Unidos pelo voo livre


OS CARAS: Da esquerda para direita, Rodrigo, Gabriel, Gustavo, Brito e Fernando Motta

A história desses caras daria um bom filme. E foi isso que a produtora carioca Tchau For Now percebeu há algum tempo. Os escaladores e base jumpers brasileiros Gabriel Lott, Fernando Brito, Rodrigo Almeida e Fernando Motta formavam um grupo conhecido como F.A.S.T, uma abreviação para a expressão em latim (exceto pela última palavra) Fortuna Audaces Sequitur Team, que significa “a sorte acompanha os audazes". Formavam porque, em abril deste ano, Fernando Motta morreu durante um salto em Utah (Estados Unidos) – um acontecimento que deixou toda a comunidade do montanhismo e do BASE jump em choque –, e o F.A.S.T ficou desfalcado.

O espírito do grupo, no entanto, permanece. Eles sempre pensaram e agiram de modo parecido. “Não nos juntamos por uma escolha ou por exclusão de outras pessoas”, explica Gabriel. “Acontece que, por sermos escaladores, a maioria não consegue nos acompanhar morro acima. Já chegamos a subir a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro (RJ), quatro vezes no mesmo dia.”

Quem conhece o lugar sabe que parece coisa de maluco. Mas, nos últimos seis meses, o F.A.S.T abriu diversos locais para saltos de wingsuit, como jamais fora feito no Brasil até então. E, para voar de wingsuit, Gabriel, Brito e Rodrigo continuam fazendo coisas inacreditáveis.

Certo dia, subindo a Pedra da Gávea para saltar, eles encontraram por acaso uma equipe que produz vídeos e que parecia frustrada na rampa de decolagem: eles foram filmar alguns base jumpers estrangeiros, mas todos saltaram de forma “egoísta”, sem se preocupar muito com os cinegrafistas. “Eles nos perguntaram se poderiam filmar o nosso salto também, e prontamente dissemos que não haveria problema”, lembra Gabriel. Os videomakers ainda fizeram várias perguntas sobre eles, querendo saber os objetivos daquele grupo no esporte.

Na hora do salto, eles se posicionavam sempre na mesma ordem: Rodrigo, Brito, Gabriel e Fernando. E, quando se atiravam, cada um gritava uma palavra do nome do grupo: Rodrigo: “Fortuna”. Brito: “Audaces”. Gabriel: “Sequitur”. Fernando: “Team”.

O pessoal da produtora gostou tanto deles que os procurou para gravar um programa. A ideia seria registrar os saltos do grupo por cinco Estados brasileiros, em pontos já abertos, e também mostrá-los inaugurando novos picos de base jump e wingsuit.

Em alguns episódios, o base jumper Gustavo Areias substituiria oficialmente Brito que, por motivos pessoais, não poderia acompanhar o grupo em todas as viagens.

“Como uma imagem vale mais do que mil palavras, segue o vídeo do programa piloto”, diz Gabriel.

Já há episódios gravados e, no momento, a produtora negocia a veiculação com alguns canais. Enquanto isso, ficamos na torcida para que tudo dê certo. Apesar de haver inúmeros reality shows na TV, poucos têm algo tão sincero, interessante e desafiador para mostrar.

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