Prêmio Outsiders

A arqueóloga Niède Guidon dedica sua vida à conservação do Parque Nacional da Serra da Capivara

A arqueóloga Niède Guidon

NIÈDE GUIDON: Guardiã do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, a arqueóloga já soma 45 anos de luta pela preservação do lugar, que passa pela pior crise de sua história

NATURAL DE:
Jaú (SP)

IDADE:
83 anos

ESPECIALIDADE:
Arqueologia

PRINCIPAIS FEITOS:
Criadora da Fundação do Museu do Homem Americano (Fumdham), ela ajudou a fundar o Parque Nacional da Serra da Capivara, onde lidera as descobertas no maior acervo de pinturas rupestres ao ar livre do planeta.

(+)fumdham.org.br

 

A RELEVÂNCIA DE NIÉDE GUIDON já foi reconhecida inúmeras vezes no exterior. Seu pioneirismo na descoberta de importantes pinturas rupestres no sertão do Piauí e sua luta pela preservação da Serra da Capivara lhe renderam uma indicação ao Nobel da Paz em 2005. As descobertas também deram à região o status de Patrimônio da Humanidade da Unesco. Mas, por aqui, a voz da autêntica brasileira com raízes francesas tem dificuldade de ecoar.

Aos 83 anos, Niéde não deixa de trabalhar em favor do Parque Nacional da Serra da Capivara, área que incentivou a ser criada (há 25 anos) para proteger a natureza local e o maior acervo de pinturas rupestres ao ar livre do mundo – as pesquisas na região já trouxeram à tona uma nova e esclarecedora explicação para o povoamento das Américas. Mesmo transformando o lugar em um pólo turístico e de pesquisa de alto nível, desde a década de 1970, Niéde descreve a atual falta de recursos para a proteção e a manutenção do parque como uma “situação terrível”.

Acadêmica e professora na França, a arqueóloga largou tudo para morar em São Raimundo Nonato, no Piauí, e fazer da Capivara seu projeto de vida. Deu luz à Fundação do Museu do Homem Americano (Fumdham), entidade que ainda dirige, sendo responsável por coordenar as principais atividades turísticas, ambientais e culturais do pedaço.

Tudo começou com uma pioneira escavação na Toca do Boqueirão da Pedra Furada, há cerca de 40 anos, e culminou com a criação de mais de uma centena de sítios arqueológicos abertos à visitação. Niede também impulsionou ações para desenvolver a região, como a fábrica de cerâmica da Serra da Capivara, um projeto de apicultura local e um campus universitário, especializado em ciências da natureza e arqueologia, sua grande paixão.

A luta é tão nobre que o prêmio Outsiders não só reconhece o esforço de Niéde e sua equipe, como faz questão de pedir ajuda. “Se nada for feito, tudo será perdido”, resume a pesquisadora e ativista. Sem políticas ambientais sérias e eficazes, a natureza do Brasil ainda depende muito de gente como ela.