Pé na areia

Em janeiro, um novo circuito de ultramaratonas no deserto será inaugurado com uma prova de 300 quilômetros em Omã, no Oriente Médio


Por Mariana Mesquita


MIRAGEM?: Atletas participam de "provas-teste" do The Desert Challenge nas areias da
Península Arábica


FAZIA DOIS ANOS que o norte-americano Tim Holmstrom, fotógrafo e organizador de provas de aventura, acalentava uma vontade enorme de criar sua própria ultramaratona. Em sua “prova dos sonhos”, os corajosos participantes correriam entre 100 a 300 quilômetros sem parar e, claro, passariam por regiões belas, porém inóspitas – tudo para dar mais emoção ao desafio. Eles não poderiam contar com nenhum tipo de apoio e dormiriam em acampamentos ao longo do percurso. Um último capricho: a competição teria necessariamente que começar e terminar no oceano. Vinte e quatro meses depois, a ideia ganhará vida no final de janeiro de 2014. Com uma “pequena” diferença: Tim acabou criando duas ultramaratonas, batizadas por ele de TransOmania e TransArabia. Ao término delas, provavelmente ainda haverá uma terceira ultra como grand finale. Juntas, as três provas formarão o novo circuito The Desert Challenge, que promete ser mais uma opção para quem curte provas desérticas, nos moldes do circuito Four Deserts (com provas nos desertos de Gobi, Saara, Antártica e Atacama).


Essa não é a primeira vez que Tim organiza uma ultramaratona. Aos 44 anos de idade, sendo dez deles dedicados ao universo das corridas, o britânico também é o responsável pelo The Coastal Challenge, uma prova com percurso de 225 quilômetros divididos em seis dias que acontece na Costa Rica desde 2003. “É sensacional poder fazer as pessoas visitarem lugares que jamais conheceriam. Ver a felicidade dos competidores cruzando a linha de chegada me motiva demais”, diz ele. Tim trabalha no projeto do Desert Challenge ao lado do francês Cyril Fondeville, que carrega no currículo participações em diferentes ultramaratonas, como a Brazil 135, a mais difícil do país, com 217 quilômetros. Para “dificultar” a vida dos ultramaratonistas, a dupla de organizadores escolheu a diversidade do Oriente Médio como palco para as duas primeiras etapas do circuito inaugural. A região oferece paisagens que vão de dunas a florestas, além de contar com um relevo de grandes desníveis e a possibilidade de começar e terminar o percurso no mar.


No dia 26 de janeiro, acontece a primeira etapa do The Desert Challenge, a TransOmania, que atravessará parte dos cenários secos e montanhosos de Omã, na extremidade oriental da Península Arábica. Os 80 atletas que toparem o desafio partirão da costa norte do país, mais precisamente da praia conhecida como White Beach. De lá, correrão pelas imponentes montanhas que formam a cordilheira de Hajar até as areias do deserto de Wahiba. A corrida acaba na costa leste do país, no Mar da Arábia. Nessa época do ano, as temperaturas por ali costumam variar de 4ºC a 44ºC, com dias em que a umidade do ar não ultrapassa 10%. Dormindo em barracas e carregando seu próprio alimento e equipamentos, os competidores podem escolher percursos de 285, 200 ou 130 quilômetros. Também podem optar por correrem a prova solo, sem a companhia e ajuda de ninguém, ou participar do desafio com equipes de três pessoas.


Já a TransArabia será realizada em novembro de 2014, na Jordânia. No meio do longo caminho, com quilometragens semelhantes à TransOmania, os atletas passarão pelo deserto de Wadi Rum e ainda terão a oportunidade de acampar na cidade de Petra, um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo. Para completar o ano, será realizada uma ultramaratona com o mesmo nome do circuito, The Desert Challenge, porém ainda sem local e data definidos. “Estamos nos organizando para que essa última ultracorrida comece na Costa dos Esqueletos, uma região no noroeste da Namíbia, na África”, conta Tim. Na primeira edição do circuito, qualquer um pode correr todas as etapas. Mas a ideia é que, a partir do ano seguinte, apenas quem já tenha participado de pelo menos uma das “Trans” seja classificado para a final. O valor da inscrição para a TransOmania é de US$ 2.500 dólares.

Entre os nomes já confirmados para a primeira etapa, está a norte-americana Sandy McCallum, que em 2007 entrou para o Guinness World Record ao concluir o maior número de ultramaratonas no deserto em menos de um ano. Foram seis provas em diferentes lugares do mundo, como Atacama (Chile), Saara (África) e Gobi (China) e mais de 1.400 quilômetros percorridos no total. Em 2014, ela começa o ano participando da TransOmania. “Mais do que qualquer coisa, quem corre provas assim precisa trabalhar muito o lado psicológico. Acredito que determinação e força mental são os principais diferencias para se conseguir cruzar a linha de chegada”, diz Sandy. O site oficial do The Desert Challenge (thetransarabia.com) atualiza os corredores com novidades, detalhes e tudo o que você precisa saber sobre o circuito.

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de dezembro 2013/janeiro 2014)

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