Frio e calculista

Nos Jogos de Inverno, quem quiser levar o ouro para casa na prova de esqui halfpipe terá de realizar com precisão uma das manobras mais difíceis desse esporte

Por Devon O’neil


NO DIA 13 DE FEVEREIRO, durante os Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia, cerca de 30 esquiadores competirão pela primeira vez na história em uma prova de esqui halfpipe. Para que um deles conquiste a medalha de ouro, provavelmente será preciso realizar uma manobra dificílima chamada unnatural double cork 1260. Ela consiste em, basicamente, dar dois flips (cambalhotas completas) com três rotações e meia na direção “antinatural” (ou oposta) à que o esquiador levantou voo (veja figura ao lado para entender melhor). “Do ponto de vista de dificuldade técnica, essa manobra está no topo da lista”, diz Josh Loubek, chefe dos juízes na competição de halfpipe olímpico. Até hoje, apenas três esquiadores conseguiram realizar a proeza em competições


OS COMPETIDORES

David Wise, do estado norte-americano de Nevada, foi o primeiro a conseguir realizar essa manobra durante uma competição, em 2011, e é o favorito para ganhar o ouro na disputa em Sochi. Seu compatriota Alex Ferreira e o canadense Justin Dorey também completaram a façanha no ano passado.


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“A grande sacada dessa manobra está na DECOLAGEM”, explica Andy Woods, técnico da equipe norte-americana de halfpipe olímpico. Quando os esquiadores chegam à borda do pipe, com velocidades de até 65 km/h, precisam se lançar no momento certo. Se saltarem muito cedo ou muito tarde, errarão tudo – correndo o risco de se esborracharem lá embaixo.


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Durante o primeiro flip, os esquiadores GIRAM 720 GRAUS, comprimindo seus joelhos contra o peito e segurando um esqui com uma mão para ganhar pontos pelo estilo.


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Devido aos giros e inversões, a maior parte da unnatural double cork 1260 é realizada VOANDO-SE ÀS CEGAS. A melhor chance para ver o ponto de aterrisagem acontece logo no começo, após a primeira volta.


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Para realizarem o segundo flip, os esquiadores se enrolam como uma BALA DE CANHÃO, girando mais 540 graus. O importante, segundo Andy Woods, é evitar se abrir muito cedo, o que pode jogar fora qualquer esperança de se concluir a rotação.


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Uma volta completa inclui cinco manobras, e os esquiadores devem sair de cada uma com controle suficiente para já encaixar a próxima. A ATERRISAGEM com o quadril fechado e o peso do corpo na parte traseira do esqui permite que se mantenha o impulso para cima no paredão oposto do halfpipe.

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de fevereiro de 2014)

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