Por Thaís Valverde

Em uma pesquisa rápida no Google você verá preços ainda bem salgados de Motor Homes vendidos no mercado brasileiro. Há modelos que variam de R$ 50 mil a R$ 600 mil ou mais, dependendo do tamanho e das mordomias. Para realizar o sonho de ter uma casa sobre rodas, muitas pessoas acabam fazendo adaptações em veículos para então viver na estrada.

O modelo Kombi, da Volkswagen – que não é mais produzida desde 2013, é um dos queridinhos de quem vive sem endereço fixo. O casal de fotógrafos Sandra Doyama e Cristiano Lorenzoni escolheu uma Kombi e a transformaram na protagonista do seu novo projeto de vida: o Viagem Kombinada. A proposta é percorrer todas as regiões brasileiras pelos próximos cinco anos, realizando pequenos documentários sobre a cultural de cada local.

Antes de trocarem um apartamento em São Paulo por uma Kombi, o casal mantinha carreiras tradicionais nas áreas de arquitetura e engenharia. Conhecimentos que foram fundamentais para realizarem a adaptação do veículo. Com a venda de um carro, foram investidos cerca de R$ 30 mil na Kombi Beatriz – o nome significa bem-aventurada e viajante.

Para manter o novo estilo de vida, além de se desfazer de grandes bens, o casal está montando uma loja virtual de produtos do projeto. “Essa é uma das bases para o equilíbrio econômico, onde venderemos camisetas, fotos, ensaios fotograficos, etc”, explica Cristiano. Antes mesmo de encarar de fato a vida na estrada, o casal já conquista fãs nas redes sociais. Hoje já são quase seis mil seguidores no Instagram.

Uma outro opção, ainda mais compacta em termos de tamanho e investimento, é o uso de furgões como a Fiorino, modelo da Fiat. A fotográfa Camila Caggiano também fez todas as adaptações sozinha. “Um amigo me mostrou um projeto e fui pegando várias referências no Pinterest”. Camila é também escaladora e resolveu colocar o sonho da sua vida em prática. Em dezembro de 2017 foi digirindo para Ushuaia, na Argentina. A ideia era que a bordo da Safira, nome do motor home, Camila pudesse ter a liberdade de conseguir escalar e explorar paisagens que não conseguiria ao fazer em uma viagem tradicional.

O projeto não teve tanto apoio no início, para famílias e amigos a viagem da escaladora era uma loucura. Mas a jornada até Ushuaia foi surpreendente. “Por onde eu ia as pessoas eram super receptivas, me ajudavam, me davam comida, até coisas, como uma cafeteira que ganhei de uma casal viajante. Fiz muitos amigos”, disse. A fotógrafa compartilha reflexões e histórias da viagem no blog Sob as Estrelas.

Camila pretende realizar em breve uma exposição de registros da viagem e um documentário. Ainda este ano ela pretende ir até o Alasca. “Já que fui a um extremo, agora quero ir ao outro. Mas nesse caso, não tenho data para voltar, acho que minha vida será de agora em diante na Safira.”