Escolha atividades com as quais tenha mais afinidade, estabeleça metas e use técnicas de reforço positivo

O primeiro passo é escolher algo que te dê prazer. Se você gosta de pedalar, mas não curte corrida, é fácil saber qual deve ser sua prioridade. Da mesma forma, é perfeitamente possível trocar um treino de musculação com máquinas por aulas de funcional, pilates, calistenia ou outra modalidade que trabalhe ganho de força.

“Para que você se sinta motivado, é fundamental o prazer na atividade, ou seja, não adianta querer se comprometer com rotinas de treinamento que não tragam nenhum momento de satisfação”, diz o psicólogo do esporte Yan Cintra.

Como resultados mais consistentes podem levar de dois a três meses para aparecer, então abrir os olhos e o coração para ganhos mais sutis é fundamental para manter a motivação. Um treino repetitivo pode ser desmotivador, então busque atividades que permitam incluir novidades e variações com mais frequência. “Atualizar os treinos traz outros estímulos, portanto, novos ganhos e mais ânimo”, diz a preparadora fisíca Thais Moura.

Como às vezes não dá para fugir de atividades que a gente não curte tanto, existem algumas técnicas que podem ajudar bastante para você não enjoar. Yan lembra que as habilidades mentais são tão importantes quanto as físicas. “O autoconhecimento e o autocontrole são essenciais para o desenvolvimento da resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com as adversidades. Uma mente forte é o diferencial para melhorar a performance, superar limites e desenvolver cada vez mais as capacidades”, diz o psicólogo esportivo.

Aceitação é a palavra-chave nesse caso: entender racionalmente que essa etapas fazem parte do processo. Com experiência e amadurecimento no esporte, o exercício mental fica cada vez mais fácil. “Em tudo na vida a gente tem que aceitar a parte não tão prazerosa para chegar ao que nos dá satisfação”, ensina Yan.

Pensamento âncora

Yan ensina também aos seus atletas a técnica do “pensamento âncora”. Uma palavra ou frase-chave é usada para “recarregar” a motivação quando necessário. “Reflita sobre o que te motiva: por que você faz aquele trabalho de fortalecimento? Onde você quer chegar? Você visualiza o objetivo e associa o ‘pensamento âncora’ às tarefas necessárias para ele. Nas fases ruins e momentos de desmotivação, você usa o ‘pensamento âncora’ para buscara motivação de volta no lugar.’

Outra dica é ter um diário. “Meus atletas possuem um caderninho onde anotam tudo: sensações e sentimentos, frases motivacionais, o que fizeram, como foi o treino”, conta o psicólogo. A surpresa é que o mais importante é anotar quando as coisas simplesmente vão bem. “Nas fases ruins, a gente só olha para o que está dando errado.

Caderno de treinos

Ter anotado no caderninho os bons momentos, os registros de evolução, as sensações de prazer quando atinge os objetivos vira um artifício de motivação”, diz. Perguntas como “Quando eu estava muito bem, treinando certinho, como era minha vida? O que ajudava a fazer dar certo? Quando está dando certo, qual é a estratégia que funciona para mim?” são boas para encontrar os drenos de energia que podem estar sabotando os treinos e permitir uma correção de rota.

Recompensas

Se mesmo com todo esse arsenal ainda estiver difícil, no começo pode ser interessante recorrer a “prêmios”. São recompensas por ter cumprido um treino que você não estava com vontade de fazer. “Essa estratégia funciona inicialmente, mas precisa de cuidado para não ficar dependente disso, porque ela se relaciona com motivação extrínseca, ou externa. Guarde para aquele dia que você está sem saco, sem motivação nenhuma mesmo”, recomenda Yan.