Inverno sem fim

É AGORA: Shane divide a onda com Benjamin Sanchis e Grant Twig Baker, em Belharra (FOTO: via Facebook)

Aos 41 anos, o surfista havaiano Shane Dorian é o vencedor da última edição do Billabong XXL – o Oscar das ondas grandes – na principal categoria (Ride of the Year). E, no que depender dele, o título não vai trocar de mãos tão facilmente.

Nesta semana, Shane está na França, perseguindo um gigantesco swell trazido pela tempestade Hercules, que formou ondas de 20 metros por todo o litoral da Europa, entre Portugal e o Reino Unido.

Para ir atrás das ondas enormes, Shane partiu de sua casa, no distrito de Kona, no Havaí, onde mora com a família, e voou 30 mil quilômetros até Belharra, na França.

“Tive um sério frio na barriga”, disse ele logo após a primeira queda no mar, quando, ainda sob os efeitos do jetlag, pegou duas boas ondas usando uma prancha de 3,5 metros e apenas a força dos próprios braços para remar e descer esses “prédios d’água”.

“É assustador”, admite. “É como olhar para baixo a parede de um edifício. Mas você se sente muito bem depois que venceu todo esse estresse. Há um sentimento de realização em superar o que o seu corpo e a sua mente queriam fazer. Ao final, percebe que foi um dia muito desgastante, porque você vira uma montanha-russa emocional nessa busca de superar medos.”

Shane, que já integrou a elite do surf competitivo, hoje é um dos maiores nomes do surf extremo, e já surfou as maiores ondas no México, na Califórnia, em Fiji e no Taiti. Com a melhor e maior onda surfada em 2013 (segundo o júri do prêmio XXL), ele embolsou US$ 50 mil. Mas essa foi sua primeira parada em Belharra.

Nos próximos dias, Shane pretende voltar ao Havaí para chegar junto a outro gigantesco swell que está previsto. No momento, ele e seus colegas de profissão estão vivendo um inverno que parece não ter fim.


(via theguardian.com)

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