9º Prêmio Outsiders: Eduardo Srur

Desde 2006, selecionamos atletas, expedicionários, artistas e ativistas que têm contribuído para expandir os limites dos esportes e da vida outdoor no Brasil para receber o Prêmio Outsiders. A premiação deste ano aconteceu no dia 29 de abril, em São Paulo. Conheça abaixo o paulista Eduardo Srur, autêntico e atuante artista urbano e um dos vencedores deste ano.

EDUARDO SRUR

Autêntico e atuante artista urbano, ele transforma suas obras em ferramentas para o despertar da consciência dos cidadãos

Por Mario Mele e Bruno Romano

Ilustração: Abiuro e Renato Breder

Retrato: Alex Batista

Modalidade: Arte urbana

De onde é: São Paulo (SP)

Idade: 39 anos


COMO QUALQUER ARTISTA URBANO, Eduardo Srur faz da cidade a sua tela. Sua arte, porém, tem um tema bastante definido: o meio ambiente e a conscientização do cidadão que habita as metrópoles sobre questões essenciais como poluição e consumo desenfreado. “O artista é como uma antena, que vê a mesma coisa só que de uma forma diferente”, diz. Nascido em São Paulo, Srur sempre se incomodou com o fato de os rios imundos serem um problema ignorado pelos próprios moradores da capital. Por isso, ele já “decorou” as margens de concreto do rio Tietê com 20 esculturas gigantes em forma de garrafas pet. E, durante os dois meses que a intervenção durou, foi vista por mais de 50 milhões de pessoas. Antes, Srur já tinha soltado no leito do rio Pinheiros, também em São Paulo, dezenas de caiaques coloridos e “tripulados” por manequins. Foi aí que a maioria das pessoas se deu conta de que aquele espaço abandonado da cidade poderia ajudar na mobilidade urbana e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, como acontecia no início do século passado com os tradicionais clubes de remo.

Questões ambientais sempre estiveram presentes em seu trabalho. Para Srur, um rio contaminado e impróprio para uso é fruto de descaso do governo e da população. Ele gosta de surfar, e é na natureza onde sua energia criativa se renova. Em 2012, o artista usou 100 toneladas de materiais recicláveis para construir um labirinto de 400 metros quadrados que permitia a circulação do público em seu interior. “Qual é a saída deste emaranhado de lixo acumulado pelo consumo excessivo?”, questionava o artista. No ano passado, a intervenção Cataventos colocou em prática uma pesquisa de um ano sobre energia alternativa. A beleza e a criatividade da obra, que tinha iluminação autossuficiente, contrastavam com a paisagem caótica da “cracolândia”, região do centro paulistano onde ficam muitos viciados, e chamavam a atenção para um problema que não poderia ser mais ignorado.

É por acreditar que a arte salva que Srur atualmente está envolvido com o projeto Junk Food. Em 31 de março, o Dia Nacional da Saúde e da Nutrição, ele iria começar uma série de intervenções em São Paulo para alertar sobre os problemas gerados pela alimentação de baixa qualidade, comum em redes de fast food. É a arte ajudando a sociedade a se livrar de velhos conformismos.


ARTE NA RUA: Imagens das obras contestadoras de Srur realizadas em
São Paulo e Brasília
(Fotos: Eduardo Nicolau)

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