interminável de cervejas geladas, ponche de rum, hambúrgueres e histórias do oceano.

Enquanto a dupla britânica do Locura Rows the Atlantic, líder da frota, foi aumentando a já ampla vantagem, o quarteto do Atlantic Polo Team seguiu lentamente, porém de forma constante, ultrapassando um barco depois do outro. Até então considerada uma equipe desorganizada, que decidiu entrar na prova por diversão e sem nenhuma experiência anterior no remo, a Atlantic Polo acaba se destacando pela rígida disciplina e pela postura bastante competitiva. Tidos como os azarões da prova, eles conseguem superar seus adversários Row 2 Recovery na categoria quarteto e chegam na segunda posição.


CELEBRAÇÃO: Equipe comemora chegada acendendo um sinalizador

Depois de 61 dias e 8 horas, Viktor e Scott, da equipe Atlantic Inspiration, chegam na décima colocação, 20 dias depois dos vencedores da equipe Locura. Mas, para Viktor, tudo isso não se tratou apenas de uma competição. “Acima de tudo, é um alívio enorme completar o desafio. Ao embarcar, eu temia falhar novamente e morrer. Lá no meio das ondas gigantes, você teme por sua vida. Alcancei meu objetivo e aprendi uma grande lição: não desista nunca”, vibra. Na entrada de sua cidade natal, com cerca de mil habitantes, existe agora uma nova placa: “Bem-vindo a Hede, cidade do remador oceânico Viktor Mattsson”.

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de abril de 2014)

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