Conquistando a liberdade


NO TETO: Felipe trabalha para conquistar a liberdade

Se no começo do século 18, a cidade de Ouro Preto (MG) atraía famílias e religiosos de todos os cantos do Brasil e da Europa para a extração do ouro. Hoje a cidade é bastante procurada pelos escaladores por causa dos inúmeros boulders, um tipo de escalada em lances curtos, geralmente em rochedos de pouca altitude, mas de altíssima dificuldade.

O brasileiro Felipe Camargo é um antigo explorador dos blocos de pedra da região e recentemente concluiu um projeto de graduação V14 (se você não sabe o que este código significa, entenda essa graduação como uma escalada de dificuldade extrema mesmo para os escaladores mais fortes do mundo nessa modalidade).

Batizado de Libertadores, esse projeto encadenado por Felipe tem uma sequência negativa em pequeníssimas agarras com um bote no final que obriga o escalador a desafiar a lei da inércia (veja no vídeo abaixo).

Já o nome é um paralelo com a escravidão de índios e negros praticada em séculos passados em razão da ganância desenfreada: era impossível o ouro não falar mais alto. Mas a escravidão impõe limites físicos e mentais, e é justamente isso que um esporte como a escalada revoga.

“Tentar subir aquela pedra é como voltar ao estado primitivo”, diz Felipe. “É só você e a escalada, um tipo de libertação de tudo o que existe hoje no mundo.”

Felipe consegue fluir livremente pelo imponente teto, apesar de ser nítida a força descomunal que faz para não desgrudar da parede. Ele, a rocha, a escalada… Tudo parece ser uma coisa só, e é impossível não achar que o esporte é uma força real de libertação – física e mental. Para quem pratica, isso é a mais pura espiritualidade.

PS: Assista à edição completa do filme Libertadores, com depoimentos de Felipe e outros escaladores, no 3º Festival Rocky Spirit, que acontece nos dias 24 e 25 de agosto, em São Paulo, e dias 31 agosto e 1 de setembro no Rio de Janeiro. Saiba mais acessando o site da mostra de cinema: rockyspirit.com.br.

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